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Quarta-feira, 21 de Janeiro 2026

Polícia

Quadrilha do “falso advogado” criou curso para treinar golpistas e aplicou golpes no ES e em vários estados

Grupo do Ceará vendia método criminoso, recrutava iniciantes e fazia vítimas perderem até R$ 10 mil; criminosos se passavam por advogados e usavam dados reais da Justiça.

Conexão ES Redação
Por Conexão ES Redação
Quadrilha do “falso advogado” criou curso para treinar golpistas e aplicou golpes no ES e em vários estados
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Uma investigação da Polícia Civil revelou que a quadrilha responsável pelo golpe do falso advogado estruturou um esquema profissionalizado para treinar novos golpistas e expandir a atuação em diversos estados, incluindo o Espírito Santo. A organização, sediada em Maracanaú (CE), recrutava pessoas com ou sem antecedentes criminais e oferecia um “curso” que ensinava como aplicar o golpe, mediante pagamento de comissão.

A operação, realizada em outubro e detalhada nesta terça-feira (09), identificou que criminosos utilizavam bases de dados judiciais, fotos reais de advogados e contato direto com vítimas para simular o recebimento de indenizações. Uma das vítimas perdeu R$ 10 mil.

“Modelo de negócio” e venda da técnica criminosa

Segundo o delegado Guilherme Eugênio Rodrigues, titular da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme), o grupo estruturou o golpe como se fosse um empreendimento ilícito.

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“Uma organização criminosa criou um modelo de negócio e recrutou pessoas com ou sem histórico criminal. Elas entenderam que esse caminho proporcionava um dinheiro fácil”, afirmou o delegado.

Entre os investigados estão:

  • Raylisson Alves Cavalcante, 21 anos – foragido;

  • Thalisson Felipe Nobre de Mendonça, 25 anos – preso;

  • Luana Tamyres Sousa Matos, 19 anos – responde em liberdade;

  • Vitoria Mariane Sombra de Almeida, 25 anos – responde em liberdade.

Todos atuavam diretamente no contato com as vítimas. Segundo a investigação, Thalisson aplicava os golpes especificamente contra pessoas do Espírito Santo.

Como funcionava o golpe

A quadrilha acessava informações de processos judiciais e identificava pessoas que haviam vencido ações. Em seguida, os golpistas:

  1. Usavam a foto real do advogado responsável pelo processo;

  2. Criavam um novo número de WhatsApp com a imagem do profissional;

  3. Informavam que o cliente teria dinheiro a receber;

  4. Exigiam o pagamento antecipado de “custas” ou “taxas” para liberar o valor.

Os pagamentos iniciais eram baixos, entre R$ 1 mil e R$ 5 mil. Se a vítima caísse na fraude, o grupo aumentava os valores solicitados.

Uma vítima capixaba relatou que recebeu mensagens usando a imagem de seu advogado de Vila Velha:

“A causa tinha sido concluída e eu teria um pagamento, mas precisava vincular a conta. Passei meus dados achando que era verdade.”

Golpes registrados no Espírito Santo

Vítimas da Grande Vitória relataram situações idênticas. Criminosos acessaram dados reais de clientes de um advogado e se passaram por ele para solicitar transferências bancárias.

A polícia apreendeu aparelhos eletrônicos usados para aplicar os golpes e confirmou que a organização atendia vítimas de vários estados, com atuação concentrada no WhatsApp.

Orientações da Polícia Civil para evitar fraudes

O delegado-geral da Polícia Civil, Darcy Arruda, reforça que suspeitar de mensagens inesperadas é essencial para evitar golpes:

“Quando receber informação de que tem dinheiro a receber, entre em contato diretamente com seu advogado. Ele tem um canal oficial: e-mail, telefone do escritório ou plataforma do Judiciário.”

A PC orienta que vítimas registrem boletim de ocorrência e nunca realizem pagamentos antes de confirmar a veracidade da informação com o profissional responsável.

📌 O que você precisa saber

  • Quadrilha do CE treinava golpistas e vendia a técnica do falso advogado.

  • Golpistas acessavam dados reais da Justiça e se passavam por advogados no WhatsApp.

  • Vítimas do ES perderam até R$ 10 mil.

  • Quatro investigados foram identificados; um segue foragido.

  • Delegado alerta: nunca acredite em mensagens sobre indenizações sem confirmar com seu advogado.

  • Polícia Civil segue a investigação para identificar demais envolvidos e ampliar prisões.

FONTE/CRÉDITOS: Folha Vitória
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