A Justiça de São Paulo tornou ré Geovanna Proque da Silva, de 21 anos, acusada de atropelar e matar o próprio namorado e uma amiga dele durante uma crise de ciúmes, em 29 de dezembro, no bairro Campo Limpo, zona sul de São Paulo. A denúncia foi aceita pela 5ª Vara do Júri da capital, que também determinou a manutenção da prisão preventiva da acusada.
Segundo a decisão da juíza Isadora Botti Beraldo Moro, os indícios reunidos até o momento justificam a continuidade da custódia cautelar. Geovanna foi presa em flagrante logo após o atropelamento e teve a prisão convertida em preventiva durante a audiência de custódia.
Duplo homicídio triplamente qualificado
O Ministério Público denunciou Geovanna por duplo homicídio triplamente qualificado. A promotora Daniela Romanelli da Silva sustentou que o crime foi motivado por “ciúme doentio” e praticado com extrema violência.
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De acordo com a acusação, as vítimas foram atingidas de surpresa, sem qualquer chance de defesa. O meio utilizado — o carro em alta velocidade — foi classificado como cruel, em razão do impacto e da dilaceração dos corpos.
Além da responsabilização criminal, o Ministério Público pediu que, em eventual condenação, Geovanna seja obrigada a pagar R$ 100 mil por vítima, como início de reparação pelos danos causados.
Ameaças antecederam o atropelamento
Momentos antes do crime, Geovanna enviou ao namorado Raphael Canuto Costa uma mensagem considerada ameaçadora: “Ou você resolve ou eu resolvo”. Na ocasião, Raphael participava de um churrasco com amigos, incluindo mulheres, o que teria provocado a reação da jovem.
Geovanna chegou a ir ao local acompanhada da madrasta e discutiu com o namorado. Para evitar novo confronto, Raphael saiu de motocicleta e, pouco depois, encontrou a amiga Joyce Corrêa da Silva, que aceitou acompanhá-lo em uma volta.
Colisão registrada por câmera de segurança
Após deixar o local da discussão, Geovanna entrou no carro com a madrasta e passou a seguir a motocicleta. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o veículo, em alta velocidade, atinge a moto, provocando a morte imediata de Raphael e Joyce. Um terceiro homem ficou ferido.
A gravação integra o conjunto de provas analisadas pela Justiça e reforça a tese de que o atropelamento foi intencional, segundo o Ministério Público.
Laudos médicos e alegação de transtornos psicológicos
Durante a investigação, a defesa apresentou laudos médicos indicando que Geovanna enfrenta depressão desde a adolescência e realiza acompanhamento psiquiátrico e psicológico. Documentos apontam que a jovem chegou a solicitar auxílio por incapacidade temporária ao INSS.
Em relatório médico anexado ao pedido, consta a menção a “ideação suicida” e ao uso de medicamentos controlados. A acusação, no entanto, sustenta que essas informações não afastam a responsabilidade penal nem a necessidade da prisão preventiva.
O que você precisa saber
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Quem é a acusada: Geovanna Proque da Silva, 21 anos
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Vítimas: Raphael Canuto Costa e Joyce Corrêa da Silva
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Onde ocorreu: Campo Limpo, zona sul de São Paulo
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Crime imputado: Duplo homicídio triplamente qualificado
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Motivação apontada: Ciúme
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Situação atual: Ré no processo e mantida em prisão preventiva
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Pedido do MP: Indenização mínima de R$ 100 mil por vítima

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