Uma operação de alcance nacional está investigando um esquema que traficava ilegalmente o medicamento Cytotec (Misoprostol) — substância de uso hospitalar e proibida para venda no Brasil — para a prática de abortos clandestinos. Deflagrada na segunda-feira (8), a Operação Aurora cumpriu mandados em seis estados, incluindo o Espírito Santo, além do Distrito Federal.
Segundo a Polícia Civil, o grupo criminoso vendia o medicamento pela internet e prestava orientações remotas, via aplicativos de mensagem, para que as mulheres realizassem o procedimento por conta própria — prática que coloca a saúde e a vida das gestantes em risco extremo.
ES é alvo da operação: jovem de 19 anos é ouvida
No Espírito Santo, a operação cumpriu mandado de busca e apreensão no bairro São Marcos, em Aracruz. Uma jovem de 19 anos foi conduzida para prestar depoimento e liberada em seguida. Materiais apreendidos serão analisados para apurar seu eventual envolvimento no esquema.
A ação ocorreu simultaneamente na Paraíba, Goiás, Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais e Distrito Federal, coordenada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul com apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
No total, três pessoas foram presas e drogas e celulares foram recolhidos. A polícia agora investiga a cadeia de fornecimento e de onde o medicamento vem sendo desviado.
Como o esquema funcionava
As investigações apontam que a organização atuava em duas frentes:
1. Venda ilegal do medicamento
Os administradores dos grupos mantinham contato com mulheres interessadas em interromper a gravidez e apresentavam uma tabela de preços, indicando quantos comprimidos seriam necessários conforme as semanas de gestação.
2. “Assessoria” remota durante o aborto
O grupo oferecia acompanhamento online, o que incluía instruções sobre ingestão do medicamento e supostos cuidados durante o procedimento.
Mais de 250 mulheres integravam grupos administrados pelo esquema, segundo a polícia.
Caso no RS levou à descoberta do grupo
O ponto de partida da investigação foi um aborto clandestino no município de Guaíba (RS), em abril deste ano. Uma jovem deu entrada no hospital com dores intensas e expeliu dois fetos — e relatou ter comprado Cytotec pela internet, além de receber instruções remotas de uma mulher que se apresentava como “doutora”.
O depoimento revelou que a suspeita parou de responder durante o procedimento, deixando a jovem sem assistência e agravando o quadro clínico.
Grupo em aplicativo tinha regras e divisão de funções
A gestante foi adicionada a um grupo chamado “Sinta-se acolhida”, com orientação para compartilhar apenas relatos pós-procedimento e sem detalhar o preparo ou a execução do aborto.
A investigação identificou administradores residentes em vários estados, inclusive no Espírito Santo, responsáveis pela venda dos comprimidos e pelo funcionamento da organização criminosa.
Caso expõe rede estruturada e riscos extremos
A Operação Aurora revela não apenas o tráfico ilegal de um medicamento de uso restrito, mas também a existência de uma rede nacional que atua oferecendo serviços clandestinos altamente perigosos.
A Polícia Civil afirma que a investigação continua, com foco na identificação de todos os envolvidos e na origem dos comprimidos desviados. Novas prisões não estão descartadas.
📌 O que você precisa saber
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💊 Medicamento proibido: Cytotec (Misoprostol) é restrito ao ambiente hospitalar.
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🚫 Venda clandestina: Grupo comercializava o remédio pela internet.
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📱 Orientação online: Mulheres recebiam instruções remotas para realizar aborto.
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🎯 Operação Aurora: Ação ocorreu em 7 estados e no DF; ES teve busca e apreensão em Aracruz.
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👤 Jovem de 19 anos ouvida: Conduzida e liberada após depoimento.
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🔍 Investigação segue: Três presos e diversos materiais apreendidos; polícia apura origem dos medicamentos.

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