O mercado do café voltou a chamar a atenção dos produtores rurais. Somente neste mês de julho, o preço da commodity acumulou uma alta de aproximadamente 15%, reacendendo uma dúvida comum entre os cafeicultores capixabas: é melhor vender agora ou esperar por novas valorizações?
O avanço dos preços foi impulsionado por uma combinação de fatores, como os baixos estoques mundiais, o atraso na colheita brasileira e a expectativa de um El Niño de forte intensidade no segundo semestre de 2026, cenário que pode afetar importantes regiões produtoras, incluindo o Espírito Santo.
No mercado interno, a valorização foi significativa. A saca do café conilon passou de R$ 941 para R$ 1.117, enquanto o arábica saltou de R$ 1.393 para R$ 1.787.
Decisão exige planejamento, não emoção
Apesar do momento favorável, especialistas alertam que a decisão de vender ou continuar armazenando a produção deve ser baseada em planejamento financeiro e conhecimento dos custos da propriedade, e não apenas na expectativa de novas altas.
Segundo o analista da StoneX, Fernando Máximo, o primeiro passo é saber exatamente quanto custa produzir cada saca e qual margem de rentabilidade o produtor deseja alcançar.
"Antes de decidir vender ou esperar, o produtor precisa conhecer muito bem seu custo de produção e a rentabilidade que deseja obter com a atividade. Essa deve ser a principal referência para a tomada de decisão", afirma.
Ele ressalta que tentar acertar o ponto máximo do mercado é uma estratégia arriscada, já que o setor é altamente influenciado por fatores climáticos, econômicos e financeiros.
Clima preocupa e sustenta o mercado
Entre os principais fatores que sustentam a alta está a redução dos estoques globais de café. Segundo estimativas da StoneX, entre 2021 e 2024 cerca de 22 milhões de sacas foram retiradas dos estoques mundiais para atender ao consumo, reduzindo a oferta disponível.
Outro fator relevante é a previsão de um El Niño forte a muito forte ao longo do segundo semestre deste ano.
No Espírito Santo, esse fenômeno costuma provocar temperaturas mais elevadas e períodos de estiagem, aumentando o risco para o desenvolvimento da próxima safra.
Além disso, fundos internacionais ampliaram suas apostas no mercado de café, principalmente no robusta negociado na Bolsa de Londres, contribuindo para a valorização das cotações.
Comercialização em etapas reduz riscos
Embora o cenário seja positivo, especialistas alertam que o avanço da colheita brasileira tende a aumentar a oferta de café, o que pode provocar correções nos preços.
Por isso, a recomendação é evitar vender toda a produção de uma única vez ou apostar integralmente em novas altas.
A estratégia considerada mais segura é realizar a comercialização fracionada, vendendo parte da produção em diferentes momentos para construir um preço médio mais favorável e reduzir os riscos das oscilações do mercado.
Outra alternativa apontada é vender o café no mercado físico e utilizar parte dos recursos para adquirir opções de compra na bolsa, permitindo ao produtor participar de futuras altas sem permanecer totalmente exposto às quedas.
Câmbio e juros também influenciam
Além do comportamento das bolsas internacionais, o produtor deve acompanhar a cotação do dólar, já que o café é negociado internacionalmente na moeda norte-americana.
A taxa de câmbio influencia diretamente o preço recebido no mercado interno e pode potencializar ou reduzir os ganhos obtidos com a valorização internacional.
Outro aspecto destacado pelos analistas é o chamado custo de oportunidade. Com a taxa Selic em patamar elevado, vender parte da produção e aplicar os recursos em investimentos de renda fixa pode ser financeiramente mais vantajoso do que manter todo o café armazenado aguardando novas altas.
Para a próxima safra, a recomendação é aguardar a confirmação da florada e iniciar vendas futuras de forma gradual entre agosto e novembro, garantindo cobertura dos custos de produção e preservando parte da safra para aproveitar eventuais novas valorizações.
O que explica a alta do café?
📈 Valorização em julho
☕ Conilon: R$ 941 → R$ 1.117 por saca
☕ Arábica: R$ 1.393 → R$ 1.787 por saca
📌 Motivos da alta
✔️ Estoques mundiais reduzidos.
✔️ Atraso na colheita brasileira.
✔️ Expectativa de El Niño forte.
✔️ Maior atuação de fundos de investimento no mercado.
⚠️ O que pode pressionar os preços?
Avanço da colheita.
Aumento da oferta.
Mudanças nas condições climáticas.
Oscilações do dólar.
💡 Orientação dos especialistas
✅ Conhecer o custo de produção.
✅ Evitar decisões baseadas na emoção.
✅ Vender a produção de forma gradual.
✅ Diversificar estratégias de comercialização.
✅ Acompanhar clima, câmbio e mercado internacional.
A expectativa para os próximos meses dependerá principalmente da evolução do clima. Caso o El Niño provoque perdas nas lavouras, os preços podem continuar em alta. Se as condições climáticas permanecerem favoráveis, o mercado poderá voltar a trabalhar com expectativa de maior oferta em 2027, pressionando as cotações.

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