O início da safra de soja 2026/2027 exige atenção dos produtores rurais para uma ameaça que pode comprometer o desenvolvimento das lavouras antes mesmo do estabelecimento das plantas: a presença de javalis e javaporcos. Esses animais podem provocar prejuízos ao revolver o solo em busca de alimento, destruir sementes e danificar áreas cultivadas.
Pegadas, escavações, fezes, pelos e vegetação danificada estão entre os principais sinais de que esses animais circulam pela propriedade. A identificação dos vestígios permite localizar possíveis rotas de entrada e adotar medidas preventivas antes que os danos se ampliem.
Segundo Bruno Nolasco, gerente de negócios agro da Belgo Arames, o monitoramento das áreas e a manutenção das estruturas de proteção são fundamentais para reduzir os riscos.
“Com grande capacidade de adaptação e alimentação diversificada, esses invasores encontram nas regiões agrícolas as condições favoráveis para buscar alimentos. Identificar os primeiros indícios e manter as estruturas da fazenda em boas condições são medidas importantes para proteger a lavoura – e o bolso”, afirma.
Entenda a diferença entre javalis e javaporcos
Embora apresentem hábitos semelhantes, javalis e javaporcos possuem origens distintas.
O javali (Sus scrofa) é uma espécie exótica invasora no Brasil. Já o javaporco resulta do cruzamento entre javalis e porcos domésticos.
Ambos são animais onívoros, capazes de consumir raízes, frutos, sementes, grãos, vegetais e pequenos animais. Essa alimentação diversificada favorece sua adaptação a diferentes ambientes, incluindo regiões de produção agrícola.
De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), esses animais apresentam hábitos predominantemente noturnos e utilizam o focinho para escavar o solo em busca de alimento.
Nas lavouras de soja, esse comportamento pode provocar danos desde as primeiras etapas do cultivo, com o revolvimento da terra e a destruição de trechos recém-semeados.
A circulação em grupos também pode ampliar a extensão dos prejuízos, especialmente quando os animais encontram acesso frequente às áreas agrícolas.
Presença dos animais avança em diferentes regiões do Brasil
O aumento da presença de javalis e javaporcos preocupa produtores e autoridades responsáveis pela sanidade agropecuária.
Segundo levantamento de 2026 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), houve crescimento dos registros de ocorrência desses animais em municípios de todas as regiões brasileiras, incluindo localidades que não constavam no levantamento anterior, publicado em 2019.
Além dos danos às plantações, os suídeos asselvajados são considerados nas ações de vigilância sanitária relacionadas à saúde dos rebanhos suínos.
A preocupação envolve o potencial desses animais de participar da circulação de agentes causadores de doenças, o que exige acompanhamento pelos órgãos de defesa agropecuária.
Áreas próximas a matas e cursos d’água exigem atenção
A localização da propriedade e as características do entorno influenciam os riscos de entrada de javalis e javaporcos.
Trechos próximos a fragmentos de mata, rios, córregos e locais com disponibilidade de alimento podem funcionar como rotas de deslocamento.

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