A Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), por meio da Comissão de Proteção à Criança e ao Adolescente, iniciou uma mobilização institucional para enfrentar um problema silencioso e alarmante: o abuso sexual infantil no ambiente esportivo. Em reunião realizada nesta terça-feira (10), parlamentares ouviram depoimentos de profissionais da área e anunciaram a elaboração de um projeto de lei que pretende criar mecanismos de prevenção e controle em instituições esportivas.
O presidente da comissão, deputado Alcântaro Filho (Republicanos), afirmou que a proposta deve ser apresentada em até 60 dias e será construída em diálogo com representantes do esporte, psicologia e rede de proteção. O objetivo é reduzir vulnerabilidades e criar barreiras contra a atuação de abusadores em espaços frequentados por crianças e adolescentes.
Alerta vindo dos campos
Convidado para a reunião, o técnico de futebol Raí de Sousa, treinador da escolinha Tigres, de Aracruz, relatou situações preocupantes envolvendo tentativas de aliciamento virtual.
“Muitos meninos recebem mensagens pelo Instagram de pessoas se passando por empresários ou dirigentes, pedindo vídeos e fotos. Já alertei os pais sobre isso”, disse.
Segundo ele, a dificuldade está no fato de que, na maioria das vezes, os abusadores agem de forma discreta e se aproveitam da confiança das famílias.
Violência muitas vezes invisível
Com 16 anos de experiência, a psicoterapeuta Andréa Renata Floriano, que atua na escolinha, afirmou já ter identificado casos de crianças vítimas de violência sexual dentro do próprio ambiente familiar.
“É fundamental orientar a criança a não aceitar presentes, não conversar com estranhos e a relatar qualquer situação que a deixe desconfortável”, explicou.
Ela também chamou atenção para mudanças de comportamento como um dos principais sinais de alerta. “Muitos pais não percebem essas alterações, mas elas podem indicar que algo grave está acontecendo”, reforçou.
Projeto deve criar exigências para instituições
De acordo com Alcântaro Filho, a cada 5 a 8 minutos uma criança é vítima de abuso sexual no Brasil, o que torna urgente a adoção de medidas preventivas.
Entre os pontos que devem constar no projeto de lei estão:
Cadastro prévio obrigatório de profissionais que atuam com crianças e adolescentes;
Apresentação de certidões criminais negativas;
Capacitação e reciclagem anual de treinadores e professores para identificação de sinais de abuso;
Protocolos de prevenção e encaminhamento de denúncias.
“A proteção precisa ser estruturada. O abusador está em todos os lugares e, muitas vezes, próximo da criança. Precisamos dificultar ao máximo essa aproximação”, destacou o parlamentar.
A reunião contou ainda com a participação do conselheiro tutelar Jean Cleres Texeira Santana, que reforçou a importância da integração entre escolas, famílias, esporte e rede de proteção.
🟩 O que você precisa saber
Comissão da Ales vai apresentar projeto de lei em até 60 dias
Foco: prevenir abuso sexual infantil no esporte
Proposta deve exigir cadastro, certidões e capacitação de profissionais
Especialistas alertam para riscos de aliciamento virtual
Mudanças de comportamento podem ser sinal de violência

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