A Polícia Civil de Goiás prendeu, nesta segunda-feira (19), o pai e a mãe de uma criança de 4 anos por tortura e maus-tratos. Os crimes foram denunciados à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), que confirmou a existência de vídeos nos quais a mãe aparece agredindo brutalmente a própria filha. As imagens, segundo a investigação, eram enviadas diretamente ao pai da menina, que, apesar de ter conhecimento das agressões, não procurou as autoridades nem adotou qualquer medida para proteger a criança.
Os vídeos são descritos pela Polícia como “extremamente violentos”. Em um dos registros, a criança é enforcada até perder a consciência. Em outro, a mãe grita com a filha: “Desgraçada, eu vou te matar”, enquanto desferia tapas na cabeça da menina. Também foram documentadas ameaças com faca, puxões de cabelo, uso de objetos domésticos como panelas para agredir, além de linguagem ofensiva e abusiva.
A investigação aponta que o pai da criança — com quem a agressora mantinha uma relação extraconjugal — recebia os vídeos como forma de chantagem emocional, mas permaneceu omisso.
Maus-tratos sistemáticos desde 2023
Segundo a polícia, a série de vídeos começou a ser registrada em outubro de 2023, quando a menina ainda tinha três anos. Os maus-tratos se estenderam por pelo menos um ano e meio, com o vídeo mais recente datado de poucas semanas atrás.
Durante o período investigado, a mãe teria mantido a aparência de uma rotina comum, mas registrava as agressões de forma intencional. Segundo o delegado Henrique Wilson, da DPCA, a mulher de 27 anos permaneceu em silêncio durante o interrogatório e não justificou as motivações dos atos. O pai também optou por não prestar esclarecimentos.
Ambos foram autuados por crime de tortura e maus-tratos, e permanecem à disposição da Justiça. O caso será remetido ao Ministério Público para análise e oferecimento de denúncia.
Proteção e acompanhamento
A criança foi imediatamente afastada da mãe e está sob os cuidados de um familiar próximo, que assumiu o compromisso de zelar pela segurança, saúde e bem-estar da menor. A DPCA também acionou a rede de proteção, incluindo o Conselho Tutelar e o Ministério Público Estadual, para garantir acompanhamento psicológico e social à vítima.
As audiências de custódia dos pais estavam previstas para ocorrer ainda nesta semana. O nome dos envolvidos não foi divulgado para preservar a identidade da vítima.
