Quando se fala em horticultura, o conceito engloba frutas, flores, plantas ornamentais e ervas medicinais. Dentro desse universo, a olericultura — dedicada ao cultivo de hortaliças — ocupa posição estratégica na agropecuária capixaba. Dados de 2024 mostram um setor marcado pela diversidade produtiva, mas também por concentração econômica e especialização regional.
No último ano, a olericultura do Espírito Santo reuniu 41 produtos, ocupou cerca de 24,6 mil hectares, produziu 975 mil toneladas e gerou R$ 2,49 bilhões em valor da produção. Apesar da diversidade, cinco culturas concentram 66% da renda do segmento: tomate, gengibre, repolho, chuchu e inhame, estruturando cadeias produtivas bem definidas no território capixaba.
Tomate: liderança compartilhada
O tomate liderou o setor em 2024, com 159,9 mil toneladas e 18% do valor total da olericultura. Diferente de outras culturas, apresenta produção mais distribuída. Afonso Cláudio, Domingos Martins e Santa Maria de Jetibá responderam juntos por cerca de 41% da produção estadual, formando uma cadeia menos concentrada e mais resiliente.
Gengibre: especialização regional
Já o gengibre revela forte especialização territorial. Foram 77,7 mil toneladas, equivalentes a 13% do valor da olericultura. Santa Leopoldina, Santa Maria de Jetibá e Domingos Martins concentraram mais de 95% da produção estadual, configurando um arranjo produtivo consolidado, com inserção no mercado externo.
Repolho e chuchu: alta concentração
O repolho foi a hortaliça de maior volume físico, com 205 mil toneladas e 12% do valor do setor. A produção, porém, é altamente concentrada: Santa Maria de Jetibá respondeu por 87,8% do total estadual.
No chuchu, a concentração é ainda maior: 97% da produção capixaba (192 mil toneladas) saiu de Santa Maria de Jetibá, um caso quase único de domínio produtivo, fruto de clima favorável, conhecimento técnico e organização local.
Inhame: cadeia mais equilibrada
O inhame apresenta um perfil mais distribuído. Com 95,5 mil toneladas (11% do valor do setor), Alfredo Chaves, Laranja da Terra e Marechal Floriano responderam por cerca de 61% da produção, indicando uma cadeia menos concentrada e com maior equilíbrio territorial.
Para o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, os números refletem a maturidade do setor.
“A olericultura do Espírito Santo é um retrato claro da nossa capacidade produtiva. Temos diversidade de culturas, regiões especializadas e cadeias bem estruturadas. Esse equilíbrio entre concentração produtiva e distribuição territorial é resultado de investimentos em assistência técnica, inovação e organização dos produtores”, afirmou.
PÓS-BOX | OLERICULTURA CAPIXABA EM NÚMEROS (2024)
Produtos cultivados: 41
Área plantada: 24,6 mil hectares
Produção total: 975 mil toneladas
Valor da produção: R$ 2,49 bilhões
Culturas que concentram 66% da renda:
Tomate
Gengibre
Repolho
Chuchu
Inhame
📍 Destaques regionais
Santa Maria de Jetibá: liderança em repolho e chuchu
Santa Leopoldina: referência em gengibre
Alfredo Chaves: principal produtor de inhame
📍 Revista Conexão
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