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Colheita do conilon avança lentamente e atraso pode pressionar preços da safra 2026

Maturação irregular das lavouras reduz ritmo dos trabalhos no Espírito Santo, enquanto mercado acompanha aumento da oferta e concorrência internacional

Conexão ES Redação
Por Conexão ES Redação
Colheita do conilon avança lentamente e atraso pode pressionar preços da safra 2026
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A colheita da safra brasileira de café conilon 2026 começou em ritmo mais lento que o esperado, acendendo um alerta entre produtores e agentes do mercado. Dados divulgados pela consultoria Safras & Mercado apontam que, até o fim de maio, apenas 9% da safra nacional havia sido colhida, percentual inferior aos 13% registrados no mesmo período do ano passado e abaixo da média histórica de 14% dos últimos cinco anos.

No Espírito Santo, maior produtor brasileiro de café conilon, o cenário é semelhante. Apenas 13% da colheita foi concluída até o momento. Segundo especialistas do setor, a combinação entre alta umidade e maturação mais lenta dos frutos tem dificultado o avanço dos trabalhos nas propriedades rurais.

Maturação exige cautela dos produtores

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De acordo com o analista da Safras & Mercado, Gil Barabach, embora as condições climáticas estejam favoráveis para as atividades agrícolas, a maturação das lavouras ocorre de forma desigual em diversas regiões produtoras.

A recomendação técnica é que os produtores iniciem a colheita apenas quando pelo menos 70% dos frutos estiverem maduros. Quando as chuvas e floradas ocorrem de maneira irregular durante o ciclo produtivo, a maturação também se torna desuniforme, obrigando o produtor a aguardar mais tempo para garantir qualidade e rendimento adequados.

Entrar precocemente nas lavouras pode comprometer a qualidade do café e reduzir o retorno financeiro da produção.

Mercado já sente pressão da oferta

O atraso da colheita ocorre em um momento de forte atenção do mercado. Atualmente, a saca do conilon tipo 7 é negociada entre R$ 880 e R$ 900, menor patamar registrado nos últimos dois anos.

Segundo analistas, os preços refletem a expectativa de entrada de um volume expressivo de café no mercado nas próximas semanas.

O cenário ganha ainda mais peso com a concorrência internacional. O Vietnã, principal concorrente do conilon capixaba no mercado global, registrou exportação de 31 mil toneladas de café robusta em abril, crescimento de 16,8% em comparação ao mesmo mês do ano anterior.

Concentração da oferta preocupa

Especialistas alertam que, quanto mais a colheita se concentrar em um curto período, maior tende a ser a pressão sobre os preços.

Quando grandes volumes chegam simultaneamente ao mercado, compradores passam a ter mais opções de negociação, reduzindo a urgência na aquisição do produto e ampliando o poder de barganha.

Outro fator que preocupa é o baixo volume de vendas antecipadas da nova safra. Até o final de maio, apenas 16% da produção potencial havia sido comercializada previamente, índice inferior à média histórica de 25% para o período.

A estratégia adotada por muitos produtores tem sido priorizar a venda do café disponível em estoque e adiar negociações da nova safra, aumentando a exposição às oscilações do mercado nos próximos meses.

Estoques baixos ainda sustentam preços

Apesar do cenário de pressão, existe um fator que ainda oferece sustentação ao mercado: os baixos estoques brasileiros de café.

Além disso, as exportações registraram queda nos primeiros meses de 2026, o que mantém o interesse dos compradores internacionais pela chegada da nova safra.

No entanto, especialistas avaliam que esse suporte tende a ser temporário. Com o avanço da colheita e a retomada dos embarques, a tendência é de aumento da oferta disponível, o que pode gerar novas pressões sobre as cotações.

Qualidade e estratégia ganham importância

Diante do cenário de maior competitividade, técnicos do setor destacam que o diferencial para os produtores estará cada vez mais ligado à qualidade do produto e à estratégia comercial adotada.

O monitoramento correto da maturação, a realização da colheita no momento adequado, os cuidados no pós-colheita e a escolha dos canais de comercialização podem fazer a diferença no resultado financeiro da safra.

O que você precisa saber

• Apenas 13% da colheita do conilon foi concluída no Espírito Santo até o fim de maio;

• O índice nacional está abaixo do registrado em 2025 e da média dos últimos cinco anos;

• A saca do conilon está sendo negociada entre R$ 880 e R$ 900;

• O Vietnã ampliou suas exportações de robusta e aumenta a concorrência internacional;

• Apenas 16% da safra 2026 foi comercializada antecipadamente;

• Especialistas apontam que qualidade e planejamento comercial serão decisivos para o resultado financeiro dos produtores.

FONTE/CRÉDITOS: Divulgação

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