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Segunda-feira, 28 de Setembro 2026
Economia

Cachoeiras, cafés e montanhas colocam Vargem Alta na rota do turismo

Município estrutura novos roteiros que conectam natureza, gastronomia, produção rural e experiências locais para atrair visitantes e fortalecer a economia.

Conexão ES Redação
Por Conexão ES Redação
Cachoeiras, cafés e montanhas colocam Vargem Alta na rota do turismo
A Pedra do Pontão, localizada em Fruteiras Nova, é um dos maiores cartões-postais e uma das 7 Maravilhas de Vargem Alta. Foto: Conexão ES
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VARGEM ALTA (ES) — Cachoeiras, montanhas, Mata Atlântica, cafés, gastronomia e patrimônio histórico formam um conjunto de ativos que Vargem Alta começa a explorar de maneira mais organizada. No município das Montanhas Capixabas, o desafio deixou de ser apenas divulgar lugares bonitos. Agora, a aposta é conectá-los a negócios capazes de transformar o fluxo de visitantes em renda.

Esse movimento passa pela criação de rotas, qualificação da oferta, melhoria dos acessos e aproximação entre poder público, comunidades e iniciativa privada. A lógica é ampliar as possibilidades de consumo durante a viagem: quem chega para conhecer uma cachoeira também pode almoçar em um restaurante, visitar uma propriedade, comprar café ou produtos de uma agroindústria e se hospedar na região.

Na administração do prefeito Elieser Rabello, a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, comandada por Joelma Fávero Martins, está à frente da política municipal para o setor. A pasta atua na articulação com empresários, produtores rurais, comunidades, Sebrae/ES e Governo do Estado, além de acompanhar projetos de infraestrutura e iniciativas voltadas à organização dos atrativos.

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O potencial está espalhado por diferentes regiões de Vargem Alta. Transformá-lo em uma cadeia economicamente ativa é a etapa que o município tenta acelerar.

Diversidade abre espaço para novos negócios

Uma das vantagens de Vargem Alta é não depender de um único perfil de público.

O território reúne características para desenvolver ecoturismo, aventura, observação de aves, turismo rural, gastronomia, experiências ligadas à produção agrícola e visitas a patrimônios históricos e religiosos.

Parte dessa diversidade ganhou visibilidade com a escolha das 7 Maravilhas de Vargem Alta. A iniciativa, realizada pelo Conselho Municipal de Turismo (Comtur) em parceria com a administração municipal, registrou mais de 700 votos na etapa final, em 2024.

Foram escolhidos a Pedra do Pontão, em Fruteiras Nova; a Cachoeira do Caiado, em Guiomar; a Ferrovia Leopoldina; o Presépio Artístico, em Jaciguá; o Mirante Alto Formoso, em São João do Oriente; o Colégio Salesiano, em Boa Esperança; e o Monumento Natural O Frade e a Freira.

A distribuição desses pontos pelo interior cria um desafio logístico, mas também uma oportunidade econômica. Se conectados em circuitos, eles podem estimular o deslocamento por diferentes localidades e levar consumo a estabelecimentos que estão fora da sede.

É justamente nessa conexão que as novas rotas começam a ganhar importância.

Rotas aproximam atrativos e empresas

Em 2026, a organização dos roteiros passou a ocupar espaço maior na agenda da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.

Sob a condução de Joelma Fávero Martins, a Sectur vem aproximando comunidades, empresas e instituições de apoio, ao mesmo tempo em que leva a outras esferas de governo demandas relacionadas aos acessos e à infraestrutura.

Em julho, a Secretaria e o Sebrae/ES avançaram nas discussões sobre iniciativas como o Circuito da Água e do Verde, a Rota da Saíra-Apunhalada e o Caminhos da Mata Atlântica Capixaba.

A parceria com o Sebrae/ES acrescenta um componente empresarial ao processo. Além de organizar territorialmente os atrativos, é necessário preparar os negócios para receber o público, desenvolver produtos e encontrar formas de comercializar o que cada região oferece.

Um dos exemplos dessa estratégia é o Caminhos da Mata Atlântica Capixaba, lançado oficialmente durante a RuralturES 2026, em agosto.

O roteiro conecta Vargem Alta, Castelo e a região de Pedra Azul, em Domingos Martins. Na primeira etapa, oito atrativos e empreendimentos passaram a integrar o percurso, reunindo natureza, gastronomia e produção local.

