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Sexta-feira, 01 de Maio 2026

Polícia

Médico é condenado a 27 anos por feminicídio de ex-miss no Espírito Santo

Crime ocorrido em 2015 foi considerado premeditado; julgamento terminou com pena em regime fechado e indenização de R$ 500 mil à família

Conexão ES Redação
Por Conexão ES Redação
Médico é condenado a 27 anos por feminicídio de ex-miss no Espírito Santo
Reprodução / Redes sociais
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Após quase uma década de espera, a família de Rayane Luiza Berger ouviu nesta quarta-feira (21) a sentença que encerra um dos crimes mais chocantes da história recente de Santa Maria de Jetibá, na região Serrana do Espírito Santo. O médico Celso Luís Ramos Sampaio foi condenado a 27 anos e nove meses de prisão pelo feminicídio da jovem pedagoga e ex-miss pomerana, assassinada aos 23 anos, em junho de 2015.

O julgamento, transferido para o Fórum Criminal de Vitória por decisão do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), ocorreu em meio a forte comoção. O júri popular reconheceu que o réu cometeu homicídio qualificado por motivo fútil, mediante recurso que dificultou a defesa da vítima e em contexto de violência doméstica — o que caracteriza feminicídio.

A decisão também determinou o cumprimento imediato da pena em regime fechado, o bloqueio de bens e contas bancárias do condenado e a indenização de R$ 500 mil à família de Rayane por danos morais.

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Premeditação e encenação

Rayane foi encontrada morta dentro de um carro submerso em um rio, na zona rural de Santa Maria de Jetibá, no dia 7 de junho de 2015. Inicialmente tratado como um acidente de trânsito, o caso passou a ser investigado como homicídio quando laudos periciais e depoimentos indicaram manipulação da cena do crime.

Segundo o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), Celso teria dopado a companheira com medicamentos de uso controlado e a agredido com um objeto contundente, causando ferimentos letais na nuca. Em seguida, ele teria colocado o corpo no carro e forjado um acidente, lançando o veículo na água. Detalhes técnicos, como a ausência de marcas de frenagem e o não acionamento dos airbags, reforçaram a tese de simulação.

As investigações também revelaram que o réu já cumpria pena por outro homicídio, cometido contra um colega de profissão. O histórico de comportamento violento e o relacionamento conturbado com Rayane foram considerados cruciais para a condenação.

Julgamento em Vitória e impacto social

O júri, que durou cerca de nove horas, foi marcado por forte emoção e atenção da mídia local. O desaforamento — transferência do julgamento de Santa Maria de Jetibá para Vitória — foi concedido após a defesa alegar risco à segurança do réu e imparcialidade do júri popular na cidade onde o crime ocorreu e gerou ampla comoção.

Durante a audiência, Celso acompanhou o julgamento por videoconferência a partir de sua residência na capital. Orientado por seus advogados, respondeu apenas às perguntas dos jurados e da defesa, recusando-se a falar ao juiz e ao MPES.

Justiça e ferida aberta

A condenação representa um marco simbólico para os familiares da vítima, que há anos lutam por justiça. Rayane era considerada uma jovem promissora, engajada em causas sociais e reconhecida por sua representatividade cultural como miss pomerana. Sua morte brutal abalou não apenas a cidade natal, mas todo o Espírito Santo.

A mãe da vítima, em entrevistas concedidas anteriormente, chegou a declarar que “arrancaram um pedaço de mim”, num lamento que ressoou ao longo de todo o processo.

Consequências profissionais

Além da condenação penal, o caso será encaminhado ao Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES), que poderá avaliar a cassação do registro profissional de Celso Sampaio, diante da gravidade dos fatos.

A sentença também reacende o debate sobre a violência de gênero e o papel das instituições na responsabilização de agressores que ocupam posições de prestígio social, como é o caso de profissionais da saúde.

Reflexão sobre feminicídio

O feminicídio de Rayane Berger expõe mais uma vez a urgência de políticas públicas efetivas no combate à violência contra a mulher. Em um país onde uma mulher é morta a cada 6 horas por razões de gênero, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a condenação de Celso é uma vitória judicial — mas que não apaga a dor nem devolve a vida perdida.

A Revista Conexão segue comprometida em acompanhar desdobramentos judiciais e sociais do caso, como a tramitação de eventuais recursos e decisões sobre a cassação profissional do réu.

📍 Se você sofre ou conhece alguém em situação de violência, procure ajuda.
Ligue 180 — Central de Atendimento à Mulher. Atendimento gratuito e sigiloso, 24 horas por dia.

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