A Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu, na sexta-feira (5/9), Ricardo Jardim, 66 anos, publicitário suspeito de matar e esquartejar a namorada em Porto Alegre. O caso veio à tona após funcionários da rodoviária da capital encontrarem uma mala com parte do corpo no guarda-volumes, no dia 20 de agosto. Dias antes, braços e pernas já haviam sido recolhidos em sacos de lixo na zona leste da cidade. Exames de DNA indicaram que os restos mortais eram da mesma vítima.
Segundo a investigação, o suspeito foi localizado em uma pousada na zona norte de Porto Alegre. Imagens de câmeras de segurança ajudaram a rastrear o trajeto de Jardim, inclusive em um supermercado onde ele aparece com o rosto descoberto. A polícia afirma que ele teria tentado sacar dinheiro e usar cartões da vítima.
Histórico criminal
Jardim já havia sido condenado em 2018 por homicídio duplamente qualificado, ocultação de cadáver e posse de arma, por matar a própria mãe e concretar o corpo no apartamento dela, também em Porto Alegre. Condenado a 28 anos de prisão, ele passou ao regime semiaberto em janeiro de 2024 e, desde fevereiro de 2025, estava foragido por descumprir medidas cautelares.
Linha investigativa
A Polícia Civil apura se o publicitário mantinha perfis falsos nas redes sociais, inclusive com uso de imagens geradas por IA, para se aproximar de mulheres. A corporação pedirá a quebra de dados telemáticos para aprofundar a análise de dispositivos apreendidos. Até a última atualização, a defesa do suspeito não havia sido localizada.
O que se sabe até agora
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Prisão: 5 de setembro de 2025, em pousada na zona norte de Porto Alegre.
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Dinâmica: partes do corpo foram achadas em sacos de lixo; o tronco foi deixado em mala no guarda-volumes da rodoviária.
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Vítima: mulher gaúcha que se relacionava com o suspeito (identidade preservada).
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Motivação investigada: além do feminicídio, a polícia apura vantagem econômica (uso de cartões e tentativas de saque).
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Antecedentes: condenado em 2018 por matar a mãe; foragido desde fevereiro de 2025.
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Próximos passos: perícias complementares, análise de celulares/computadores e apuração sobre perfis falsos para atrair vítimas.
📌 | Feminicídio no Brasil
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O feminicídio é crime hediondo no Brasil, previsto pela Lei nº 13.104/2015.
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O país registra, em média, 1 feminicídio a cada 6 horas, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
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Em 2023, foram mais de 1.400 casos registrados oficialmente.
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Os contextos mais frequentes são: violência doméstica, término de relacionamento e situações de controle ou dependência financeira.
Onde denunciar:
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190 → Polícia Militar (emergência).
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180 → Central de Atendimento à Mulher.
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197 → Polícia Civil.
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Delegacias da Mulher → atendimento especializado.
👉 Denuncie. A violência contra mulheres é crime e pode ser evitada.
