Pouco antes das 16h do sábado (30), enquanto os cavalos começavam a se alinhar pelas estradas da comunidade de Capivara, o movimento já revelava o tamanho da festa. Na cozinha, os panelões de ferro soltavam fumaça desde cedo. Voluntários corriam entre fogão, barracas e palco. Famílias inteiras aguardavam a chegada das comitivas vindas de várias regiões do Espírito Santo.
Mais do que um encontro de cavaleiros, a Cavalgada de Capivara se consolidou como uma celebração da vida no interior. Uma mistura de fé, tradição, comida típica, amizade e pertencimento que transformou a comunidade em um dos principais pontos de encontro cultural das montanhas capixabas.
A 12ª edição do evento reuniu cavaleiros, amazonas, moradores e visitantes em dois dias de programação marcados pela convivência comunitária, pelos shows musicais e pelo clima acolhedor que virou marca registrada da festa.
À frente da cavalgada, a imagem de Nossa Senhora Aparecida conduziu o percurso em meio às orações, bênçãos e demonstrações de devoção.
Cavaleiros cruzaram montanhas para participar da festa
Entre os grupos que chegaram à comunidade estava a comitiva de São Paulinho do Aracê, que saiu ainda de madrugada para acompanhar a cavalgada.
“Rapaz, a melhor cavalgada da região é a cavalgada de Capivara. A turma nossa saiu seis horas da manhã. Passamos por várias comunidades, pegamos estrada, subimos serra… foi maravilhoso”, contou Jolivan Pizzol, logo após a chegada.
Frequentador de cavalgadas em diferentes cidades, ele diz que Capivara tem algo difícil de encontrar em outros eventos.
“Aqui o pessoal acolhe de verdade. Tem estrutura pros animais, água, comida boa, organização, atenção com todo mundo. E ainda tem esse momento de fé com Nossa Senhora Aparecida. Isso faz diferença”, afirmou.
Fé acompanha o percurso pelas estradas do interior
Ao longo do trajeto, a presença da imagem de Nossa Senhora Aparecida reforçou o caráter religioso da cavalgada.
A chegada das comitivas foi acompanhada por bênçãos, abraços e emoção entre famílias que aguardavam os participantes na comunidade.
Um dos organizadores da festa, Zezé Denadai relembrou o início simples do evento, criado entre amigos da comunidade.
“Essa festa começou pequenininha. Hoje a gente vê o tamanho que ela tomou. Mas isso só acontece porque a comunidade abraçou. Tem voluntário, tem família ajudando, tem amigos vindo de todo canto”, disse.
Ele destaca que a cavalgada cresceu sem perder a essência comunitária.
“É só alegria. O pessoal volta todo ano, traz mais gente, ajuda a divulgar. E Nossa Senhora vai na frente abençoando todo mundo”, afirmou.
Panelões de ferro mantêm viva a tradição do interior
Enquanto o forró tomava conta da festa, outro cenário chamava atenção de quem chegava à comunidade: os grandes panelões espalhados pela cozinha improvisada ao lado do espaço principal do evento.
Feijoada, vaca atolada, macarrão caseiro e outras receitas tradicionais foram preparadas por moradores e voluntários nos dias que antecederam a programação.
Mais do que servir comida, a cozinha virou símbolo do esforço coletivo que sustenta a cavalgada.
“Esteja sol ou chuva, o povo trabalha junto”, resumiu um dos voluntários enquanto ajudava na preparação das refeições.
Nos bastidores, mulheres da comunidade passaram dias preparando massas, organizando ingredientes e deixando tudo pronto para receber o público.
Cavalgada virou patrimônio afetivo da comunidade
Para o presidente da associação comunitária, Maxuel Felipe, a festa já ultrapassou o formato tradicional das cavalgadas do interior.
“Hoje vocês estão vendo uma das maiores festas do município. É um evento de família. Você olha pra todo lado e vê pai, mãe, criança, cavalo, amizade. A cavalgada representa a cultura de Vargem Alta”, afirmou.
Segundo ele, o evento também ajuda diretamente no fortalecimento da comunidade.
“A festa movimenta a comunidade, ajuda nas melhorias, nas obras e faz as pessoas se sentirem parte de tudo isso”, explicou.
Organização começa muito antes da festa
Quem visita a cavalgada durante o fim de semana muitas vezes não imagina o tamanho da preparação que antecede o evento.
Semanas antes da programação, moradores e voluntários já estavam envolvidos na montagem da estrutura, organização da cozinha, limpeza, logística e preparação do percurso.
Integrante da associação comunitária, Ule Pin resume a rotina da organização como um aprendizado constante.
“Cada ano a gente tenta melhorar um pouco mais. Corrigir o que precisa, aprender e fazer melhor. Quando chega no final e a gente vê as famílias felizes, fica o sentimento de gratidão”, afirmou.
Entre cavalos, amizade e forró
Um dos fundadores da cavalgada, o vereador Rivelino Rosa lembra que tudo começou de forma despretensiosa, entre amigos da comunidade.
“Em 2013, juntou um grupo de amigos e resolvemos fazer uma cavalgada. Era uma brincadeira. Hoje virou essa festa toda”, contou.
Para ele, o maior patrimônio do evento continua sendo o envolvimento dos moradores.
“O mais bonito é o voluntariado. É quem tá cozinhando, limpando, montando estrutura. Sem isso, não existiria festa”, destacou.
No meio da multidão, João Pedro Fabres circulava rouco, mas sem perder o entusiasmo.
“Cavalgada é tradição, paixão e estilo de vida”, resumiu.
Mesmo sem voz, ele fez questão de destacar o que mais gosta na programação.
“É amizade, comida boa, os amigos reunidos, o forró… junta tudo e vira um festão”, disse.
Ao longo dos anos, a Cavalgada de Capivara deixou de ser apenas um encontro regional e passou a ocupar lugar de destaque no calendário cultural do Sul do Espírito Santo.
Com forte participação comunitária, presença de cavaleiros de diferentes cidades e uma combinação de fé, tradição e acolhimento, o evento construiu uma identidade própria nas montanhas capixabas.
O que você precisa saber
📍 Evento: 12ª Cavalgada de Capivara
📅 Data: sábado (30) e domingo (31)
📌 Local: Comunidade de Capivara — Vargem Alta (ES)
🐎 Destaques da programação:
• Cavalgada com cavaleiros e amazonas
• Bênção com Nossa Senhora Aparecida
• Shows musicais
• Comidas típicas em panelões de ferro
• Moda de viola e forró
🙏 Marcas do evento:
• Fé
• Tradição rural
• Resgate cultural
• Participação comunitária
👨🍳 Organização:
• Associação comunitária
• Voluntários e moradores da comunidade
🎶 Clima da festa:
• Ambiente familiar
• Confraternização entre gerações
• Cultura do interior capixaba

Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se