A Pimenta-do-reino vive um dos momentos mais fortes da história no Espírito Santo. Em 2025, as exportações capixabas da especiaria atingiram US$ 347 milhões, maior valor já registrado pelo Estado, com crescimento de 113% em relação a 2024.
O avanço consolidou o Espírito Santo como principal força brasileira no mercado internacional da pimenta-do-reino. Atualmente, o Estado responde por 69% de todas as exportações nacionais do produto e ampliou sua presença em mercados estratégicos da Europa, Ásia e América.
Produção cresce e transforma cenário agrícola
Os números revelam uma transformação estrutural no campo capixaba. Desde 2014:
a área plantada cresceu 658%;
a produção aumentou nove vezes;
e a produtividade média chegou a 3.634 quilos por hectare em 2024.
O que antes era uma cultura secundária no norte capixaba passou a ocupar posição estratégica no agronegócio estadual, tornando-se o terceiro maior gerador de divisas do setor, atrás apenas do café e da celulose.
Hoje, a pimenta produzida no Espírito Santo chega a 59 países.
Preço elevado impulsionou expansão
O principal motor desse crescimento foi o aumento expressivo dos preços internacionais.
Em 2024, o quilo da pimenta capixaba era exportado a US$ 4,32. Já em 2025, o valor saltou para US$ 6,16, alta de 43% em apenas um ano.
No mercado interno, o produto chegou a ultrapassar R$ 40 o quilo em alguns períodos de 2024, reflexo da combinação entre:
quebra de produção causada por calor e estiagem;
oferta reduzida;
e demanda internacional aquecida.
O cenário incentivou novos investimentos e acelerou a expansão das lavouras no Espírito Santo.
Vietnã segue como principal concorrente global
Apesar do momento positivo, o produtor capixaba acompanha atentamente o cenário internacional.
O Vietnã, maior produtor e exportador mundial de pimenta-do-reino, exportou 31 mil toneladas apenas em abril de 2026, crescimento de 16,8% sobre o mesmo período do ano anterior.
A pimenta vietnamita está sendo negociada praticamente no mesmo patamar do produto brasileiro no mercado internacional, entre US$ 6.100 e US$ 6.200 por tonelada.
Com maior oferta no mercado global, compradores internacionais passam a pressionar preços, principalmente durante o período de colheita vietnamita.
Acordo Mercosul-União Europeia amplia oportunidades
Outro fator considerado estratégico para o setor é o acordo entre Mercosul e União Europeia.
A pimenta-do-reino entrou na categoria que prevê redução gradual das tarifas de importação, com isenção total prevista até o quinto ano do acordo.
O mercado europeu é visto como um dos mais promissores para o crescimento da especiaria capixaba. A Alemanha, por exemplo, importou 2.568 toneladas de pimenta apenas em fevereiro de 2026, alta de 57% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A expectativa do setor é de expansão contínua da demanda europeia nos próximos anos.
Qualidade e estratégia serão decisivas
Especialistas avaliam que o ciclo de forte valorização ainda não terminou, mas já começa a entrar em uma fase mais madura.
Com mais produtores entrando na atividade e crescimento da oferta global, o diferencial competitivo tende a depender cada vez mais de:
produtividade;
qualidade;
rastreabilidade;
e capacidade de negociação internacional.
Para o produtor capixaba, o desafio agora é transformar o atual momento favorável em crescimento sustentável e rentabilidade consistente no longo prazo.
📌 O que você precisa saber
ES exportou US$ 347 milhões em pimenta-do-reino em 2025
Crescimento foi de 113% em relação a 2024
Estado responde por 69% das exportações brasileiras
Área plantada cresceu 658% desde 2014
Produção multiplicou por nove em uma década
Produto capixaba chega atualmente a 59 países
Vietnã segue como principal concorrente global
Acordo Mercosul-UE deve ampliar competitividade da especiaria capixaba

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