A Polícia Civil do Espírito Santo, em ação integrada com o Distrito Federal, deflagrou nesta quinta-feira (4) a Operação Psicose, que resultou na prisão de um homem de 37 anos em Vitória. Ele foi flagrado com grande quantidade de cogumelos alucinógenos, popularmente conhecidos por conter a substância psilocibina. A investigação aponta que a quadrilha movimentou R$ 26 milhões entre 2024 e 2025, abastecendo usuários e traficantes em vários estados do país.
Estrutura interestadual e atuação em larga escala
A operação cumpriu 20 mandados de busca e apreensão e nove mandados de prisão. Além das prisões, houve bloqueio de contas bancárias, suspensão de websites e perfis em redes sociais ligados à quadrilha.
Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal, a rede criminosa produzia, comercializava e distribuía os entorpecentes a partir do Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Distrito Federal.
O papel das redes sociais no tráfico
As investigações começaram após monitoramento de páginas no Instagram que anunciavam os cogumelos. Os interessados eram direcionados a sites e grupos de aplicativos de mensagens, onde aconteciam as negociações.
Para ampliar o alcance, o grupo investia em marketing digital profissionalizado, utilizando impulsionamento pago, design atrativo e até parcerias com influenciadores e DJs de música eletrônica. Em feiras e eventos, a droga era apresentada com supostos benefícios à saúde, sem comprovação científica.
Esquema logístico sofisticado
A polícia descobriu que os entorpecentes eram enviados por Correios e transportadoras privadas, em um modelo similar ao dropshipping. Entre 2024 e 2025, foram rastreadas 3.718 encomendas postais, somando aproximadamente 1,5 tonelada de drogas enviadas a diferentes estados.
Para ocultar os lucros, os investigados usavam empresas de fachada registradas no ramo alimentício, prática que dificultava o rastreamento dos valores ilícitos.
Valores e penas previstas
A quadrilha trabalhava com preços que variavam de R$ 84,99 (3 gramas) a R$ 9,2 mil (1 kg) da droga. O cultivo principal rendia cerca de R$ 400 mil por mês.
Os investigados podem responder por tráfico de drogas qualificado, associação criminosa, lavagem de dinheiro, crimes ambientais, crimes contra a saúde pública, publicidade abusiva e curandeirismo. Caso condenados, os líderes podem enfrentar até 53 anos de prisão.
O que você precisa saber
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Operação: deflagrada nesta quinta (4) em Vitória e outros estados.
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Prisão: homem de 37 anos preso com grande quantidade de cogumelos alucinógenos.
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Esquema: rede interestadual usava redes sociais, marketing digital e logística via Correios.
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Movimentação: R$ 26 milhões entre 2024 e 2025.
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Encomendas: 3.718 pacotes enviados; cerca de 1,5 tonelada de drogas distribuídas.
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Penas: líderes podem pegar até 53 anos de prisão.