A integração regional amplia o leque de opções para quem viaja pelas Montanhas Capixabas. Para os negócios, abre a possibilidade de participar de um circuito mais abrangente e alcançar consumidores que talvez não chegassem ao município por meio de uma atração isolada.

Saíra-Apunhalada vira ativo turístico em Castelinho

Em Castelinho, a biodiversidade passou a ser utilizada como elemento de identidade.

A Rota Turística Saíra-Apunhalada foi apresentada a moradores e empresários em setembro. O nome faz referência a uma das aves mais emblemáticas da Mata Atlântica capixaba e ajuda a associar o território à conservação ambiental e ao turismo de natureza.

O projeto busca reunir estabelecimentos e atrativos da região em torno de uma proposta comum. Para funcionar comercialmente, porém, uma rota precisa ir além do nome e do trajeto. É necessário definir o que pode ser visitado, quais serviços estarão disponíveis e como o consumidor terá acesso a essas informações.

A observação de aves é uma das possibilidades desse mercado. Em maio, Vargem Alta participou do Avistar Brasil 2026, em São Paulo, evento dedicado ao segmento, apresentando seus atrativos naturais e a relação do município com a Saíra-apunhalada.

A iniciativa também oferece a Vargem Alta a possibilidade de trabalhar um nicho específico, em vez de competir apenas pela imagem tradicional do turismo de montanha.

Campo pode transformar produção em experiência

Outra oportunidade está nas propriedades rurais.

Vargem Alta já possui produção agrícola e agroindustrial que pode ser incorporada aos roteiros. Cafés, alimentos artesanais e produtos locais podem deixar de chegar ao consumidor somente pela prateleira e passar a fazer parte da própria viagem.

Para o pequeno produtor, isso abre novas fontes de receita.

Uma propriedade não precisa se transformar em hotel ou restaurante para entrar nesse mercado. Visitas guiadas, degustações, venda direta, apresentação dos processos produtivos e atividades no campo são algumas possibilidades.

Restaurantes, cafeterias, agroindústrias, pousadas e comércio podem se beneficiar da mesma circulação.

O ganho econômico aumenta quando uma viagem distribui consumo por vários estabelecimentos. O turista que chega motivado por uma paisagem pode comprar um produto local, fazer uma refeição e contratar outro serviço antes de deixar o município.

Quanto maior essa conexão, maior a chance de parte relevante dos gastos permanecer na economia local.

Frade e a Freira abre nova frente

O Monumento Natural O Frade e a Freira, um dos cartões-postais mais conhecidos da região, está no centro de outra iniciativa.

Localizado entre Vargem Alta e Itapemirim, o monumento passou a integrar discussões sobre trilhas, acessos e aproveitamento turístico do entorno.

Em 2025, uma visita técnica com participação do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) avaliou a possibilidade de reabertura de uma trilha pelo lado de Vargem Alta.

Em março de 2026, a Rota do Frade e da Freira reuniu empresários, produtores rurais, lideranças e representantes do poder público. A proposta prevê a conexão entre natureza, gastronomia, cultura regional, propriedades rurais e atividades de aventura.

No mês seguinte, a administração municipal apresentou à Secretaria de Estado do Turismo demandas relacionadas ao novo acesso pela região de Poço Dantas até a Pedra do Frade.

A pauta incluiu ainda a continuidade do calçamento em Pombal de Cima, a Casa do Turismo de Castelinho, o Parque da Saíra-Apunhalada, uma possível reserva municipal em Córrego Alto, ciclovia e ações relacionadas à antiga linha férrea Leopoldina.

Na gestão de Elieser Rabello, essa frente coloca a infraestrutura como parte da política de desenvolvimento do setor. Para localidades afastadas dos principais eixos rodoviários, a condição das estradas e a sinalização interferem diretamente na capacidade de receber público e movimentar os estabelecimentos.

Parte dos projetos ainda depende de execução ou continuidade, o que expõe um dos principais desafios para Vargem Alta avançar como destino.

Chegar é parte do negócio

Uma cachoeira pode despertar interesse nas redes sociais. Para gerar receita, no entanto, ela precisa estar inserida em uma jornada que funcione fora da tela.

Isso envolve estrada em condições adequadas, sinalização, informações atualizadas, alimentação, segurança e serviços disponíveis no entorno ou ao longo do percurso.

Em um município de território extenso e com muitos atrativos na área rural, a infraestrutura se torna uma questão econômica.

