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Terça-feira, 25 de Agosto 2026
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Morre aos 91 anos o artista plástico capixaba João Henrique, referência da arte naïf brasileira

Conhecido como "O Homem Verde", pintor nasceu em Muqui, conquistou reconhecimento internacional e deixou um legado marcado por paisagens, cores e uma visão singular da cultura brasileira

Conexão ES Redação
Por Conexão ES Redação
Morre aos 91 anos o artista plástico capixaba João Henrique, referência da arte naïf brasileira
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MUQUI (ES) — A cultura capixaba perdeu nesta quinta-feira (9) um de seus nomes mais importantes. Morreu, aos 91 anos, em Muqui, o artista plástico João Henrique Cúrcio Allemand, conhecido nacional e internacionalmente como "O Homem Verde". Segundo informações divulgadas pela família, ele foi vítima de pneumonia.

Nascido em Muqui, em 1935, João Henrique iniciou sua trajetória artística ainda na infância. Aos 12 anos começou a estudar pintura e, ao longo de mais de sete décadas de produção, construiu uma obra reconhecida pela força das cores, pela delicadeza dos traços e pela representação de um universo marcado pela natureza, pela cultura popular e pelas paisagens brasileiras.

Frequentemente associado à arte naïf, o artista fazia questão de relativizar essa definição. "Minha pintura é naïf, eu não", costumava dizer, ao defender que sua produção ultrapassava os limites do chamado primitivismo. Em suas telas, utilizava uma linguagem visual acessível para abordar temas contemporâneos e questões ligadas à diversidade, consolidando uma identidade artística própria.

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Apelidado de "O Homem Verde", João Henrique criou uma estética imediatamente reconhecível. Árvores exuberantes, jardins, montanhas, rios e mares ocupavam lugar central em suas composições, quase sempre envoltos por diferentes tonalidades de verde e azul. Suas obras retratavam um Brasil idealizado, inspirado tanto nas paisagens do interior quanto no litoral capixaba.

Convivência com grandes nomes da cultura

Entre as décadas de 1950 e 1970, o artista viveu no Rio de Janeiro, onde ampliou sua formação e conviveu com alguns dos principais nomes da cultura brasileira. Nesse período, estabeleceu relações de amizade e diálogo com artistas e intelectuais como Carlos Scliar, Roberto Burle Marx, Vinicius de Moraes, Rubem Braga e Candido Portinari.

Sua produção também despertou interesse fora do país. A escritora Clarice Lispector registrou a amizade entre os dois em uma de suas crônicas, enquanto o escritor colombiano Gabriel García Márquez, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, visitou pessoalmente o artista para adquirir três de suas obras.

Retorno às origens

Em 2002, João Henrique decidiu retornar definitivamente a Muqui. Instalado em um sobrado histórico que transformou em ateliê, passou a produzir uma nova fase de sua obra, inspirada no casario do município, nas manifestações da cultura popular e nas Folias de Reis.

O artista manteve-se ativo durante os anos seguintes, reafirmando seu compromisso com uma produção autoral e independente, sempre ligada às raízes culturais do Espírito Santo.

Legado internacional

Autodidata, João Henrique deixou um acervo que ultrapassou as fronteiras brasileiras. Suas obras integram coleções particulares e instituições culturais no Brasil e no exterior, incluindo o acervo do Museu de Arte de São Paulo (MASP). Ao longo da carreira, participou de exposições em países como Portugal, Inglaterra, Itália, Nova Zelândia e China.

Sua morte encerra uma das trajetórias mais relevantes das artes visuais produzidas no Espírito Santo, mas preserva um legado que permanece vivo nas centenas de obras espalhadas por museus, galerias e coleções particulares.

Ao transformar a paisagem, a memória e a cultura popular em arte, João Henrique Cúrcio Allemand tornou-se um dos principais representantes da produção artística capixaba e uma referência da pintura brasileira.

O que você precisa saber

👤 Artista: João Henrique Cúrcio Allemand

🎨 Conhecido como: "O Homem Verde"

📍 Natural de: Muqui (ES)

📅 Nascimento: 1935

✝️ Falecimento: 9 de julho de 2026, aos 91 anos

🩺 Causa da morte: Pneumonia

🖼️ Destaques da carreira: Pintor, desenhista, gravador e serigrafista, reconhecido pela produção ligada à arte naïf e por obras inspiradas na natureza, na cultura popular e nas paisagens brasileiras.

🌎 Reconhecimento: Obras presentes em coleções nacionais e internacionais, incluindo o MASP, além de exposições em diversos países.

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