O Brasil alcançou a liderança latino-americana em remuneração para profissionais de tecnologia, segundo um relatório global que analisou mais de um milhão de contratos espalhados por 150 países. Os dados mostram que engenheiros e cientistas de dados brasileiros recebem, em média, US$ 67 mil por ano, o equivalente a aproximadamente R$ 358,9 mil anuais.
O valor coloca o país à frente de vizinhos importantes do setor, como México (US$ 48 mil) e Argentina (US$ 42 mil). A diferença regional é expressiva, embora ainda distante dos mercados mais desenvolvidos: nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, a remuneração anual ultrapassa os US$ 150 mil, mais que o dobro da média brasileira.
Desigualdades internas e setores defasados
Apesar do desempenho forte em engenharia e ciência de dados, o mesmo relatório aponta que o ecossistema brasileiro de tecnologia carrega desafios estruturais. Áreas como Marketing, Produto, Design e Vendas apresentam salários bem abaixo da média global, revelando uma assimetria interna que se repete há anos no setor.
Segundo o levantamento, mesmo com a expansão de startups, hubs de inovação e polos digitais, os salários brasileiros ainda dependem fortemente das funções técnicas — e ficam menos competitivos quando se trata de áreas de criação, experiência ou gestão de produtos.
Explosão do trabalho freelancer
Um dos dados mais chamativos do estudo é o índice de profissionais atuando como freelancers ou Independent Contractors (ICs) no Brasil. Hoje, 84% dos trabalhadores de tecnologia atuam sem vínculo formal, em regime independente.
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Produto e Design → 79% atuam como ICs
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Vendas e Marketing → 55% trabalham como ICs
Embora o modelo reduza o custo para empresas e amplie a flexibilidade, especialistas alertam para um cenário de precarização, já que grande parte desses profissionais não possui acesso a direitos trabalhistas, segurança contratual ou benefícios mínimos.
Participação acionária cresce como forma de retenção
O relatório aponta também o avanço da participação acionária (equity), usada como incentivo para atrair e reter talentos, sobretudo em startups. A modalidade passou a ganhar força no Brasil desde 2021 e, em muitos casos, funciona como complemento de renda — embora dependa diretamente da valorização futura da empresa.
Mulheres ainda ganham menos — e muito menos
Mesmo com o fortalecimento do setor, a desigualdade de gênero segue sendo um ponto crítico. As mulheres recebem 29,5% menos do que os homens nas áreas de engenharia e dados — um intervalo que representa diferença anual de US$ 26 mil.
A disparidade se repete em outras áreas:
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Produto e Design: homens ganham US$ 110 mil; mulheres US$ 96 mil
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Vendas e Marketing: homens recebem US$ 66 mil; mulheres US$ 61 mil
O cenário evidencia que, embora o país tenha avançado em remuneração e presença internacional, a equidade salarial continua sendo um dos principais desafios do setor.
📦 O que você precisa saber
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Brasil tem os maiores salários de tecnologia da América Latina
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Engenheiros e cientistas de dados recebem US$ 67 mil por ano
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84% dos profissionais atuam como freelancers
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Diferenças salariais internas afetam áreas como Produto, Design e Marketing
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Mulheres ganham até 29,5% menos que homens em cargos técnicos
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País fica em desvantagem quando comparado a mercados globais líderes
