Moradores, lideranças políticas e representantes da concessionária EDP participaram, na manhã desta quarta-feira (7), de uma audiência pública promovida pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) no auditório da Promotoria de Justiça de Vargem Alta. A reunião foi convocada para tratar das possíveis irregularidades no fornecimento de energia elétrica no município, diante de constantes quedas, instabilidade e falta de atendimento às demandas da população.
A audiência foi conduzida pelo promotor de Justiça Daniel de Andrade Novas, que abriu os trabalhos destacando a importância da energia elétrica como direito essencial para a dignidade humana. Ele explicou que já existe um inquérito civil em curso, mas a audiência serve como instrumento complementar para diagnosticar mais profundamente os problemas enfrentados pela população. O conteúdo será registrado em ata e disponibilizado no site do MPES em até 10 dias.
“Energia é dignidade”: relatos emocionados de moradores
A reunião teve a participação do vereador Célio Sartori, presidente da Câmara Municipal, do vice-prefeito Eugênio Agrizzi, do representante da EDP Ricardo Augusto Filho, do assessor do Centro de Apoio à Defesa do Consumidor do MPES, Everton Gonçalves, e de lideranças comunitárias de diversas regiões do município.
Durante sua fala, o vice-prefeito Eugênio Agrizzi reforçou a importância do fornecimento de energia elétrica para o cotidiano das famílias e o desenvolvimento de Vargem Alta. Ele destacou que, por se tratar de uma empresa multinacional com vasta experiência, a EDP tem plena capacidade técnica e operacional para solucionar os problemas relatados pela população, melhorar a potência da rede, aumentar a agilidade nos atendimentos e garantir mais eficiência no serviço. Agrizzi também incentivou os moradores a usarem o espaço da audiência para relatar suas dificuldades diretamente à empresa e ao Ministério Público, ressaltando que a escuta ativa da comunidade é fundamental para avanços concretos.
Moradores de áreas como Guiomar, Boa Esperança, Alto Pombal, São Benedito, Morro da Formiga, Ipê e o distrito de Jaciguá relataram problemas graves, como piques constantes de energia, queima de eletrodomésticos, e instabilidade que afeta tanto a vida doméstica quanto a economia local.
Rafaela, presidente da Associação de Guiomar, destacou a precariedade para famílias com crianças e ausência de sinal de celular, agravada pelas quedas de energia. Empresários também manifestaram preocupação: Raul Sartori, do setor de mármore e granito, citou um prejuízo de R$ 50 mil causado pela queima de equipamentos, e Cláudio Pazetto, da ADERJA, reforçou os impactos sofridos por empresas de rochas ornamentais de Jaciguá e pelo Hospital Padre Olívio, pedindo um reposicionamento da rede elétrica que abastece a região.
Concessionária promete análise e MP cobra respostas
O representante da EDP reconheceu os relatos da população e mencionou dificuldades com a vegetação fora da faixa de servidão de 7 metros, o que dificulta a manutenção. Ele prometeu analisar as áreas apontadas caso a caso. No entanto, o promotor Daniel Novas destacou que, mesmo dentro dos padrões da Aneel, as falhas geram impactos profundos nas comunidades e cobrou transparência, agilidade e respostas mais efetivas da empresa.
O promotor solicitou formalmente à concessionária que apresente, em até 10 dias, um levantamento dos principais problemas enfrentados na região. Além disso, ele orientou os moradores a enviarem seus relatos e demandas diretamente ao Ministério Público, por meio da ouvidoria online, disponível em:
https://ouvidoria.mpes.mp.br/#/
A advogada da EDP, Juliana Veronez, também reforçou que os cidadãos devem registrar suas queixas oficialmente. A audiência foi encerrada com o compromisso de que os casos serão avaliados individualmente, com retorno à população assim que os estudos forem concluídos.
