A violência doméstica permanece como um dos desafios mais sensíveis da sociedade brasileira — e seus efeitos ultrapassam os limites das relações afetivas. Foi o que reforçou o Fórum “Onde estão os filhos da violência?”, realizado nesta quarta-feira (29) na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales).
O evento discutiu o impacto da violência familiar no desenvolvimento de crianças e adolescentes, destacando a necessidade de trabalho integrado entre Judiciário, Ministério Público, Estado, municípios, sociedade civil e setor privado.
A juíza Hermínia Azoury, que se despediu da magistratura após 31 anos, emocionou o público ao defender empatia, esperança e acolhimento como bases para transformar histórias marcadas por dor.
“Tenho esperança de ver, um dia, essas crianças deixarem de integrar listas de vítimas para serem reconhecidas como cidadãos plenos, com oportunidades e dignidade”, afirmou.
Rede de proteção ainda precisa alcançar quem mais precisa
A deputada Janete de Sá (PSB) destacou que o Espírito Santo avançou, mas ainda enfrenta barreiras importantes — especialmente na comunicação com mulheres em situação de vulnerabilidade.
“A rede funciona para quem consegue acessar. O desafio é chegar à mulher da periferia, da roça, que não conhece seus direitos e tem medo de denunciar.”
Representantes do poder público e da iniciativa privada reforçaram que o enfrentamento ao feminicídio exige mobilização permanente.
A promotora Cristiane Esteves Soares (MPES) foi enfática:
“Todos nós somos responsáveis por casos de feminicídio. A omissão também mata.”
A gerente da ArcelorMittal, Carla Brunoro, lembrou que a violência doméstica entra pelos portões das empresas junto com seus colaboradores:
“Temos 10 mil pessoas dentro da empresa. É como uma cidade. Não podemos fingir que a violência não nos atravessa.”
Educação como eixo de transformação — mas não sozinha
O diretor da Escola do Legislativo, Sergio Majeski, destacou que o ambiente escolar precisa de suporte para lidar com as consequências da violência doméstica:
“A escola sozinha não dá conta. É preciso política pública integrada para salvar essas crianças e lhes garantir futuro digno.”
Despedida e legado
O fórum também marcou a despedida da juíza Hermínia Azoury da magistratura. Nos últimos anos, ela liderou iniciativas estruturantes do TJES no enfrentamento à violência doméstica, tornando-se referência nacional.
"Continuarei na luta. Violência doméstica é pauta de vida", disse, ao ser homenageada.
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