É nesse ponto que a atuação da Sectur se cruza com outras áreas da administração municipal e com o Governo do Estado. Enquanto a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo articula o desenvolvimento dos roteiros e dialoga com comunidades e empresas, obras de acesso e intervenções de maior porte dependem da participação de diferentes órgãos.

O mesmo vale para a comercialização.

Para sair do mapa e chegar ao mercado, um roteiro precisa ser fácil de entender e comprar. O viajante deve encontrar informações sobre localização, horários, contatos, preços quando aplicáveis, serviços oferecidos e formas de agendamento.

Sem essa etapa, existe o risco de uma boa iniciativa permanecer mais conhecida no planejamento do que na rotina dos consumidores.

Mais tempo na cidade, mais dinheiro circulando

O resultado econômico do turismo não depende somente do número de pessoas que chegam a Vargem Alta.

Também importa quanto tempo permanecem e quantos negócios acessam durante a viagem.

Uma visita rápida a um mirante produz impacto limitado. Um roteiro que combina natureza, almoço, café, compras de produtos locais, visita a uma propriedade e hospedagem distribui a receita por uma cadeia muito maior.

Essa lógica ajuda a explicar por que a organização dos percursos interessa também a quem não atua diretamente com hospedagem.

Produtores, agroindústrias, restaurantes, cafeterias, artesãos, comerciantes e prestadores de serviços podem participar do mesmo mercado.

O desafio é criar conexões suficientes para que o turista tenha motivos para permanecer.

Poder público organiza; iniciativa privada transforma oportunidade em negócio

O desenvolvimento do destino depende de responsabilidades complementares.

Ao município cabe planejar, articular políticas públicas, buscar melhorias de infraestrutura, organizar informações e promover o território. À iniciativa privada cabe criar produtos, investir em atendimento e transformar oportunidades em negócios sustentáveis.

Em Vargem Alta, a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo ocupa uma posição central nessa articulação. A pasta liderada por Joelma Fávero Martins mantém contato com comunidades e empresários e trabalha em parceria com instituições como o Sebrae/ES e órgãos do Governo do Estado.

Na administração do prefeito Elieser Rabello, as ações recentes também aproximaram a agenda turística das discussões sobre infraestrutura e desenvolvimento econômico.

O teste daqui para frente será transformar essa articulação em resultados mensuráveis: empresas atendidas, novos produtos disponíveis, aumento do fluxo, maior permanência e mais receita circulando no município.

O próximo passo é transformar roteiro em mercado

Vargem Alta ainda está construindo esse caminho.

Há projetos de infraestrutura a executar, percursos em diferentes estágios de desenvolvimento e gargalos de acesso e comercialização a superar. O município já avançou além da simples promoção de seus pontos naturais, mas ainda trabalha para conectá-los em uma cadeia mais integrada.

A diferença é que cachoeiras, montanhas, propriedades rurais, cafés e gastronomia começam a ser vistos como partes de um mesmo produto.

Sectur, Sebrae/ES, Comtur, Governo do Estado, comunidades e iniciativa privada ocupam posições diferentes nessa engrenagem. O resultado dependerá da capacidade de manter essas pontas conectadas e transformar planejamento em oferta disponível ao consumidor.

Para Vargem Alta, a matéria-prima já existe.

O próximo passo é fazer com que quem chega para ver a paisagem encontre razões para ficar, consumir e voltar.

O que você precisa saber

Potencial: Vargem Alta reúne Mata Atlântica, cachoeiras, montanhas, patrimônio histórico, cafés, produção rural e gastronomia.

Gestão: a política municipal para o setor é conduzida pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, comandada por Joelma Fávero Martins, na administração do prefeito Elieser Rabello.

Mercados: ecoturismo, turismo rural, aventura, observação de aves, gastronomia, patrimônio cultural e atividades ligadas à produção local.

Rotas: Circuito da Água e do Verde, Rota Turística Saíra-Apunhalada, Rota do Frade e da Freira e Caminhos da Mata Atlântica Capixaba estão entre as iniciativas em desenvolvimento.

Negócios envolvidos: pousadas, restaurantes, cafeterias, propriedades rurais, agroindústrias, comércio, artesãos e prestadores de serviços.

Gargalos: acessos, sinalização, infraestrutura, informação ao público e comercialização dos roteiros.

Desafio: aumentar o tempo de permanência e distribuir os gastos dos turistas por um número maior de negócios locais.

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