CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM (ES) — Em um momento em que o mercado de trabalho é pressionado por transformações tecnológicas e mudanças demográficas, a cooperativa Sicredi reuniu nesta quinta-feira (17) influenciadores digitais, jornalistas e profissionais da comunicação para uma imersão sobre inovação, propósito e o futuro das relações econômicas. O evento, realizado no auditório do Jaraguá Tênis Clube, no sul do Espírito Santo, teve como destaque a palestra do comunicador e doutor em Comunicação, Dado Schneider, que abordou os impactos das mudanças geracionais no mundo do trabalho e no modelo cooperativista.
Com um discurso provocador e bem-humorado, Schneider — conhecido pela criação da marca Claro e por sua atuação como consultor e palestrante em grandes empresas — sustentou que o mercado vive uma ruptura cultural tão profunda quanto tecnológica. “O mundo mudou bem na minha vez”, afirmou, arrancando risos e reflexões da plateia. “O problema não é a tecnologia. É que fomos treinados para um mundo que acabou.”

Cooperativas e a urgência de se reinventar
Ao conectar os conceitos de cooperativismo às novas exigências do século 21, Schneider alertou para o distanciamento entre linguagem institucional e os valores das novas gerações. “A geração Z não reconhece mais estruturas verticais. Eles querem horizontalidade, pertencimento, propósito. E as cooperativas precisam traduzir isso.”
O modelo cooperativista, disse o palestrante, é “intrinsecamente compatível com a mentalidade digital”, por apostar em colaboração, divisão de poder e impacto coletivo. “Mas não adianta defender a cooperação com linguagem do século passado. O desafio das cooperativas hoje é comunicacional”, provocou.
Segundo a Sicredi, o evento teve como propósito ampliar o diálogo com formadores de opinião e reforçar a imagem da instituição como referência de inovação com base em valores humanos e sociais. A cooperativa opera em mais de mil municípios brasileiros e tem defendido o fortalecimento da economia local como alternativa à concentração financeira.
Longitividade, IA e protagonismo intergeracional
Para Schneider, a economia do futuro será moldada pela inteligência artificial, pela longevidade e pela necessidade de adaptação contínua. “A IA é a maior virada desde a eletricidade. E quem tem repertório vai se sair melhor — sobretudo os mais velhos que se mantêm atualizados”, afirmou.
Ao comentar as mudanças no ciclo de vida produtiva, o palestrante disse que “aos 65 anos, nossos avós se aposentavam; hoje, muita gente está começando uma nova carreira”. O dado reforça tendências observadas por instituições financeiras e de recursos humanos que apontam para o alongamento da vida laboral e a reinvenção profissional como novo normal.

Nova cultura digital exige escuta e empatia
Schneider também abordou a crise da comunicação empresarial. “Não adianta emitir mensagens. Comunicação só existe quando há recepção. E, para isso, é preciso que a mensagem seja importante para quem escuta.”
Ao ilustrar com exemplos cotidianos, memes e críticas bem-humoradas às estruturas hierárquicas rígidas, ele alertou que lideranças empresariais precisam sair do automático. “Mudar não é gostar. Mudar é fazer esforço para entender. É isso que o mercado exige hoje.”
O que você precisa saber
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Evento promovido pela Sicredi, em Cachoeiro de Itapemirim, discutiu inovação, futuro do trabalho e comunicação estratégica com imprensa e influenciadores.
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Dado Schneider, doutor em Comunicação e criador da marca Claro, foi o palestrante principal.
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A geração Z, a inteligência artificial e a longevidade foram apontadas como fatores centrais de mudança para as cooperativas e empresas.
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Schneider defendeu que o cooperativismo tem aderência com os valores contemporâneos, mas precisa rever sua forma de comunicar.
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A Sicredi busca reforçar o papel das cooperativas como protagonistas de uma economia mais inclusiva e sustentável.

