O Brasil lidera a América Latina em tratamentos de reprodução assistida, como fertilização in vitro (FIV), inseminação artificial e transferência de embriões. Segundo a Rede Latino-Americana de Reprodução Assistida (REDLARA), o país concentra cerca de 40% dos centros de reprodução da região, refletindo o crescimento da demanda em um cenário onde 10% a 20% da população em idade fértil enfrenta dificuldades para engravidar, conforme dados da Biblioteca Virtual da Saúde.
O tema voltou a ganhar destaque com o depoimento recente da atriz e cantora Mariana Rios, que compartilhou publicamente sua experiência com a infertilidade e o início do tratamento de FIV. O relato deu mais visibilidade ao tema, ainda envolto em mitos e inseguranças, e encorajou mulheres a discutirem suas jornadas em busca da maternidade.
Esclarecendo as principais dúvidas
Dr. Vamberto Maia Filho Foto: divulgação
Para desmistificar a fertilização in vitro e orientar quem busca informação segura, o ginecologista e especialista em reprodução assistida Dr. Vamberto Maia Filho reuniu as cinco dúvidas mais comuns sobre o tratamento:
1. Qual é a melhor idade para fazer FIV?
A fertilidade feminina começa a declinar após os 30 anos e se acentua a partir dos 35. Por isso, mulheres que desejam postergar a maternidade são orientadas a considerar o congelamento de óvulos como alternativa para preservar suas chances futuras.

2. Como funciona a fertilização in vitro?
O tratamento envolve a estimulação ovariana com hormônios, coleta dos óvulos, fertilização em laboratório e transferência dos embriões para o útero. Atualmente, a maioria dos procedimentos utiliza embriões congelados, o que aumenta a segurança do processo e reduz riscos como a síndrome da hiperestimulação ovariana.
3. O que é ovodoação e quem pode se beneficiar?
Mulheres com baixa reserva ovariana ou idade avançada podem recorrer ao compartilhamento de óvulos. Segundo o Dr. Vamberto, essa técnica atinge taxas de sucesso de até 60% por ciclo e exige uma abordagem acolhedora do médico, dada a delicadeza emocional envolvida.
4. Como saber se ainda tenho boa reserva ovariana?
Exames como ultrassom para contagem de folículos antrais e o hormônio antimülleriano (AMH) ajudam a avaliar a quantidade de óvulos disponíveis, sendo fundamentais para o planejamento do tratamento.
5. FIV é sempre o melhor caminho?
Nem sempre. Em casos mais simples, métodos menos invasivos como coito programado e inseminação intrauterina podem ser indicados. A decisão depende da avaliação personalizada de cada casal.
6. E a fertilidade masculina?
A fertilidade não é um fator exclusivamente feminino. Problemas com a qualidade do sêmen também impactam nas taxas de sucesso dos tratamentos. Estima-se que cerca de 40% dos casos de infertilidade tenham origem masculina ou fatores compartilhados entre o casal, ressaltando a importância da avaliação conjunta.
Informação é parte do tratamento
Para o Dr. Vamberto Maia Filho, desmistificar a FIV é essencial: “Quando o casal compreende o processo, suas chances de sucesso aumentam — não apenas por aspectos técnicos, mas também pelo preparo emocional”, explica.
Além de atuar como médico ginecologista e obstetra especializado em reprodução humana, Vamberto é pioneiro na área: foi o primeiro residente em reprodução humana no Brasil e participou da equipe que realizou o primeiro bebê por FIV do SUS, em Recife. Com mais de 20 anos de prática clínica e doutorado pela UNIFESP, o especialista também é reconhecido por seu trabalho em educação médica e pesquisa científica.
O avanço da medicina reprodutiva oferece novas possibilidades para quem sonha em construir uma família. E, como mostra a experiência compartilhada por tantos casais, informação de qualidade é o primeiro passo nessa jornada.
