A Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) sediou, nesta quinta-feira (6), uma sessão especial sobre a economia circular do plástico, dentro da programação da 18ª Semana do Plástico. O encontro reuniu parlamentares, representantes da indústria e autoridades ambientais, com foco no equilíbrio entre sustentabilidade e desenvolvimento econômico.
Presidindo a sessão, o deputado Dary Pagung (PSB) destacou que o debate deve unir o poder público e o setor produtivo.
“O plástico faz parte do nosso cotidiano e tem relevância econômica e social. Falar em economia circular é essencial para construirmos soluções que reduzam impactos ambientais e fortaleçam o setor”, afirmou.
Setor produtivo e sustentabilidade
A presidente do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Espírito Santo (SindiplastES), Bárbara Esteves, ressaltou que o setor é estratégico para o estado, gerando 7 mil empregos diretos e processando 5 mil toneladas de recicláveis por mês.
“O plástico não é inimigo do meio ambiente. O que precisamos é de educação, uso responsável e ciclo produtivo correto”, afirmou.
Bárbara anunciou ainda a criação do “Selo de Economia Circular”, que reconhecerá empresas com práticas sustentáveis. “O plástico do futuro é o plástico responsável, que educa, gera oportunidade e retorna ao ciclo produtivo”, completou.
Ela também destacou o sucesso do Programa Tampinha do Bem, que já retirou 50 milhões de tampinhas da natureza, e informou que o Espírito Santo será representado pelo sindicato na COP30.
Desafios da reciclagem e políticas públicas
A assessora da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), Magaly Menezes, defendeu políticas de incentivo à reciclagem e educação ambiental.
“O setor plástico emprega mais de 404 mil pessoas no Brasil. O plástico está em praticamente todos os segmentos da economia e é essencial para o transporte, a conservação de alimentos e a saúde. O problema não é o material, mas a falta de manejo adequado”, afirmou.
Ela alertou que apenas 13% das resinas utilizadas no país têm base circular, ainda que o índice supere a média mundial (9,4%). Segundo Magaly, é necessário criar projetos de lei e políticas tributárias justas para viabilizar a reciclagem e valorizar o trabalho dos catadores.
Economia circular e responsabilidade compartilhada
O presidente do Sindicato das Empresas de Reciclagem do Espírito Santo (Simreciclo), Luiz Alberto Baptista, ressaltou que cada brasileiro produz, em média, 1,04 kg de resíduos por dia.
“A gestão e o reaproveitamento dos resíduos devem ser tratados como questões econômicas e estratégicas, não apenas ambientais”, enfatizou.
Ele lembrou que apenas 20,6% dos plásticos são reciclados no Brasil, enquanto materiais como o alumínio alcançam índices próximos a 100%. “O problema está na ponte entre quem gera e quem reutiliza o resíduo como matéria-prima”, disse.
Baptista defendeu a expansão da coleta seletiva, o fortalecimento das centrais regionais de triagem e o cumprimento da logística reversa prevista no Decreto Estadual nº 5655-R/2024.
“O problema não é o plástico, mas a forma como lidamos com ele. A mudança de cultura é o verdadeiro motor da reciclagem”, concluiu.
Valorização dos catadores
O gerente de Economia Solidária da Aderes, Robson Botelho, destacou o papel das cooperativas de catadores na geração de renda e no reaproveitamento de materiais. Desde 2013, a Aderes atua no fortalecimento do setor, em consonância com a Política Nacional de Resíduos Sólidos.
Também participaram da sessão o deputado Coronel Weliton (PRD) e o superintendente do SindiplastES, Gilmar Nogueira.
♻️ O que você precisa saber
📍 Evento: Sessão Especial sobre Economia Circular do Plástico
🏛️ Local: Assembleia Legislativa do Espírito Santo
📅 Data: 6 de novembro de 2025
👥 Participantes: SindiplastES, Abiplast, Simreciclo, Aderes e parlamentares
📊 Números:
53 indústrias de plástico no ES
7 mil empregos diretos
5 mil toneladas de recicláveis processados/mês
13% de resinas com base circular no Brasil
💡 Iniciativas destacadas: Selo de Economia Circular, Programa Tampinha do Bem e Decreto Estadual nº 5655-R/2024
🌱 Mensagem central: O desafio não é o plástico, mas a cultura de descarte. A economia circular transforma resíduos em oportunidades.
