O que era apenas um passeio tranquilo de barco terminou em uma cena digna de documentário. A empresária Marcella Ferreira, de 40 anos, pescou um pirarucu de aproximadamente 65 quilos e 1,56 metro na Lagoa do Aguiar, em Linhares, no Norte do Espírito Santo. A façanha, registrada em fotos e vídeos, rapidamente chamou atenção pela dimensão do peixe — e pela forma totalmente despretensiosa como tudo aconteceu.
Passeio comum, história incomum
Marcella estava com a família quando decidiu, quase por brincadeira, colocar uma vara na água enquanto o barco seguia devagar pela lagoa. Nada de equipamentos profissionais, roupas especiais ou planejamento prévio. “Eu estava de biquíni e canga. Foi totalmente sem intenção. Ninguém sai para pescar um pirarucu assim”, contou a empresária, ainda surpresa com a repercussão do episódio.
No início, ela achou que a linha tivesse prendido em um toco submerso. Mas logo percebeu que se tratava de algo muito maior. “Quando a linha começou a sair, meu marido falou: ‘isso não é toco, é peixe’. Aí eu pensei: se for peixe, é um monstro”, relembrou.
Uma briga de quase meia hora
Fisgar o pirarucu foi apenas o começo do desafio. Com equipamento simples, Marcella enfrentou uma luta intensa para conseguir trazer o peixe até o barco. “Foi uma briguinha boa. Com o que a gente tinha, foi quase um milagre conseguir colocar ele dentro”, disse.
A ajuda do marido, Ricardo Ferreira, foi decisiva. Mesmo assim, ele fez questão de que ela concluísse a captura. “Ele disse: ‘o peixe é seu, você que pegou’. Ele orientou tudo, foi o maestro da ópera”, contou, entre risos.
Família, memória e tradição
Marcella vem de uma família ligada à pesca. O pai e a avó paterna, já falecidos, foram os responsáveis por ensiná-la a pescar ainda na infância. Por isso, o momento teve um significado que foi além do feito em si.
“Foi algo que jamais imaginei viver. Minha família inteira vibrando, todo mundo gritando quando o peixe saiu da água. Isso vai ficar na nossa memória para sempre”, relatou.
Do lago direto para a panela
Com um peixe desse porte, o destino foi inevitável: a cozinha. O pirarucu virou moqueca no mesmo dia, dividida entre os familiares. “Se soubéssemos que ia repercutir tanto, eu teria feito até uma foto bonita da panela”, brincou a empresária.
Gigante fora do habitat natural
Conhecido como o “gigante da Amazônia”, o pirarucu pode chegar a 200 quilos e até três metros de comprimento. Segundo o biólogo João Luiz Gasparini, a presença da espécie no Espírito Santo não é natural.
“O pirarucu foi introduzido por meio de criação em cativeiro e acabou sendo solto em rios e lagoas. É um peixe resistente, que respira fora d’água, mas essa introdução fora do habitat original representa um problema ecológico”, explicou. Hoje, a espécie já é comum em áreas como a Lagoa Juparanã e outras lagoas de Linhares.
O que você precisa saber
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Quem: Marcella Ferreira, empresária de 40 anos
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Onde: Lagoa do Aguiar, em Linhares (ES)
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Peixe: Pirarucu
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Peso: Cerca de 65 kg
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Comprimento: Aproximadamente 1,56 metro
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Equipamento: Vara e molinete simples, de pesca amadora
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Tempo de luta: Cerca de 30 minutos
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Destino: Moqueca compartilhada com a família

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