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Sexta-feira, 01 de Maio 2026

Polícia

Farsa de jaleco: quem é a falsa médica que enganou famílias e usou nome do prefeito de Manaus para ganhar prestígio

Sophia Livas se dizia cardiopediatra e sobrinha do prefeito, mas era educadora física. Atendeu crianças com doenças graves usando documentos falsos.

Conexão ES Redação
Por Conexão ES Redação
Farsa de jaleco: quem é a falsa médica que enganou famílias e usou nome do prefeito de Manaus para ganhar prestígio
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Uma mulher com fala segura, presença nas redes sociais, vídeos com jaleco branco e suposta atuação humanizada em hospitais públicos. Por trás da imagem de prestígio construída com estratégia e vaidade, escondia-se uma fraude com potencial de causar danos graves à saúde pública.

Sophia Livas de Morais Almeida, de 32 anos, foi presa preventivamente pela Polícia Civil do Amazonas sob acusação de exercer ilegalmente a medicina, com agravantes: ela atendia crianças com doenças graves — incluindo pacientes autistas —, receitava medicamentos controlados e usava carimbos de médicas reais. Sophia não tinha formação em Medicina: é bacharel em Educação Física.

Apesar disso, circulava livremente em ambientes hospitalares, dava aulas como “professora convidada” em faculdades, promovia um podcast sobre cardiopatias infantis e era nome de destaque em eventos científicos. Apresentava-se ainda como sobrinha do prefeito de Manaus, David Almeida — o que também era mentira.

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A prisão aconteceu enquanto Sophia se exercitava em uma academia de luxo na Zona Centro-Sul de Manaus. Segundo a polícia, ela já era alvo de investigações após o recebimento de diversas denúncias. Na casa da investigada, foram encontrados medicamentos, receituários, jalecos com logotipos de hospitais públicos, carimbos falsificados e documentos de identidade adulterados.

“Ela se infiltrou em grupos de médicos, ganhou a confiança de profissionais reais, foi convidada a participar de programas de assistência a crianças com cardiopatia e passou a atender como se fosse especialista”, afirmou o delegado Cícero Túlio, responsável pelas investigações.

Sophia chegou a apresentar um boletim de ocorrência contra pacientes que a denunciaram, numa tentativa de inverter os papéis e deslegitimar as queixas. Segundo o delegado, a estratégia dela era se blindar com prestígio e influência, criando conexões falsas e manipulando a narrativa pública.

Ela dizia atuar no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), mas a instituição negou qualquer vínculo médico com a investigada. Em nota, o HUGV informou que ela foi aluna de mestrado em Educação Física, e jamais trabalhou como médica no hospital. Além disso, não há registros de atendimentos realizados por ela na unidade.

Um dos elementos mais graves do caso é o uso indevido do carimbo de uma médica verdadeira, com quem compartilhava o primeiro nome. Esse carimbo, segundo a polícia, foi obtido dentro do próprio HUGV, e passou a ser utilizado por Sophia em consultas clandestinas.

Nas redes sociais — que foram apagadas logo após a prisão —, a falsa médica publicava imagens atendendo pacientes e promovia frases motivacionais sobre saúde e ciência. Em uma das postagens, celebra o início do “projeto Renomica Brasil”, supostamente voltado para a investigação genética de doenças cardiovasculares hereditárias. Nada disso era verdadeiro.

Outra tentativa de autopromoção envolveu diretamente o prefeito de Manaus. Sophia afirmava ser sobrinha de David Almeida, o que foi formalmente desmentido pela Secretaria de Comunicação do município. A imagem que ela usava como prova de parentesco era, na verdade, uma foto pública entre o prefeito e sua filha, Fernanda Aryel.

A farsa sofisticada se desenrolou ao longo de meses e gerou uma série de prejuízos a pacientes e instituições. Entre as vítimas identificadas, estão duas crianças autistas e trabalhadores que usaram atestados assinados por Sophia. A Justiça decretou sua prisão preventiva, e ela agora responde por exercício ilegal da medicina, falsidade ideológica, uso de documento falso, entre outros crimes.

 

Alerta para instituições e famílias

O caso acende um sinal de alerta sobre a fragilidade de sistemas de verificação profissional, especialmente em ambientes que envolvem crianças e pacientes em situação de vulnerabilidade. O uso de aparências — jaleco, carimbo, linguagem técnica e presença online — ainda é suficiente para enganar muitos, o que revela brechas graves que precisam ser corrigidas com urgência.

A Polícia Civil segue ouvindo vítimas e testemunhas, e o material apreendido deve revelar a extensão do engano. Enquanto isso, Sophia Livas permanece detida, agora sem máscaras — mas com o peso das acusações que envolvem vidas humanas.

FONTE/CRÉDITOS: G1

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