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Terça-feira, 17 de Março 2026

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Estado pode barrar compras de produtos de áreas invadidas e endurecer contra conflitos agrários

Projeto quer impedir que dinheiro público seja usado na aquisição de alimentos e insumos oriundos de propriedades rurais envolvidas em disputas de posse no Espírito Santo

Conexão ES Redação
Por Conexão ES Redação
Estado pode barrar compras de produtos de áreas invadidas e endurecer contra conflitos agrários
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Uma proposta em tramitação na Assembleia Legislativa do Espírito Santo pode provocar um forte impacto na relação entre poder público e cadeia produtiva rural. O Projeto de Lei (PL) 503/2025, de autoria do deputado estadual Lucas Polese, estabelece que a Administração Pública direta e indireta do Espírito Santo fique proibida de comprar produtos agrícolas ou contratar empresas que utilizem mercadorias oriundas de propriedades rurais que estejam sob conflitos de posse ou invasões.

Na prática, a medida busca impedir que recursos públicos acabem financiando, direta ou indiretamente, atividades provenientes de áreas ocupadas de forma irregular.

Blindagem ao produtor e recado contra ilegalidades

Segundo o parlamentar, a iniciativa é uma resposta à crescente preocupação com a segurança jurídica no campo.

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“Ao impedir a aquisição desses produtos pela Administração Pública, o Estado adota uma postura firme de repúdio contra atos ilícitos que atentam contra a ordem, a paz social e a livre iniciativa”, afirma Polese.

O texto do projeto também estende a vedação à contratação de pessoas jurídicas que utilizem insumos ou matérias-primas provenientes dessas áreas, mesmo nos casos em que exista decisão judicial favorável a ocupante que não seja o legítimo proprietário da terra.

Para o autor, a proposta atua em duas frentes: desestimula novas ocupações irregulares e fortalece o ambiente de confiança para quem produz dentro da legalidade.

Impacto direto no agronegócio capixaba

O Espírito Santo tem no agronegócio um dos pilares de sua economia. A proposta pretende criar um mecanismo de proteção indireta ao setor, evitando que produtores que cumprem a lei concorram, ainda que de forma desigual, com produtos oriundos de áreas sob litígio.

Na avaliação do deputado, a medida:

  • Reforça a proteção ao direito de propriedade

  • Estimula investimentos no campo

  • Contribui para geração de empregos

  • Fortalece a imagem institucional do Estado frente ao setor produtivo

Impasse jurídico e novo fôlego ao projeto

Inicialmente, o PL 503/2025 foi devolvido ao autor com apontamento de inconstitucionalidade. Polese apresentou recurso e, posteriormente, a Procuradoria-Geral da Casa emitiu parecer favorável à constitucionalidade da proposta.

Atualmente, o projeto está em análise na Comissão de Justiça da Assembleia, etapa decisiva para que possa avançar à votação em plenário.

Debate sensível e de alcance nacional

A discussão toca em um dos temas mais sensíveis do país: a relação entre reforma agrária, conflitos fundiários, produção de alimentos e segurança jurídica.

Se aprovado, o Espírito Santo poderá se tornar referência nacional ao adotar, por lei, um filtro rigoroso para impedir que o poder público adquira produtos associados a disputas de terra.

📌 O que você precisa saber

  • Projeto proíbe compras públicas de produtos vindos de áreas em conflito agrário

  • Vedação vale também para empresas que utilizem esses produtos

  • Objetivo é proteger direito de propriedade e segurança jurídica no campo

  • Proposta está em análise na Comissão de Justiça da Ales

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