A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa discutiu, nesta terça-feira (2), a necessidade de ampliar e estruturar políticas públicas voltadas aos povos ciganos no Espírito Santo. Estudiosos e gestores da área de igualdade racial foram convidados pelo colegiado para apresentar diagnósticos, desafios e caminhos para garantir direitos historicamente negados a essas comunidades.
A jornalista e pesquisadora Déborah Sathler, que estuda povos ciganos há 15 anos em seus trabalhos de mestrado e doutorado na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), destacou que o Estado se torna referência nacional na temática, especialmente pela oferta de cursos de letramento étnico-racial cigano para servidores públicos responsáveis por políticas sociais.
Apesar dos avanços, a pesquisadora ressaltou a ausência de dados completos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre essas populações. As informações disponíveis atualmente são provenientes do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), o que representa apenas o recorte dos ciganos em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
Segundo Déborah, o Brasil é o terceiro país do mundo com maior presença cigana, atrás apenas da Romênia e dos Estados Unidos. No Espírito Santo, há registro da presença desses povos em 25 municípios.
A deputada Camila Valadão (Psol), presidente da comissão, citou que Serra, Fundão, São Mateus, Colatina e João Neiva concentram as maiores comunidades ciganas do Estado. Ela alertou que a discriminação histórica, a invisibilidade institucional e a negação de direitos básicos ainda marcam a realidade dessas famílias, o que limita o acesso à educação, saúde, documentação civil e demais políticas públicas.
“É a primeira vez que esse debate é feito na nossa comissão, e iniciamos esse diálogo com enorme responsabilidade. O próximo passo é realizar uma audiência pública com a participação direta dos povos ciganos”, afirmou.
📌 O QUE VOCÊ PRECISA SABER — POS BOX
Comissão de Direitos Humanos debateu, pela primeira vez, a situação dos povos ciganos no ES.
Especialistas apontam falta de dados específicos do IBGE; CadÚnico ainda é a única fonte nacional.
Brasil é o terceiro país com maior população cigana do mundo.
No ES, 25 municípios têm presença cigana; Serra, Fundão, São Mateus, Colatina e João Neiva lideram.
Comunidades enfrentam discriminação, invisibilidade institucional e barreiras de acesso a serviços públicos.
Audiência pública com participação das comunidades deve ser convocada pela Ales.

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