O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) determinou a exoneração definitiva do policial militar Daniel de Oliveira Faria, que emprestou a própria arma para a então namorada cometer o assassinato de uma amiga, em um crime ocorrido em 2020, em Aparecida de Goiânia. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) e confirma a perda de posto, patente e a demissão do oficial da Polícia Militar.
O caso ganhou repercussão nacional à época por ter sido registrado por câmeras de segurança, que flagraram o momento em que o policial entrega a pistola à namorada pouco antes do disparo fatal.
Decisão judicial confirma exclusão definitiva
De acordo com o TJ-GO, Daniel cometeu atos considerados incompatíveis com o oficialato, sendo declarado “indigno de permanecer nos quadros da Polícia Militar”. O entendimento da Justiça confirmou a conclusão do Conselho de Justificação, instaurado pela própria corporação após o crime.
A medida foi formalizada por decreto do governador de Goiás, em cumprimento à decisão judicial, encerrando definitivamente o vínculo do então capitão com a PM.
Crime foi filmado por câmeras de segurança
O assassinato ocorreu na madrugada de 8 de novembro de 2020, em uma rua próxima a uma boate no Sítio Santa Luzia. As imagens mostram o momento em que Nayara Lopes Palmeira dos Santos, namorada do policial à época, pede a arma. Daniel saca a pistola e a entrega diretamente em sua mão.
Logo após, uma terceira pessoa reage, questionando a atitude do militar. Segundos depois, um disparo é ouvido. A vítima, Ketlen Lorrane Carvalho, de 21 anos, foi atingida na testa e morreu no local. Após o tiro, o policial corre, enquanto a autora do disparo afirma ter matado a jovem.
Motivação envolvia desentendimentos pessoais
Segundo a investigação conduzida pela Polícia Civil, Ketlen e Nayara haviam morado juntas por cerca de três anos. Um mês antes do crime, a vítima deixou o imóvel, e desde então as duas passaram a discutir com frequência, principalmente por dívidas relacionadas a contas domésticas, como energia elétrica.
O delegado responsável pelo caso à época, Rogério Bicalho, afirmou que os conflitos se intensificaram até culminarem no homicídio.
Posicionamento da Polícia Militar
Em nota oficial, a Polícia Militar de Goiás (PMGO) informou que instaurou o Conselho de Justificação de forma regular e que a exclusão do militar seguiu rigorosamente os trâmites legais, com posterior confirmação pelo Poder Judiciário.
A corporação destacou ainda que atua em estrita observância às decisões judiciais e aos princípios que regem a atividade militar estadual.
Um caso que marca ruptura definitiva
A decisão judicial encerra um processo que se arrastava há anos e reforça o entendimento de que condutas que colocam vidas em risco e violam o dever funcional são incompatíveis com a carreira militar. Para especialistas em segurança pública, o caso simboliza um limite institucional claro entre a função policial e crimes cometidos fora – e dentro – do exercício da autoridade.
🟨 O que você precisa saber
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Quem: Daniel de Oliveira Faria, ex-capitão da PM de Goiás
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Decisão: perda de posto, patente e demissão definitiva
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Motivo: emprestou arma para a namorada cometer homicídio
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Crime: assassinato de Ketlen Lorrane Carvalho, 21 anos, em 2020
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Local: Aparecida de Goiânia (GO)
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Prova-chave: crime registrado por câmeras de segurança
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Situação atual: exclusão confirmada pela Justiça e publicada no DOE

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