CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM (ES) — O que os estudantes aprendem nas aulas de robótica ganhou um desafio fora da escola. Alunos dos 6º e 7º anos do Sesc Cachoeiro participaram da etapa estadual da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR) e colocaram à prova conhecimentos de programação e construção de robôs, além de habilidades como comunicação, criatividade, autonomia e trabalho em equipe.
A competição foi realizada nos dias 28 e 29 de agosto, em Vitória. Foi a primeira participação competitiva de alunos da Rede Sesc de Educação na OBR.
Ao todo, 12 estudantes, distribuídos pelas equipes Alfa Robots, Beta Robots e Gama Robots, disputaram a categoria Artística Nível 1. Quatro integrantes da Beta Robots receberam o reconhecimento de Excelência em Engenharia.
Do projeto à apresentação
A participação exigiu mais do que construir e programar um robô. Os estudantes também tiveram que apresentar o projeto, explicar as decisões tomadas durante seu desenvolvimento e responder à entrevista técnica prevista na avaliação.
Para o professor de Robótica do Sesc Cachoeiro, Igor Gomes Martins, essa dinâmica colocou os alunos diante de situações diferentes das encontradas normalmente em sala de aula.
“A experiência envolveu não somente a construção e programação dos robôs, mas também a preparação para a apresentação no palco e a entrevista técnica, momentos importantes da avaliação. O próprio regulamento estabelece que os estudantes precisam estar preparados para explicar aspectos relacionados ao projeto, à construção e à programação do robô”, explica.
O processo exigiu dos participantes domínio sobre aquilo que haviam desenvolvido e capacidade para comunicar suas ideias aos avaliadores.
Robótica começa ainda na Educação Infantil
Na Rede Sesc de Educação, a Robótica faz parte da grade curricular desde a Educação Infantil até o Ensino Fundamental.
As atividades evoluem de acordo com a etapa escolar. Entre os mais novos, são utilizados blocos de montagem e mecanismos. Posteriormente, os estudantes passam a trabalhar com recursos como micro:bit, sensores, programação em blocos, automação e prototipagem.
Segundo Igor, os projetos também dialogam com outras áreas do conhecimento.
“Já desenvolvemos, por exemplo, projetos envolvendo sustentabilidade, agricultura, meio ambiente, geografia, realidade virtual, cultura digital e STEAM. Dessa forma, o estudante percebe a tecnologia como uma ferramenta para compreender e transformar situações reais”, afirma.
A proposta é utilizar a robótica para estimular raciocínio lógico, criatividade, experimentação, resolução de problemas, coordenação motora, autonomia e trabalho coletivo.
Competição virou extensão da sala de aula
A estreia na OBR também levou a unidade a desenvolver uma rotina específica de preparação para competições, envolvendo estudantes, professores, famílias e a equipe de gestão.
Para Igor Gomes, o reconhecimento conquistado pela Beta Robots foi uma consequência de um processo mais amplo de aprendizagem.
“Para mim, enquanto professor, o principal resultado foi perceber a evolução dos alunos durante o processo de preparação. A competição se tornou uma extensão da sala de aula, na qual eles puderam colocar em prática autonomia, colaboração, criatividade e conhecimento técnico”, relata.
Os próprios estudantes perceberam mudanças na maneira de trabalhar coletivamente.
“Eu aprendi a trabalhar em equipe de uma maneira diferente, escutando as opiniões dos outros e sempre achando um jeito de resolver os nossos problemas”, conta Lara Santana.
Bernardo Lima também destacou a divisão de habilidades entre os integrantes. “Eu entendi que cada um sabe fazer uma coisa, cada um tem seu talento e fica mais fácil fazer as coisas quando é em grupo.”
Testar, errar e reconstruir
A experiência com a tecnologia também começa a despertar perspectivas para o futuro.
Isabella de Oliveira conta que uma das partes de que mais gosta é justamente o processo de tentativa e aperfeiçoamento dos projetos.
“O que eu mais gosto nas aulas de robótica é aprender novas formas de usar o código e, além de tudo, testar, errar, reconstruir e acertar. Isso pode me ajudar a seguir qualquer tipo de profissão, principalmente na Engenharia”, afirma.
Mais do que aprender a utilizar tecnologia, a proposta das aulas é fazer com que os estudantes participem de sua construção, investiguem problemas e desenvolvam soluções.
O que você precisa saber
- Competição: Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR)
- Etapa: estadual
- Participantes do Sesc Cachoeiro: 12 estudantes
- Turmas: 6º e 7º anos
- Equipes: Alfa Robots, Beta Robots e Gama Robots
- Categoria: Artística Nível 1
- Destaque: Beta Robots recebeu reconhecimento de Excelência em Engenharia
- Local da competição: Vitória
- Datas: 28 e 29 de agosto.

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