A perda de cabelo é uma das consequências mais visíveis do tratamento contra o câncer e, para muitos pacientes, atinge diretamente a autoestima. No Espírito Santo, a doação de cabelos ganha agora um incentivo oficial com a sanção da Lei nº 12.556/2025, que institui a Campanha Estadual de Incentivo à Doação de Cabelo às Pessoas Carentes em Tratamento de Câncer, a ser realizada anualmente em 27 de novembro, Dia Nacional de Combate ao Câncer.
De autoria do deputado Dr. Bruno Resende, a lei reconhece o impacto social das perucas confeccionadas a partir de cabelos doados — itens que vão além da estética e se tornam instrumentos de resgate da autoestima, especialmente para mulheres em situação de vulnerabilidade.
Mais que um acessório, um cuidado emocional
No ambulatório de oncologia do Hospital Evangélico de Vila Velha, a psicóloga Daianne Senna acompanha de perto esse impacto. “A peruca não é acessório; é resgate da autoestima. Muitas pacientes evitam o espelho durante o tratamento. Quando escolhem a peruca, voltam a se reconhecer”, explica.
Segundo ela, o cabelo é símbolo de identidade e empoderamento feminino. Embora homens também sintam a perda, o impacto emocional costuma ser maior entre as mulheres, pela relação histórica e cultural com os fios.
Rede solidária que transforma vidas
A confecção e a distribuição das perucas dependem de uma cadeia solidária. Cabeleireiros voluntários, instituições e ONGs recebem as doações e transformam os fios em peças que são emprestadas às pacientes durante o período da quimioterapia.
Há mais de 20 anos, o cabeleireiro Dirceu Paigel atua de forma voluntária nesse trabalho. Há 13 anos, mantém o banco de perucas do Hospital Evangélico. “O retorno não é financeiro. É ver a autoestima voltar, as famílias felizes e a superação em um momento de dor”, relata.
As perucas são emprestadas por cerca de seis meses, período médio do tratamento, e depois devolvidas para higienização e reutilização por outras pacientes — um ciclo contínuo de solidariedade.
Do gesto pessoal à política pública
A campanha estadual fortalece uma prática que já cresce no Espírito Santo, impulsionada por pessoas sensibilizadas pela causa. O estudante de jornalismo Natan de Oliveira, de 22 anos, deixou o cabelo crescer por anos até decidir doá-lo. “Foi libertador. Percebi que abrir mão de uma vaidade podia fazer diferença real na vida de alguém”, conta.
Histórias como a de Cleudes Dias Nogueira mostram a força simbólica da doação. Ex-doadora e hoje beneficiária, ela enfrentou o câncer durante a gravidez. “A peruca é como plantar uma semente de esperança na cabeça da pessoa. A autoestima volta, o brilho retorna”, afirma.
Onde doar cabelo no Espírito Santo
As doações podem ser feitas em instituições que recebem e encaminham os fios para confecção de perucas:
AFECC – Hospital Santa Rita – Vitória
ACACCI – Vitória
Hospital Evangélico de Vila Velha – Vila Velha
GAPCCI – Cachoeiro de Itapemirim
Associação Amigas Para o Bem Viver – Colatina
Em geral, é solicitado comprimento mínimo de 15 centímetros, com os fios limpos e secos.
💗 O que você precisa saber
Nova lei: cria campanha estadual de doação de cabelo
Data oficial: 27 de novembro
Finalidade: confecção de perucas para pacientes com câncer
Impacto: resgate da autoestima e apoio emocional
Como ajudar: doar cabelo em instituições credenciadas

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