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Quarta-feira, 21 de Janeiro 2026

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Com IA, radares passam a enxergar celular ao volante e falta de cinto

Tecnologia usa câmeras de alta resolução e validação humana para ampliar a fiscalização e coibir infrações que elevam o risco de acidentes nas rodovias

Conexão ES Redação
Por Conexão ES Redação
Com IA, radares passam a enxergar celular ao volante e falta de cinto
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O uso de inteligência artificial na fiscalização de trânsito avança no Brasil e começa a mudar a forma como infrações comuns — e altamente perigosas — são identificadas nas rodovias. Radares equipados com IA já estão sendo utilizados para flagrar motoristas usando o celular ao volante e conduzindo veículos sem cinto de segurança, práticas que figuram entre as principais causas de acidentes graves no país.

A tecnologia foi apresentada em reportagem exibida pelo programa Fantástico, da TV Globo, e já opera em rodovias concedidas, com resultados considerados expressivos por especialistas em segurança viária. A iniciativa surge em um contexto descrito por técnicos como uma “epidemia da distração”, impulsionada pelo uso constante de smartphones durante a condução.

Como funciona a tecnologia

Diferentemente dos radares tradicionais, voltados quase exclusivamente ao controle de velocidade, os novos equipamentos utilizam câmeras de altíssima resolução associadas a algoritmos de visão computacional. As imagens são captadas em tempo real, mesmo com veículos em alta velocidade — podendo chegar a até 300 km/h — e sob diferentes condições de luminosidade, inclusive à noite.

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A inteligência artificial é treinada a partir de grandes volumes de dados e aprende a reconhecer padrões específicos, como a ausência do cinto de segurança no corpo do motorista, a posição das mãos indicando o uso do celular e movimentos da cabeça incompatíveis com a atenção plena à direção.

Segundo técnicos envolvidos na operação, o sistema não aplica multas automaticamente. As imagens sinalizadas pela IA passam, obrigatoriamente, por validação humana antes de qualquer autuação.

“O papel do agente é confirmar se, de fato, houve a infração e se não há erro na análise da inteligência artificial”, explicou o inspetor da Polícia Rodoviária Federal Fábio Rocha de Souza.

Distração ao volante como fator de risco

Especialistas alertam que o uso do celular durante a condução representa hoje um dos maiores riscos no trânsito. O problema vai além de atender chamadas: digitar mensagens ou interagir com aplicativos provoca distrações manuais, visuais e cognitivas simultâneas.

De acordo com a Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), a 80 km/h, o motorista percorre cerca de 100 metros em poucos segundos — distância suficiente para que uma simples olhada no celular resulte em colisões graves ou fatais.

“O motorista passa a dirigir praticamente às cegas”, resume o presidente da entidade, Antonio Meira.

Resultados já observados

Em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, uma das primeiras regiões a adotar o sistema, foram registradas mais de 20 mil infrações entre julho e novembro de 2025. Desse total, quase 17 mil estavam relacionadas ao não uso do cinto de segurança e mais de mil ao uso do celular ao volante.

Segundo dados da concessionária responsável pela rodovia, após a implantação dos radares inteligentes, houve redução de cerca de 30% no número de acidentes.

“As pessoas percebem que podem ser flagradas e isso muda o comportamento no trânsito”, afirmou Ana Caetano, gerente de operações da concessionária.

Multas e respaldo legal

A adoção da inteligência artificial não altera as regras do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). As infrações continuam sendo classificadas conforme a legislação vigente:

  • Uso de celular ao volante: infração gravíssima, com multa e pontos na CNH;

  • Falta do cinto de segurança: infração grave, também sujeita a penalidades.

Os registros seguem os mesmos trâmites administrativos das demais fiscalizações eletrônicas, com respaldo do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

Tecnologia como aliada

Apesar de críticas e desconfiança por parte de alguns motoristas, especialistas defendem que o objetivo da tecnologia não é ampliar a punição, mas reduzir mortes e feridos nas estradas.

A tendência, segundo analistas, é que sistemas semelhantes se tornem cada vez mais comuns, integrando políticas públicas de mobilidade e segurança viária. No Espírito Santo, por exemplo, municípios já utilizam inteligência artificial em câmeras urbanas e semáforos inteligentes, embora sem foco direto em autuação automática.

No âmbito estadual, o Programa Cerco Inteligente também emprega IA para monitoramento de tráfego e segurança pública, com leitura de placas e análise de fluxo veicular.

Um novo cenário para o motorista

Com a expansão dos radares inteligentes, comportamentos antes difíceis de fiscalizar passam a ser facilmente identificáveis. A fiscalização deixa de depender apenas de blitz ou da presença física constante de agentes, tornando-se mais contínua e precisa.

Mais do que evitar multas, a mudança impõe uma revisão de hábitos. Agora, além da velocidade, o radar também observa atitudes.

📌 O que você precisa saber

  • O quê: Radares com inteligência artificial para fiscalizar trânsito

  • Infrações flagradas: Uso de celular ao volante e falta de cinto de segurança

  • Como funciona: Câmeras de alta resolução + IA + validação humana

  • Impacto: Redução de acidentes e aumento da fiscalização

  • Situação legal: Multas seguem o Código de Trânsito Brasileiro

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