Revista Conexão

Aguarde, carregando...

Quinta-feira, 05 de Março 2026

Saúde

Descoberta brasileira pode devolver movimentos a pacientes com lesão na medula

Tecnologia inédita desenvolvida por Tatiana Coelho de Sampaio abre nova fronteira na regeneração neural e projeta o Brasil no centro da medicina regenerativa mundial.

Conexão ES Redação
Por Conexão ES Redação
Descoberta brasileira pode devolver movimentos a pacientes com lesão na medula
Divulgação / Redes Sociais
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Após quase três décadas de dedicação à pesquisa, a cientista brasileira Tatiana Coelho de Sampaio coordena um dos avanços mais promissores da história recente da medicina nacional: o desenvolvimento da polilaminina, substância capaz de estimular a reconexão de neurônios lesionados na medula espinhal. Os primeiros testes em humanos indicaram recuperação de sensibilidade e retomada de movimentos em pacientes com paraplegia e tetraplegia, resultados considerados inéditos para esse tipo de lesão.

O tratamento ainda está em fase experimental, mas os dados iniciais já colocam o Brasil em posição de protagonismo no debate internacional sobre terapias regenerativas e reconstrução de conexões nervosas.

Quem é a cientista por trás da descoberta

Professora do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Tatiana Sampaio lidera, desde o início dos anos 2000, o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular. Sua trajetória acadêmica é voltada à biologia celular e regenerativa, com formação em Biologia e especializações na área de matriz extracelular, ambiente que envolve e orienta o funcionamento das células.

Publicidade

Leia Também:

A pesquisadora realizou estágios de pós-doutorado nos Estados Unidos e na Alemanha, experiências que contribuíram para consolidar as bases teóricas e experimentais que culminaram no desenvolvimento da polilaminina.

O que é a polilaminina e por que ela é revolucionária

A polilaminina é uma forma polimerizada da proteína laminina, capaz de formar uma espécie de malha biológica que serve de suporte para o crescimento e reorganização dos neurônios. Em termos práticos, a substância cria um ambiente favorável para que axônios — fibras responsáveis pela transmissão de impulsos nervosos — voltem a se conectar.

Essa capacidade rompe um dos principais limites históricos da medicina: a dificuldade de regenerar tecido nervoso após lesões graves.

Resultados iniciais em animais e humanos

Em estudos experimentais com roedores e cães, a aplicação da polilaminina diretamente no local da lesão medular levou à recuperação parcial ou significativa de movimentos. Alguns animais que haviam perdido completamente a mobilidade voltaram a apresentar funções motoras.

Os primeiros testes em humanos também apontaram resultados encorajadores, com relatos de melhora de sensibilidade e recuperação de movimentos em pacientes com lesões severas. Apesar disso, especialistas reforçam que a terapia ainda precisa passar por todas as fases clínicas antes de qualquer uso em larga escala.

Autorização para ensaios clínicos e fase decisiva

Em janeiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início dos ensaios clínicos em humanos com a polilaminina. A liberação marca um divisor de águas, permitindo avaliar de forma sistemática a segurança, a dosagem e a eficácia do tratamento.

Os testes são acompanhados de perto por pesquisadores brasileiros e estrangeiros, que veem na iniciativa uma possível mudança de paradigma no tratamento de lesões medulares.

Parceria com a indústria farmacêutica

Desde 2021, Tatiana Sampaio mantém parceria com a farmacêutica Cristália para viabilizar a produção da polilaminina em escala industrial. A colaboração busca assegurar padrões rigorosos de qualidade e preparar a substância para as etapas clínicas exigidas pelos órgãos reguladores.

A tecnologia é patenteada, com validade até o fim da década, garantindo proteção intelectual e ampliando o interesse internacional na inovação brasileira.

Ciência pública como motor da inovação

O projeto contou com financiamento de agências públicas como FAPERJ, Capes e CNPq, reforçando o papel estratégico das universidades públicas e do investimento estatal na produção de conhecimento.

“Em nenhum lugar do mundo a ciência existe sem investimento público”, afirmou Tatiana Sampaio em entrevista recente, destacando que grandes avanços médicos são resultado direto de políticas contínuas de fomento à pesquisa.

O que você precisa saber

  • Pesquisadora: Tatiana Coelho de Sampaio (UFRJ)

  • Tecnologia: polilaminina, substância que estimula regeneração neural

  • Aplicação: lesões medulares graves, paraplegia e tetraplegia

  • Situação atual: ensaios clínicos em humanos autorizados

  • Resultados iniciais: recuperação de sensibilidade e movimentos

  • Parceria industrial: farmacêutica Cristália

  • Importância: possível mudança de paradigma no tratamento de lesões na medula espinhal

Comentários:

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
WhatsApp Revista Conexão
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR