Com a chegada das altas temperaturas, mesmo antes do início oficial do verão, aumentam as queixas de irritações e infecções oculares no Espírito Santo. A combinação de sol forte, água de piscina, areia e ambientes secos — especialmente os climatizados — cria um cenário que favorece inflamações na superfície ocular.
Segundo o oftalmologista Pedro Trés Vieira Gomes, do Hospital de Olhos de Vitória, o fenômeno é repetitivo nesta época do ano.
“As pessoas ficam mais expostas ao vento, ao calor e à radiação ultravioleta. Isso impacta diretamente a superfície ocular”, explica.
Radiação intensa pode causar 'queimadura' na córnea
O especialista ressalta que a radiação UV se intensifica no verão e pode causar lesões.
“Quando a exposição é prolongada, a córnea pode reagir como se tivesse levado uma queimadura”, observa.
O quadro, conhecido como fotoceratite, provoca dor, lacrimejamento e dificuldade de abrir os olhos horas após a exposição.
Piscinas: cloro, alergias e conjuntivite
Outro ponto de atenção são as piscinas. O cloro altera a composição natural da lágrima, irrita os olhos e favorece alergias. Em locais cheios, o risco de conjuntivite aumenta.
O oftalmologista faz um alerta especial aos usuários de lentes de contato:
“A lente funciona como uma esponja. Se entrar na piscina com ela, o risco de infecções sérias cresce muito.”
Areia e vento aumentam irritação nas praias
Nas praias, o vento quente leva grãos de areia que atingem a superfície do olho, causando sensação de corpo estranho e irritação.
“É muito comum a pessoa sair do mar e esfregar os olhos, mas isso pode transformar um incômodo simples em arranhão na córnea. O ideal é lavar com água limpa”, orienta Pedro.
Ar-condicionado intensifica ressecamento
Ambientes climatizados reduzem a umidade do ar e aceleram a evaporação da lágrima, agravando o quadro de olho seco.
“É um combo perfeito para irritação: calor intenso, baixa umidade e desidratação”, explica o médico.
Como se proteger durante o verão
O oftalmologista reforça que hábitos simples evitam grande parte dos problemas:
Uso de óculos escuros com proteção UV comprovada
Evitar piscina com lentes de contato
Lavar os olhos com água limpa após contato com cloro ou água do mar
Usar lágrimas artificiais em dias de ressecamento
Manter hidratação adequada
Evitar coçar os olhos
Fazer pausas do ar-condicionado
Procurar atendimento se houver dor intensa, secreção, queda de visão ou vermelhidão persistente
“Se surgirem sintomas mais fortes, é fundamental procurar atendimento especializado”, reforça o oftalmologista.
O que você precisa saber (POS BOX)
• Calor, sol forte, cloro e ambientes secos aumentam irritações e infecções oculares.
• Exposição excessiva ao UV pode causar fotoceratite — uma ‘queimadura’ na córnea.
• Piscinas lotadas elevam risco de conjuntivite; lentes de contato ampliam risco de infecções.
• Vento e areia nas praias favorecem arranhões e irritações.
• Ar-condicionado agrava o ressecamento dos olhos.
• Óculos com proteção UV, hidratação e lágrimas artificiais são aliados no verão.

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