Uma operação da Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) flagrou um posto de combustível desviando quase 100 mil litros de água por mês no bairro Muquiçaba, em Guarapari, na última terça-feira (27). A ação, realizada com apoio da Polícia Militar, faz parte do combate às ligações clandestinas conhecidas como “gatos de água”, prática considerada fraude e crime contra o serviço público.
Ao todo, sete pontos de ligação irregular foram identificados e imediatamente removidos. A gerente do estabelecimento foi conduzida à delegacia para prestar esclarecimentos, e o caso segue sob apuração policial.
Água desviada afeta quem paga pelo serviço
Segundo a Cesan, o volume irregularmente consumido era suficiente para atender milhares de moradores que pagam regularmente pela água tratada. Além do prejuízo financeiro, a prática compromete diretamente o sistema de abastecimento.
“Além do prejuízo financeiro, o consumo irregular reduz a pressão da água na rede e compromete o abastecimento da população”, informou a companhia.
O desvio também gera desperdício de um recurso natural essencial e dificulta o planejamento técnico da distribuição, sobretudo em períodos de maior demanda.
Metade da água de Guarapari é desviada
O caso expõe um problema estrutural ainda mais grave. Em entrevista recente, o diretor-presidente da Cesan, Munir Abud, revelou que cerca de 50% da água tratada em Guarapari é desviada por ligações irregulares antes de chegar às residências.
Em outro flagrante, no dia 14 de janeiro, 36 mil litros diários eram desviados para um rancho em Nova Guarapari — volume suficiente para abastecer 240 pessoas por dia.
Segundo Abud, os desvios abastecem desde casas e restaurantes até chácaras, sítios de lazer, lagos artificiais e piscinas, prática que se intensifica no verão.
“No verão, esse número fica mais expressivo. Essa água começa a fazer mais falta. Precisamos combater, sob pena de ineficiência operacional”, afirmou.
Crime, investigação e responsabilização
Após identificar a irregularidade, a Cesan realiza o bloqueio imediato da ligação clandestina e aciona as autoridades policiais. A apuração criminal pode resultar em responsabilização judicial.
“Isso é uma prática criminosa. Cabe à polícia instaurar investigação e, se confirmada, encaminhar ao Ministério Público para eventual denúncia”, explicou Munir Abud.
A companhia reforça que denúncias anônimas podem ser feitas pelo telefone 115 ou pelo aplicativo da Cesan, ferramenta considerada essencial no combate às fraudes.
O que você precisa saber
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Local: bairro Muquiçaba, Guarapari (ES)
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Irregularidade: desvio de quase 100 mil litros de água por mês
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Responsável: posto de combustível
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Ação: operação da Cesan com apoio da Polícia Militar
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Medidas: retirada de 7 ligações clandestinas e condução da gerente à delegacia
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Dado alarmante: cerca de 50% da água tratada de Guarapari é desviada
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Denúncias: telefone 115 ou aplicativo da Cesan

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