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Terça-feira, 20 de Janeiro 2026

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Erveiras se atualizam para atender novas tradições das religiões afro no Rio

No Mercadão de Madureira, irmãs preservam legado familiar e adaptam produção às demandas de terreiros

Conexão ES Redação
Por Conexão ES Redação
Erveiras se atualizam para atender novas tradições das religiões afro no Rio
Luísa de Fátima Monteiro trabalho com comércio de ervas para banhos energéticos e espirituais no Mercadão de Madureira. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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No Mercadão de Madureira, na zona norte do Rio de Janeiro, o comércio de ervas para rituais e banhos energéticos segue intenso. À frente de uma das bancas mais tradicionais está Elisabete Monteiro, que concilia atendimento presencial e pedidos por telefone para suprir necessidades imediatas de terreiros de religiões afro-brasileiras.

Folhas como a bananeira, símbolo de axé — a força vital que conecta o mundo espiritual ao material —, têm usos específicos em oferendas, rituais e banhos. Cada espécie cumpre uma finalidade, exigindo conhecimento preciso sobre cultivo, colheita e preparo.

Elisabete Monteito trabalha com comércio de ervas para banhos energéticos e espirituais no Mercadão de Madureira. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Elisabete Monteito trabalha com comércio de ervas para banhos energéticos e espirituais no Mercadão de Madureira. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Legado familiar e adaptação

A história começou há cerca de 50 anos, quando Dona Rosa, mãe de Elisabete, reorientou a produção agrícola para atender à umbanda e ao candomblé. Agricultora vinda de Portugal, aprendeu com pais e mães de santo a plantar e colher as ervas corretas. Hoje, a família cultiva folhas em três hortas em Irajá, abastecendo feiras e bancas pela cidade.

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A outra filha, Luiza de Fátima Monteiro, comanda outra barraca e relata a ampliação do atendimento a diferentes nações do candomblé — Jeje, Ketu e Angola — e, mais recentemente, ao Ifá, filosofia iorubá que preserva saberes ancestrais.

Tradição que evolui

Para atender ao Ifá, foi necessário buscar espécies inexistentes no Brasil, trazidas por viajantes da Nigéria e de Cuba. Mudas como orobô, obi, aridã e teté passaram a ser cultivadas localmente, tornando a banca referência no Rio.

“As tradições evoluem como a tecnologia”, diz Elisabete, praticante do candomblé e do Ifá. Novos estudos e práticas ampliam os usos das folhas, tanto rituais quanto terapêuticos.

Comércio de ervas para banhos energéticos e espirituais no Mercadão de Madureira. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Comércio de ervas para banhos energéticos e espirituais no Mercadão de Madureira. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Cuidados no uso das plantas

O saber ancestral de erveiras, benzedeiras e curandeiras dialoga com a ciência, mas requer cautela. A professora Andrea Furtado Macedo, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), alerta para riscos como dermatites e intoxicações. Plantas podem interagir com medicamentos e causar efeitos adversos; a automedicação é desaconselhada.

A especialista destaca ainda a adulteração de espécies no comércio, como no caso da espinheira-santa, cujo uso é comprovado para gastrite e úlcera, mas cuja espécie correta nem sempre é encontrada.

Nos terreiros, o uso ritual deve ser orientado por ialorixás e babalorixás, explica Mãe Nilce de Iansã, da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras (Renafro). A Renafro defende que práticas como banhos com folhas sejam reconhecidas como Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PIC) no Sistema Único de Saúde (SUS), que já oferta 29 abordagens, entre elas reiki, homeopatia, yoga e acupuntura.

 

O que você precisa saber

  • Onde: Mercadão de Madureira, Rio de Janeiro

  • Quem: erveiras mantêm tradição familiar há 50 anos

  • O que mudou: ampliação para novas tradições (Ifá) e espécies raras

  • Como produzem: cultivo próprio em hortas e colheita conforme ciclos

  • Atenção: uso de plantas exige orientação; há riscos e adulterações

  • Saúde pública: Renafro defende reconhecimento das PIC no SUS

 
 
 
FONTE/CRÉDITOS: Agência Brasil
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