Em Alfredo Chaves, o palco brilhou – mas foram as emoções infantis que roubaram a cena. Durante a programação da 50ª Festa da Banana, a presença marcante do público mirim em uma apresentação teatral revelou muito mais do que aplausos: revelou a urgência de se investir, valorizar e promover o acesso das crianças e jovens à arte, à literatura e à cultura local.
Em meio à euforia das comemorações, o teatro se mostrou uma poderosa ferramenta de educação emocional e conexão com as raízes. A peça, voltada especialmente para o público infantil, encantou pelas cores, personagens e histórias, mas também despertou algo mais profundo: a importância de contar nossas próprias narrativas — aquelas que pertencem à identidade do povo alfredense.

A força das histórias que nos formam
Apresentar a literatura e a cultura de Alfredo Chaves desde cedo é mais do que uma proposta artística — é uma ação estratégica de preservação e valorização. As crianças que ouvem as histórias do seu município, que conhecem seus personagens, que riem e choram com suas peças e livros, tornam-se adultos mais conscientes de quem são e de onde vêm.
Iniciativas como essa evidenciam a necessidade de proporcionar momentos de leitura e conhecimento para a juventude, com livros acessíveis, peças teatrais lúdicas e projetos culturais que dialoguem com a realidade local. O incentivo à leitura desde a infância abre portas para a criatividade, para o pensamento crítico e para o desenvolvimento socioafetivo.

Teatro: mais que espetáculo, um espelho emocional
A arte teatral, em especial, desempenha um papel valioso no desenvolvimento das emoções. No palco, as crianças se reconhecem, elaboram sentimentos, vivem experiências simbólicas que ajudam a construir empatia, autoconsciência e entendimento das relações humanas.
Segundo educadores e artistas envolvidos, o teatro infantil vai além do entretenimento: “É uma ferramenta transformadora. A criança que assiste a uma peça teatral se conecta com suas emoções, amplia seu vocabulário emocional e aprende a lidar com situações da vida real”, comentou uma das responsáveis pela produção da peça apresentada no evento.
"O que me chamou a atenção na peça teatral foi o cuidado em inserir informações sobre o rio Benevente, o mais importante do município de Alfredo Chaves-ES, e a participação da atriz alfredense Lara Sartori, da Trupe Vez e Voz, membro do elenco do Dinâmico e Dourados Produções. Essa atitude contribuiu para despertar o sentimento de pertencimento no público, principalmente nas mais de 350 crianças que assistiram ao espetáculo". Teresa Cristina Xavier levou o filho e a filha para assistirem à peça teatral Sítio do Pica-Pau Amarelo em "O Mistério do Jequitibá Rosa".

Um chamado à ação cultural
O sucesso do espetáculo reforça um apelo coletivo: é preciso criar mais oportunidades para que a arte, a literatura e o teatro cheguem às escolas, às praças, às bibliotecas e aos corações das nossas crianças. Momentos como o da Festa da Banana são raros e preciosos — mas não podem ser isolados, conforme defendido pela gestora do Instituto Dinâmico, Prof ª Drª Francisca Mota, eterna defensora da cultura e da arte cênica no município.
O olhar para o futuro começa agora, e ele passa pelo incentivo contínuo à cultura local, ao conhecimento, à formação crítica e ao desenvolvimento emocional das novas gerações. Que a emoção estampada nos rostos das crianças durante a peça seja o sinal que faltava para que a sociedade como um todo compreenda: educar com arte é educar com alma.
