O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) defendeu a manutenção da isenção tarifária concedida à maior parte dos cafés brasileiros exportados para os Estados Unidos e solicitou que o benefício seja estendido ao café solúvel sem adição de aromatizantes.
A manifestação ocorreu durante audiência pública da investigação comercial conduzida pelo governo norte-americano no âmbito da Seção 301, que avalia a adoção de novas medidas tarifárias sobre produtos brasileiros.
Durante o encontro, o diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, destacou que o café produzido no Brasil possui características únicas e desempenha papel estratégico no abastecimento do mercado dos Estados Unidos.
"Os cafés brasileiros não podem ser substituídos de forma viável", afirmou.
Brasil lidera fornecimento de café aos Estados Unidos
Segundo o executivo, o Brasil é responsável por mais de 30% de todo o café consumido no mercado norte-americano, consolidando-se como o principal fornecedor do produto ao país.
Além do volume exportado, Matos ressaltou que a cadeia produtiva brasileira é reconhecida pela eficiência, organização e transparência, garantindo segurança no abastecimento da indústria dos Estados Unidos.
Café solúvel está no centro das negociações
O principal pedido apresentado pelo Cecafé é que o café solúvel sem aromatizantes (HTS 2101.11.21) seja incluído entre os produtos isentos das tarifas previstas na investigação comercial.
A entidade argumenta que esse tipo de café praticamente não é produzido nos Estados Unidos, embora seja matéria-prima essencial para a fabricação de bebidas prontas para consumo (Ready to Drink – RTD) e cafés do tipo cold brew, produtos consumidos diariamente por cerca de 53 milhões de adultos norte-americanos.
Segundo o Cecafé, manter a tributação poderá reduzir a competitividade da própria indústria dos Estados Unidos, que depende da matéria-prima brasileira para produzir bebidas de maior valor agregado.
Exportações reforçam importância do Brasil
Dados apresentados durante a audiência mostram que, somente em 2025, o Brasil exportou aproximadamente 15 milhões de quilos de café solúvel sem aromatizantes para o mercado norte-americano.
Esse volume corresponde, em média, a mais de 30% de todas as importações desse produto realizadas pelos Estados Unidos nos últimos cinco anos.
Setor acredita que isenção beneficia os dois países
Durante sua apresentação, Marcos Matos lembrou que a retirada das tarifas sobre a maior parte dos cafés brasileiros, adotada em novembro de 2025, coincidiu com um período de maior estabilidade dos preços pagos pelos consumidores norte-americanos.
Na avaliação da entidade, ampliar essa política ao café solúvel poderá fortalecer toda a cadeia produtiva do café nos Estados Unidos.
O setor movimenta cerca de US$ 343 bilhões por ano, representa aproximadamente 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano e gera mais de 2,2 milhões de empregos, segundo dados apresentados pelo Cecafé.
Audiência reuniu representantes do setor cafeeiro
Marcos Matos participou do terceiro painel da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
Também estiveram presentes representantes da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), da National Coffee Association e da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel, que defenderam a manutenção de um ambiente comercial favorável entre Brasil e Estados Unidos.
O QUE VOCÊ PRECISA SABER
☕ Principal pedido: inclusão do café solúvel sem aromatizantes na lista de produtos isentos das tarifas norte-americanas.
🇧🇷 Participação brasileira: o Brasil fornece mais de 30% do café consumido nos Estados Unidos.
📦 Exportações: cerca de 15 milhões de quilos de café solúvel foram enviados aos EUA em 2025.
💵 Importância econômica: a cadeia do café movimenta aproximadamente US$ 343 bilhões por ano, representa 1,2% do PIB norte-americano e sustenta mais de 2,2 milhões de empregos.
🤝 Posição do Cecafé: a entidade afirma que o café brasileiro é estratégico para o mercado dos Estados Unidos e que manter a isenção tarifária beneficia produtores, indústria e consumidores dos dois países.

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