O café capixaba pode estar diante de uma virada estratégica na logística de exportação. A assinatura de um termo de compromisso entre o Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV) e o Porto da Imetame abre caminho para redução de custos, maior previsibilidade operacional e ampliação das vendas externas do produto símbolo do Espírito Santo.
Com vigência de três anos, o acordo estabelece uma cooperação técnica inédita, permitindo que produtores e exportadores participem desde a origem da construção da solução logística do novo terminal. Na prática, estão previstos estudos conjuntos, troca de informações estratégicas e criação de comitês técnicos, responsáveis por definir demandas reais do setor, como volume de contêineres, fluxos de embarque, necessidade de armazéns e previsibilidade das operações.
Para um setor que comercializa grande parte da produção antes mesmo da colheita, a previsibilidade logística deixa de ser diferencial e passa a ser condição básica para fechar contratos internacionais.
Hoje, apesar de liderar a produção nacional de café conilon, abrigar indústrias de café solúvel e também produzir arábica, o Espírito Santo enfrenta gargalos históricos na exportação. A limitação de rotas internacionais a partir de Vitória obriga o uso frequente dos portos de Santos e Rio de Janeiro, elevando custos, ampliando o tempo de trânsito e reduzindo a competitividade do café capixaba no mercado global.
Com o Porto da Imetame, a expectativa é inverter essa lógica. A ampliação da oferta de contêineres, a entrada de um operador global e o fortalecimento das rotas de exportação devem permitir que mais café seja embarcado diretamente pelo Espírito Santo, recuperando volumes hoje desviados para outros estados e garantindo regularidade no fluxo de exportação.
Segundo o presidente do CCCV, Fabrício Tristão, a logística já se tornou um dos principais gargalos do setor.
“A estrutura portuária capixaba é o nosso valor para continuar competitivo como exportador de café verde e café solúvel. A logística hoje limita o crescimento do setor”, afirmou.
Ao alinhar a operação portuária à realidade do mercado cafeeiro, o novo modelo tende a gerar ganhos de escala, redução da imprevisibilidade de custos e maior segurança comercial. No fim da cadeia, o impacto chega diretamente ao produtor, com margens mais sustentáveis e maior capacidade de o Espírito Santo disputar espaço em um mercado global cada vez mais exigente.
🧾 O que você precisa saber
Acordo: CCCV e Porto da Imetame
Prazo: vigência de 3 anos
Objetivo: reduzir custos logísticos e ampliar exportações
Diferencial: produtores participam da definição da operação portuária
Problema atual: dependência dos portos de Santos e Rio de Janeiro
Impacto esperado: mais competitividade, previsibilidade e margem ao produtor
Produto estratégico: café conilon, arábica e café solúvel do ES

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