VITÓRIA (ES) — Enxergar bem nem sempre é sinônimo de saúde ocular. Diversas doenças que podem comprometer a visão evoluem de forma silenciosa e só apresentam sintomas quando já provocaram danos permanentes. O alerta ganha destaque neste 10 de julho, quando é celebrado o Dia da Saúde Ocular, data voltada à conscientização sobre a prevenção da cegueira e de doenças que afetam a visão.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 2,2 bilhões de pessoas convivem com algum tipo de deficiência visual em todo o mundo. Desse total, pelo menos 1 bilhão de casos poderia ter sido evitado ou tratado com diagnóstico precoce e acesso adequado aos serviços de saúde.
Para o oftalmologista Dr. Cesar Ronaldo Filho, do Hospital de Olhos Vitória, um dos maiores desafios é conscientizar a população de que a ausência de sintomas não significa, necessariamente, que os olhos estejam saudáveis.
"Grande parte das doenças que podem levar à perda da visão não provoca dor nem alteração visual nas fases iniciais. O glaucoma é o exemplo mais conhecido, mas alterações da retina, doenças relacionadas ao diabetes e até algumas doenças da córnea também podem evoluir de forma silenciosa. O exame oftalmológico periódico é a melhor forma de identificar esses problemas antes que eles causem danos irreversíveis", afirma.
Doenças exigem acompanhamento
Entre as doenças que merecem maior atenção está o glaucoma, considerado uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo. Como costuma evoluir sem sinais evidentes, o diagnóstico depende de consultas periódicas.
Outra condição frequente é a catarata, caracterizada pelo embaçamento progressivo da visão. Atualmente, o problema pode ser tratado por meio de cirurgia, considerada segura e com elevados índices de sucesso.
Pessoas com diabetes também precisam manter acompanhamento oftalmológico regular. A retinopatia diabética compromete os vasos sanguíneos da retina e pode provocar perda importante da visão quando não diagnosticada e tratada precocemente.
Após os 60 anos, aumenta a incidência da degeneração macular relacionada à idade (DMRI), doença que afeta a região central da retina e dificulta atividades como leitura, escrita e reconhecimento de rostos.
Já o olho seco tem se tornado cada vez mais frequente, impulsionado pelo uso prolongado de computadores e celulares, além da permanência em ambientes climatizados. Ardência, vermelhidão, sensação de areia nos olhos e desconforto estão entre os sintomas mais comuns.
Inverno exige atenção redobrada
De acordo com o especialista, o período de inverno favorece o aparecimento de problemas oculares. A baixa umidade do ar, os ambientes fechados e o aumento do tempo diante das telas contribuem para o ressecamento dos olhos e para o agravamento de alergias oculares.
Embora fatores como envelhecimento e predisposição genética influenciem o surgimento de algumas doenças, hábitos simples ajudam a preservar a visão ao longo da vida.
Entre as recomendações estão realizar consultas periódicas, controlar doenças como diabetes e hipertensão, utilizar óculos de sol com proteção contra os raios ultravioleta, evitar a automedicação — especialmente com colírios —, fazer pausas durante o uso prolongado de telas, manter alimentação equilibrada e não fumar.
Para o médico, a prevenção continua sendo a principal aliada da saúde ocular.
"A visão é um dos sentidos mais importantes para a nossa qualidade de vida, mas muitas pessoas só percebem isso quando começam a perdê-la. Na maioria dos casos, o diagnóstico precoce faz toda a diferença para preservar a visão e evitar danos que poderiam ser prevenidos", destaca.
O que você precisa saber
📅 Data: 10 de julho – Dia da Saúde Ocular
👨⚕️ Especialista: Dr. Cesar Ronaldo Filho, oftalmologista do Hospital de Olhos Vitória
⚠️ Principais doenças: Glaucoma, catarata, retinopatia diabética, degeneração macular relacionada à idade (DMRI) e olho seco.
👁️ Quem deve redobrar a atenção: Pessoas com mais de 40 anos, idosos, diabéticos, hipertensos e quem possui histórico familiar de doenças oculares.
✅ Como prevenir: Consultas oftalmológicas periódicas, controle de doenças crônicas, uso de óculos com proteção UV, pausas durante o uso de telas, alimentação saudável e evitar fumar.
🌎 Dado da OMS: Cerca de 2,2 bilhões de pessoas vivem com deficiência visual no mundo, e pelo menos 1 bilhão de casos poderia ter sido prevenido ou tratado com diagnóstico precoce.

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