A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) avaliam como um avanço estratégico para a economia brasileira a aprovação, pela União Europeia, do acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu, anunciada nesta sexta-feira (9). Em negociação há mais de duas décadas, o tratado é considerado o mais moderno e abrangente já firmado pelo Mercosul e pode representar um novo patamar de inserção internacional para o Brasil.
A expectativa agora é pela assinatura do documento e pelo avanço das etapas de internalização, ratificação e implementação, que ainda dependem de diálogo com parlamentos e com a sociedade nos países envolvidos. Para as entidades industriais, o acordo cria as condições políticas necessárias para transformar um avanço institucional em oportunidades concretas de comércio, investimentos e aumento da competitividade.
“A aprovação do acordo é um passo decisivo e cria o ambiente necessário para avançarmos rumo à assinatura. Esperamos que esse processo seja concluído o quanto antes, para que possamos converter esse avanço em resultados práticos para a indústria e para o país”, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Impacto direto na geração de empregos e renda
Os números do comércio bilateral já indicam o potencial do acordo. Em 2024, a cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil para a União Europeia foram criados 21,8 mil empregos, movimentados R$ 441,7 milhões em massa salarial e gerados R$ 3,2 bilhões em produção.
No mesmo período, a UE foi destino de US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras, o equivalente a 14,3% do total exportado pelo país, consolidando-se como o segundo principal mercado externo do Brasil. Já as importações brasileiras oriundas do bloco somaram US$ 47,2 bilhões, o que representa 17,9% do total, reforçando a importância europeia no fornecimento de insumos, tecnologias e bens industriais.
Segundo a CNI, o acordo tende a gerar impactos ainda mais relevantes sobre os investimentos bilaterais ao ampliar a previsibilidade regulatória, reduzir barreiras tarifárias e fortalecer disciplinas relacionadas à facilitação de comércio e investimentos.
“Esse ambiente mais estável favorece a competitividade das empresas, reduz custos nas cadeias globais de valor e cria condições mais favoráveis para a internacionalização das empresas brasileiras e para a atração de investimentos estrangeiros diretos”, destaca Alban.
Novas oportunidades no Leste Europeu
Além de ampliar o acesso ao mercado europeu, a CNI ressalta o potencial de crescimento das relações comerciais e produtivas com países do Leste Europeu, como República Tcheca, Polônia e Romênia. Atualmente, esses mercados têm fluxos comerciais modestos com o Brasil, mas apresentam espaço para expansão consistente, especialmente nos setores industrial, tecnológico e de bens de consumo.
O acordo também prevê o reconhecimento recíproco de indicações geográficas, o que fortalece a proteção de produtos regionais brasileiros com selo de origem e amplia oportunidades para marcas nacionais no mercado europeu, como cafés especiais e queijos.
Sustentabilidade, inovação e transição energética
Para o setor industrial, o tratado também é visto como uma oportunidade estratégica para aprofundar a cooperação técnica em tecnologias de baixo carbono, fundamentais para a sustentabilidade dos processos produtivos, a transição energética e a digitalização da agroindústria.
O alinhamento aos requisitos ambientais e sociais da União Europeia tende a reduzir potenciais barreiras ao acesso de produtos brasileiros e fortalece a agenda nacional de inovação tecnológica e mitigação das mudanças climáticas.
Na avaliação da CNI e da Findes, o acordo Mercosul–União Europeia representa um marco na estratégia de inserção internacional do Brasil, com impacto direto no redesenho dos fluxos globais de comércio e investimentos e com potencial para impulsionar a indústria nacional a um novo ciclo de crescimento.
📌 O que você precisa saber
• A União Europeia aprovou o acordo comercial com o Mercosul após mais de 20 anos de negociação
• Em 2024, cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil para a UE gerou 21,8 mil empregos
• UE é o segundo principal mercado externo do Brasil
• Acordo prevê redução de tarifas, facilitação de comércio e estímulo a investimentos
• Tratado amplia oportunidades em mercados do Leste Europeu
• Sustentabilidade e inovação são eixos estratégicos do novo acordo

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