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Domingo, 06 de Setembro 2026
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Consumidor mais exigente muda formas de beber café no Brasil, aponta Vitória Coffee Summit

Especialistas discutiram valorização da qualidade, alta dos preços e novos hábitos de consumo em encontro que marcou os 80 anos do Centro do Comércio do Café de Vitória

Conexão ES Redação
Por Conexão ES Redação
Consumidor mais exigente muda formas de beber café no Brasil, aponta Vitória Coffee Summit
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VITÓRIA (ES) — O café continua presente na rotina dos brasileiros, mas a maneira de escolher e consumir a bebida passa por mudanças. Consumidores mais atentos à qualidade, novas ocasiões de consumo e a busca por produtos que ofereçam experiências diferentes estão entre os movimentos apontados por representantes da indústria durante o Vitória Coffee Summit 2026.

O debate ocorreu na quinta-feira (20), primeiro dia do encontro realizado no Cais das Artes, em Vitória, e reuniu Tina Cação, diretora de vendas da JDE Peet’s; Pavel Cardoso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic); e Bruno Giestas, do Real Café Solúvel.

O painel partiu de uma questão central: quais caminhos deve seguir o Brasil, apontado pelos participantes como o segundo maior mercado consumidor de café do mundo?

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As discussões passaram pelo impacto dos preços, pela valorização de cafés de maior qualidade e pela necessidade de a indústria acompanhar consumidores interessados em saber mais sobre origem, características e formas de preparo da bebida.

Consumidor procura mais informação sobre o café

Tina Cação afirmou que o Brasil responde por 12% do mercado mundial e que o café está presente em 99% dos lares brasileiros, segundo dados apresentados durante o painel.

Para a executiva, a ampla presença da bebida não significa que os hábitos permanecerão os mesmos. Uma das mudanças observadas pela indústria é o aumento do interesse por informações sobre o produto.

“A gente precisa se preparar para a qualificação que o consumidor tem buscado”, afirmou.

A elevação dos preços também interfere nesse comportamento. Segundo Tina, quando o consumidor passa a gastar mais pelo café, tende a prestar maior atenção à marca, à qualidade e às características do produto que leva para casa.

Nesse cenário, a executiva apontou a chamada premiumização — movimento de busca por produtos de maior valor agregado — como uma tendência já presente no mercado brasileiro.

Setor movimenta R$ 123,5 bilhões, segundo dados apresentados

O presidente da Abic, Pavel Cardoso, apresentou números sobre o peso econômico da cadeia cafeeira.

Segundo os dados apresentados no encontro, o PIB da cadeia do café chega a R$ 123,5 bilhões e o setor está relacionado a aproximadamente 8,4 milhões de empregos no país. O consumo per capita se aproxima de cinco quilos por ano.

Cardoso também falou sobre mudanças na avaliação da qualidade do café torrado.

A Abic trabalha em um novo protocolo que pretende ampliar a análise dos atributos sensoriais da bebida, em vez de concentrar a classificação somente em uma pontuação.

A discussão acompanha a diversificação encontrada nas prateleiras. Diferentes processos, origens, torras e métodos de preparo aumentaram as opções disponíveis ao consumidor e abriram espaço para segmentos de maior valor agregado.

Durante sua participação, Cardoso também relacionou o consumo de café a possíveis efeitos sobre a saúde. Essas associações, porém, dependem de fatores como quantidade consumida, condições individuais e evidências específicas de cada estudo, não sendo possível atribuir ao café, de forma geral, efeito preventivo ou terapêutico contra doenças.

Café passa a disputar novos momentos do dia

Para Bruno Giestas, do Real Café Solúvel, entender o futuro do mercado também exige observar produtos que, à primeira vista, não são concorrentes diretos do café.

“Quem disputa o estômago do consumidor?”, questionou.

Segundo ele, refrigerantes, energéticos e outras bebidas disputam ocasiões de consumo que podem ser ocupadas pelo café.

A mudança ajuda a explicar o aparecimento de diferentes maneiras de consumir o produto, principalmente entre pessoas que não limitam o café à bebida quente servida pela manhã ou depois das refeições.

Preparações geladas, combinações com outros ingredientes e o uso do café em alimentos ampliam essas possibilidades.

“Estamos vendo o consumidor buscar cada vez mais momentos de experiência”, afirmou Giestas.

Ele citou o café solúvel como uma alternativa que acompanha esse movimento pela facilidade de preparo e transporte e destacou seu uso também como ingrediente de sobremesas e preparações com proteínas.

Mercado intermediário enfrenta pressão

Outra mudança apontada durante o painel está na distribuição das escolhas do consumidor.

Giestas afirmou que o mercado apresenta uma polarização entre produtos escolhidos principalmente pelo preço e aqueles associados a qualidade, diferenciação e experiência. Com isso, produtos posicionados no segmento intermediário enfrentam maior pressão.

O comportamento ocorre em um período no qual o preço do café ganhou peso nas decisões de compra das famílias.

Ao mesmo tempo, empresas procuram criar novas ocasiões para manter a bebida presente na rotina do consumidor, seja por meio de produtos prontos, preparações frias, cafés de maior valor agregado ou utilização como ingrediente.

O movimento indica que o crescimento do mercado brasileiro pode depender menos de simplesmente fazer o consumidor beber mais café e mais da capacidade de diversificar como, quando e qual café ele consome.

Summit marca 80 anos do CCCV

O Vitória Coffee Summit 2026 foi realizado nos dias 20 e 21 de agosto, no Cais das Artes, em Vitória.

Promovido pelo Centro do Comércio do Café de Vitória (CCCV), o encontro reuniu representantes brasileiros e estrangeiros para discutir produção, consumo, comércio e tendências da cafeicultura.

A edição também marcou os 80 anos da entidade.

O que você precisa saber

Evento: Vitória Coffee Summit 2026

📅 Data: 20 e 21 de agosto de 2026

📍 Local: Cais das Artes, em Vitória

📊 Dados apresentados: cadeia do café movimenta R$ 123,5 bilhões e está relacionada a cerca de 8,4 milhões de empregos no Brasil

Consumo: próximo de cinco quilos por habitante ao ano, segundo dados apresentados no painel

🛒 Tendências discutidas: busca por qualidade, premiumização, novas formas de preparo e ampliação das ocasiões de consumo

🎤 Participantes do painel: Tina Cação, Pavel Cardoso e Bruno Giestas

🏛️ Realização: Centro do Comércio do Café de Vitória (CCCV)

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