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Quinta-feira, 22 de Janeiro 2026

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Comissão debate tarifa zero no transporte coletivo em audiência pública

Especialistas defendem gratuidade irrestrita, enquanto governo estadual pondera sustentabilidade financeira do sistema

Conexão ES Redação
Por Conexão ES Redação
Comissão debate tarifa zero no transporte coletivo em audiência pública
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A Comissão de Infraestrutura da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) realizou, na manhã desta quinta-feira (11), uma audiência pública para discutir os desafios, impactos e caminhos possíveis para a implantação da tarifa zero no transporte coletivo. O debate foi conduzido pelo vice-presidente do colegiado, deputado João Coser (PT), e reuniu representantes do poder público, especialistas, entidades sociais, estudantes e o deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP), presidente da Frente Parlamentar Tarifa Zero na Câmara dos Deputados, que participou de forma virtual.

Durante o encontro, foram apresentados dados que dimensionam o impacto financeiro do sistema. Atualmente, o transporte metropolitano capixaba custa cerca de R$ 1,3 bilhão por ano, sendo que 30% a 35% desse valor já é subsidiado pelo Estado, o que representou aproximadamente R$ 380 milhões em 2024.

O deputado federal Jilmar Tatto defendeu que o transporte público deve ser tratado como um direito essencial, assim como saúde e educação, e não como um serviço pago diretamente pelo usuário. Ele argumentou que o modelo baseado exclusivamente na tarifa gera um ciclo de crise, com aumento de preços, queda no número de passageiros e redução da qualidade do serviço. Tatto lembrou que a tarifa zero já foi implantada em 138 cidades brasileiras e anunciou que o governo federal autorizou estudos para a criação de um Sistema Único de Mobilidade, com responsabilidades compartilhadas entre União, Estados e municípios.

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O deputado João Coser ressaltou que o debate não trata de “transporte gratuito”, mas de transporte público financiado coletivamente, sem criação de novos tributos. Segundo ele, a gratuidade pode gerar impacto econômico positivo, reduzindo gastos com vale-transporte, ampliando a renda do trabalhador e movimentando o comércio local.

Representando o Governo do Estado, o subsecretário de Mobilidade Urbana, Leo Carlos Cruz, ponderou que qualquer avanço precisa estar atrelado à gestão responsável do sistema. Ele destacou que o modelo atual já evoluiu, com contratos baseados em quilômetro rodado e renovação da frota. Segundo o subsecretário, o sistema herdou um déficit de R$ 360 milhões e, por isso, defendeu a manutenção de uma política que combine tarifa única com gratuidades direcionadas a públicos específicos.

A professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Daniella Bonatto ampliou a discussão ao apontar que mobilidade urbana é um direito estruturante e que a priorização histórica do transporte individual agravou desigualdades, congestionamentos e poluição. Para ela, a tarifa zero dialoga com princípios de universalidade e equidade, mas precisa vir acompanhada de investimentos em corredores exclusivos, frequência adequada e eficiência do sistema.

Representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT-ES) e do movimento estudantil reforçaram o impacto direto da tarifa no orçamento das famílias e na permanência de estudantes nas escolas. Relatos apresentados durante a audiência destacaram situações em que o custo do transporte impede o acesso à educação, saúde e outros direitos básicos.

Ao final, João Coser afirmou que o debate está apenas começando e que novas audiências públicas serão realizadas na Ales para aprofundar a construção de um modelo viável e socialmente justo.

📌 POS BOX — Tarifa Zero em debate: pontos-chave da audiência
🚍 Custo do sistema

Transporte metropolitano capixaba custa cerca de R$ 1,3 bilhão por ano

Estado já subsidia 30% a 35%, cerca de R$ 380 milhões (2024)

⚖️ Defesa da gratuidade

Transporte é direito social garantido pela Constituição

Modelo tarifário atual é considerado insustentável

Tarifa zero já existe em 138 cidades brasileiras

🏛️ Posição do Governo do Estado

Defende equilíbrio financeiro e gestão responsável

Mantém tarifa única com gratuidades direcionadas

Destaca renovação da frota e contratos por quilômetro rodado

📊 Impactos apontados

Redução do custo de vida para trabalhadores

Estímulo ao comércio e à economia local

Ampliação do acesso à saúde, educação e trabalho

Benefícios ambientais e redução do uso do carro

🔄 Próximos passos

Novas audiências públicas na Assembleia Legislativa

Discussão integrada com União, Estado, municípios e sociedade

Estudos federais para criação de um Sistema Único de Mobilidade

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