VARGEM ALTA (ES) — A educação de Vargem Alta amanheceu em luto neste domingo (21). Faleceu na madrugada Regina Célia Ardisson Sartori, aos 55 anos, após enfrentar com coragem e serenidade um câncer. Professora por vocação e educadora por essência, Regina deixa um legado que ultrapassa a sala de aula e se inscreve na memória afetiva de gerações de alunos, colegas e famílias.
Ainda não há definição sobre velório e sepultamento. As informações oficiais sobre horários e local serão divulgadas tão logo sejam confirmadas pela família. Regina era esposa do presidente da Câmara Municipal de Vargem Alta, Célio Hugo Sartori, companheiro de uma trajetória marcada pelo diálogo, pela fé e pelo compromisso com o bem coletivo.
Uma vida moldada pela educação desde a infância
Nascida em 20 de maio de 1970, na Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro de Itapemirim, Regina superou desafios desde os primeiros dias de vida. Caçula de cinco irmãos, cresceu na então Fazenda Três Irmãos Ardisson — hoje Comunidade de Ardisson — em um ambiente simples, profundamente conectado à terra, à família e aos valores da solidariedade.
Seu vínculo com a educação começou cedo. Ainda criança, insistia em acompanhar as aulas na pequena escola rural construída pela própria família, onde funcionavam turmas multisseriadas. Aprendeu a ler antes mesmo da idade regular para matrícula, sinal precoce da relação natural e afetuosa que teria com o conhecimento ao longo de toda a vida.
A educadora que ensinava com afeto
Formada em Letras, Regina dedicou quase 34 anos à educação, atuando nas redes pública e privada como professora de Língua Portuguesa, coordenadora pedagógica e gestora escolar. Foi servidora efetiva da rede estadual e passou por escolas que marcaram sua trajetória profissional, como Pedro Milaneze Altoé, Guilherme Milaneze e Presidente Lüebke.
Também foi uma das fundadoras do Centro Educacional Catarina Fiorot (CECAF), referência educacional em Vargem Alta por quase duas décadas. Mais do que cargos ou tempo de serviço, Regina deixou marca pela forma como exercia o magistério: com presença, escuta atenta e cuidado genuíno com cada aluno.
Sua prática pedagógica era guiada pela filosofia da “amorevolezza”, inspirada em Dom Bosco — educar com carinho, respeito e proximidade. Para Regina, educar era um ato cotidiano de amor concreto, expresso na paciência, na palavra acolhedora e na atenção às singularidades de cada criança e adolescente.
Um coração que marcou vidas
Quem conviveu com Regina costuma recorrer às mesmas palavras para defini-la: doce, bondosa, educada, generosa e profundamente humana. Sua ternura não se limitava ao ambiente escolar. Estava presente na forma como tratava colegas, famílias, alunos e amigos — sempre com serenidade, empatia e gentileza.
Casada há 25 anos, construiu uma família pautada no afeto. Embora não tivesse filhos biológicos, exercia a maternidade na essência: era referência de cuidado para a enteada Bárbara e para o neto-afilhado Guilherme, por quem nutria amor incondicional.
Mesmo durante o período de tratamento, manteve a dignidade, a fé e a força que sempre marcaram sua caminhada. Enfrentou a doença sem perder a delicadeza no olhar e a capacidade de confortar quem estava ao seu redor — virtude rara, que agora se transforma em legado.
Um legado que permanece
Regina Célia Ardisson Sartori não se despede apenas como professora. Parte como símbolo de humanidade, sensibilidade e compromisso com a educação, deixando sementes plantadas em cada vida que tocou. Sua ausência dói, mas sua história permanece viva — escrita com amor, dedicação e profundo sentido comunitário.
Em tempos de pressa e indiferença, Regina ensinou, com a própria vida, que educar é, antes de tudo, um gesto de cuidado com o outro.
📌 O que você precisa saber
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Falecimento: Regina Célia Ardisson Sartori morreu na madrugada deste domingo (21), aos 55 anos, após enfrentar um câncer
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Trajetória: quase 34 anos dedicados à educação
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Atuação: professora, coordenadora pedagógica e gestora escolar
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Instituições: redes pública e privada; fundadora do Centro Educacional Catarina Fiorot (CECAF)
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Família: esposa do presidente da Câmara de Vargem Alta, Célio Hugo Sartori
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Legado: referência de ternura, ética, fé e compromisso com a educação e com as pessoas

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