A investigação sobre a morte de três pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF), revelou um modus operandi considerado extremamente grave e incomum até mesmo para investigadores experientes. Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal, um técnico de enfermagem de 24 anos teria aplicado desinfetante mais de dez vezes na mesma paciente, em um único dia, com o objetivo de provocar a morte.
O caso é apurado no âmbito da Operação Anúbis e envolve ainda duas técnicas de enfermagem, investigadas por negligência e possível coautoria.
Aplicações letais e tentativa de disfarce
De acordo com a Polícia Civil, o principal suspeito, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, atuava no hospital havia cerca de cinco anos e teria administrado doses letais de medicamentos e desinfetante diretamente na veia de pacientes internados na UTI.
Em um dos casos, o produto químico foi aspirado com uma seringa e aplicado mais de dez vezes em uma idosa de 75 anos. As investigações indicam que o técnico aguardava a parada cardíaca e, em seguida, realizava manobras de reanimação, com o objetivo de simular atendimento de emergência e ocultar o crime.
Invasão de sistema e receita irregular
Outro ponto central da investigação envolve o acesso indevido ao sistema interno do hospital. A polícia apurou que, em pelo menos uma ocasião, o técnico utilizou a conta de um médico para prescrever um medicamento de forma irregular.
Após a prescrição, ele teria ido até a farmácia da unidade, retirado os medicamentos, preparado as doses e escondido os produtos no jaleco, retornando à UTI para realizar as aplicações sem o conhecimento da equipe médica.
As ações teriam ocorrido, principalmente, nos dias 17 de novembro e 1º de dezembro de 2025.
Quem são as vítimas
As vítimas identificadas pela investigação são:
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João Clemente Pereira, 63 anos
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Miranilde Pereira da Silva, 75 anos
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Marcos Moreira, 33 anos
Segundo o Instituto Médico Legal (IML), os pacientes apresentavam quadros clínicos distintos, o que reforçou a suspeita após pioras súbitas e repetidas, sem explicação compatível com os diagnósticos iniciais.
Papel das outras investigadas
As técnicas Amanda Rodrigues de Sousa, 22 anos, e Marcela Camilly Alves da Silva, 28 anos, também são investigadas. Conforme a Polícia Civil:
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Amanda atuava em outro setor, mas mantinha amizade antiga com Marcos Vinícius;
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Marcela era recém-contratada e recebia orientações diretas do técnico.
As apurações indicam que ambas teriam observado a porta do quarto para evitar a entrada de terceiros durante as aplicações, o que configura auxílio em pelo menos dois dos crimes investigados.
Descoberta do esquema e prisões
As suspeitas surgiram após a equipe médica identificar padrões incomuns de agravamento clínico. A direção do hospital iniciou uma apuração interna, analisou imagens de câmeras de segurança, prontuários médicos e registros de medicação, e comunicou imediatamente as autoridades.
Os três profissionais foram demitidos e presos temporariamente durante o cumprimento de mandados da Operação Anúbis. Inicialmente, o técnico negou os fatos, mas confessou após ser confrontado com os vídeos.
As famílias das vítimas foram informadas e receberam esclarecimentos formais.
O que diz o Coren-DF
Em nota, o Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) informou que tomou conhecimento das mortes suspeitas e que acompanha o caso:
“Diante da gravidade das informações divulgadas, o Coren-DF esclarece que está acompanhando o caso e adotando as providências cabíveis no âmbito de sua competência legal.”
O conselho ressaltou que o caso tramita na esfera judicial, motivo pelo qual não é possível emitir juízo definitivo neste momento, e reafirmou o compromisso com a segurança do paciente, a ética profissional e a defesa de uma enfermagem responsável e comprometida com a vida.
Investigação segue em andamento
A Polícia Civil não descarta a existência de outras vítimas e investiga se o mesmo padrão de conduta pode ter ocorrido em períodos anteriores. O inquérito apura homicídio qualificado, e a polícia afirma que não há indícios de que os crimes tenham ocorrido a pedido das vítimas ou de familiares.
O caso segue sob sigilo parcial, mas novas fases da investigação devem ser deflagradas.
🟨 O que você precisa saber
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Local: Hospital Anchieta, Taguatinga (DF)
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Crime investigado: homicídio qualificado em UTI
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Principal suspeito: Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24 anos
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Método: injeção de medicamentos e desinfetante na veia
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Outras investigadas: Amanda Rodrigues de Sousa (22) e Marcela Camilly Alves da Silva (28)
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Descoberta: análise de câmeras e prontuários médicos
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Operação: Anúbis
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Situação atual: três presos temporariamente; investigação em curso

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