Com mais tempo livre, brincadeiras ao ar livre e mudanças na rotina, as férias escolares costumam ser acompanhadas por um aumento no número de acidentes envolvendo crianças. As quedas lideram esse cenário e representam a principal causa de internação por acidentes entre menores de 14 anos no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
O alerta é do ortopedista pediátrico Jansen Vasconcelos, membro da Cooperativa dos Médicos Traumatologistas e Ortopedistas do Estado do Ceará (Coomtoce) e da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – Regional Ceará (SBOT-CE).
Segundo o especialista, julho concentra um número maior de ocorrências porque as crianças passam mais tempo em atividades recreativas, como andar de bicicleta, patinete e skate, brincar em camas elásticas, playgrounds ou explorar ambientes que nem sempre oferecem condições adequadas de segurança.
"O aumento desses casos é esperado porque a rotina muda completamente durante as férias. As crianças permanecem mais tempo brincando e, consequentemente, ficam mais expostas a situações de risco", explica.
Quedas provocam fraturas com frequência
Entre as lesões mais comuns estão fraturas de punho, antebraço, cotovelo e clavícula. Na maior parte dos casos, elas ocorrem após quedas da própria altura, de móveis, escadas, bicicletas ou brinquedos.
Apesar da frequência, o ortopedista ressalta que muitos desses acidentes podem ser evitados com medidas simples de prevenção.
Entre as recomendações estão a instalação de redes de proteção em janelas e varandas, o uso de portões de segurança em escadas para crianças pequenas, a retirada de tapetes escorregadios e a organização dos brinquedos para evitar tropeços.
Também é importante impedir que sofás, camas e outros móveis sejam utilizados como trampolins durante as brincadeiras.
Nas atividades ao ar livre, o uso de equipamentos de proteção faz diferença. Capacete, joelheiras e cotoveleiras devem acompanhar crianças que utilizam bicicletas, patinetes e skates.
Outro fator apontado pelo especialista é a supervisão constante dos adultos, principalmente quando os pequenos estão em piscinas, playgrounds e áreas de lazer.
"Não basta oferecer um ambiente seguro. Crianças pequenas precisam ser acompanhadas durante as brincadeiras, especialmente em locais onde há maior risco de acidentes", destaca.
Como agir após uma queda
Quando o acidente acontece, a orientação é evitar movimentos bruscos ou tentativas de colocar a criança de pé imediatamente.
Se houver dor intensa, deformidade em algum membro, dificuldade para movimentar braços ou pernas ou suspeita de fratura, o local deve ser mantido imóvel até a avaliação médica.
"O primeiro passo é manter a calma. Nunca tente colocar o osso no lugar ou fazer massagens. Compressas frias ajudam a reduzir o inchaço, mas a criança deve ser encaminhada rapidamente para atendimento especializado", orienta Jansen Vasconcelos.
Nos casos em que houver suspeita de traumatismo na cabeça, lesão na coluna ou perda de consciência, a recomendação é acionar imediatamente o serviço de emergência.
O especialista reforça que pequenas atitudes preventivas durante as férias podem reduzir significativamente o risco de acidentes e garantir que o período seja aproveitado com mais segurança pelas crianças e tranquilidade pelas famílias.
O que você precisa saber
👨⚕️ Especialista: Jansen Vasconcelos, ortopedista pediátrico, membro da Coomtoce e da SBOT-CE.
⚠️ Acidentes mais frequentes: Quedas com fraturas de punho, antebraço, cotovelo e clavícula.
🚲 Como prevenir: Supervisão de adultos, uso de capacete e equipamentos de proteção, instalação de redes de proteção, organização dos ambientes e cuidados com escadas, móveis e brinquedos.
🩺 Em caso de queda: Não movimentar o membro lesionado, evitar massagens ou tentativas de reposicionar o osso e procurar atendimento médico.
🚑 Procure socorro imediato: Se houver perda de consciência, suspeita de lesão na cabeça, na coluna ou deformidades importantes após o acidente.

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