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Sexta-feira, 12 de Junho 2026
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Ebola volta a acender alerta internacional após aumento de casos na África

Especialista explica como o vírus age, os riscos de transmissão e os desafios enfrentados pelas autoridades de saúde diante da nova alta da doença

Conexão ES Redação
Por Conexão ES Redação
Ebola volta a acender alerta internacional após aumento de casos na África
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O aumento recente de casos de Ebola em países africanos reacendeu o alerta internacional sobre uma das doenças infecciosas mais letais já registradas. Embora os surtos estejam historicamente concentrados no continente africano, especialistas reforçam que o monitoramento global segue essencial diante da capacidade de disseminação da doença em regiões com baixa estrutura sanitária e dificuldades de controle epidemiológico.

De acordo com a infectologista Marina Malacarne, do Hospital São José, o Ebola é uma doença viral grave causada por vírus do gênero Ebolavirus, pertencente à família Filoviridae.

“O Ebola é uma infecção extremamente agressiva, capaz de desencadear falência múltipla de órgãos e alterações hemorrágicas importantes. A letalidade varia conforme a cepa viral e a capacidade de resposta do sistema de saúde local”, explica a médica.

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Vírus foi identificado há quase 50 anos

A doença foi identificada pela primeira vez em 1976, em surtos simultâneos no Sudão e na atual República Democrática do Congo, próximo ao Rio Ebola — origem do nome da enfermidade.

Desde então, diferentes variantes do vírus foram descritas, incluindo as cepas Zaire, Sudan, Taï Forest, Reston e Bundibugyo. O vírus é considerado zoonótico, tendo como principais reservatórios naturais os morcegos frugívoros.

Segundo Marina Malacarne, a transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com fluidos corporais contaminados, como sangue, saliva, suor, urina, fezes, vômito, sêmen e secreções respiratórias.

“O Ebola não é transmitido pelo ar como ocorre com vírus respiratórios clássicos. A infecção exige contato próximo com fluidos contaminados ou superfícies infectadas”, afirma.

A infectologista destaca ainda que a transmissão também pode ocorrer durante rituais funerários com manejo inadequado de corpos infectados e pelo contato com animais silvestres contaminados.

Sintomas podem evoluir rapidamente

Os sintomas costumam surgir entre dois e 21 dias após a exposição ao vírus. Inicialmente, o quadro pode se assemelhar a outras infecções febris, com febre alta súbita, fadiga intensa, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta.

Com a evolução da doença, podem surgir vômitos, diarreia intensa, dor abdominal, erupções cutâneas, insuficiência hepática e renal, além de hemorragias internas e externas.

“Nas formas graves, o vírus provoca uma resposta inflamatória descontrolada, conhecida como tempestade imunológica, associada a alterações vasculares e distúrbios de coagulação”, explica a médica.

Após entrar no organismo, o vírus infecta inicialmente células do sistema imunológico e se espalha rapidamente pela corrente sanguínea, comprometendo vasos sanguíneos, coagulação e resposta imunológica.

Vacina existe, mas atual surto traz novo desafio

Atualmente, existem vacinas aprovadas contra algumas variantes do Ebola, especialmente contra a cepa Zaire, responsável pelos maiores surtos já registrados. A principal delas é a Ervebo.

“As vacinas disponíveis apresentam boa eficácia para determinadas cepas, sobretudo a Zaire. Elas representam um avanço importante na redução da mortalidade e no controle de surtos”, afirma Marina Malacarne.

No entanto, o atual surto envolve a variante Bundibugyo, para a qual ainda não existe vacina licenciada, o que amplia os desafios enfrentados pelas autoridades sanitárias internacionais.

“O vírus Bundibugyo possui diferenças genéticas relevantes em relação à cepa Zaire. Isso reduz a eficácia cruzada das vacinas atualmente disponíveis”, ressalta.

Pesquisas seguem em andamento para o desenvolvimento de imunizantes capazes de oferecer proteção contra diferentes espécies do vírus.

Controle depende de resposta rápida

Sem uma vacina específica para a variante atual, medidas preventivas seguem sendo fundamentais para conter novos casos. Entre as principais estratégias estão:

  • isolamento imediato de casos suspeitos;

  • uso rigoroso de equipamentos de proteção individual;

  • rastreamento de contatos;

  • higiene frequente das mãos;

  • manejo seguro de corpos;

  • controle sanitário em aeroportos e fronteiras;

  • ações de educação comunitária.

“A contenção do Ebola depende principalmente de vigilância epidemiológica rápida e protocolos rigorosos de biossegurança”, reforça a infectologista.

Risco para o Brasil é considerado baixo

Apesar do alerta internacional, especialistas avaliam que o risco de transmissão sustentada no Brasil permanece baixo. Segundo Marina Malacarne, o país possui protocolos de vigilância epidemiológica, monitoramento de viajantes e capacidade laboratorial para identificação rápida de casos suspeitos.

“O risco de transmissão sustentada no Brasil é considerado muito baixo devido à estrutura de vigilância sanitária e à rápida identificação de casos importados. Ainda assim, surtos internacionais exigem atenção constante das autoridades de saúde”, conclui.

📌 O que você precisa saber

  • O Ebola voltou a preocupar autoridades após aumento de casos na África

  • A doença é causada por vírus do gênero Ebolavirus

  • A transmissão ocorre pelo contato com fluidos corporais contaminados

  • O vírus não é transmitido pelo ar como gripe ou Covid-19

  • Os sintomas incluem febre alta, vômitos, diarreia e hemorragias

  • Existe vacina contra algumas cepas, principalmente a Zaire

  • O atual surto envolve a variante Bundibugyo, sem vacina específica

  • O risco de transmissão sustentada no Brasil é considerado baixo

  • Especialistas defendem vigilância constante e resposta rápida aos surtos

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