Com a chegada dos meses mais quentes, o produtor de leite precisa ficar atento ao comportamento do rebanho. Respiração acelerada, boca aberta, salivação excessiva, maior permanência em pé e procura frequente por sombra e água estão entre os sinais de que as vacas podem estar sofrendo com o estresse térmico.
A atenção ganha importância diante da perspectiva de temperaturas elevadas nos próximos meses. Segundo informações apresentadas pela MCassab Nutrição e Saúde Animal, com base em dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o cenário associado ao El Niño pode intensificar as condições de calor em diferentes regiões do país.
Na pecuária leiteira, os efeitos podem surgir antes mesmo de o produtor perceber uma redução significativa no volume de leite.
Menos alimento, menos leite
Quando submetidas ao calor excessivo, as vacas tendem a reduzir o consumo de alimentos. Essa mudança interfere diretamente na quantidade de nutrientes disponíveis para manutenção do organismo e produção.
Segundo Alex Scariot, coordenador técnico de leite da MCassab Nutrição e Saúde Animal, o estresse térmico pode provocar queda na produção e nos teores de gordura e proteína do leite, além de afetar a reprodução e contribuir para problemas sanitários, como mastite e alterações de casco.
“A vaca passa a gastar mais energia para tentar se resfriar e o organismo prioriza a manutenção da temperatura corporal. A produção, com isso, é prejudicada”, explica.
O comportamento do animal é, portanto, uma das primeiras ferramentas de observação disponíveis na propriedade. Alterações na respiração, no consumo de alimento e na busca por locais mais frescos podem indicar a necessidade de ajustes no manejo.
Água, sombra e ventilação
Algumas medidas relativamente simples podem ajudar a diminuir os efeitos das altas temperaturas. A oferta permanente de água limpa e fresca está entre as principais.
Sombra e ventilação adequada também são importantes para reduzir a exposição ao calor. Outra estratégia é concentrar o fornecimento de alimentos nos períodos mais frescos do dia e diminuir o tempo em que os animais permanecem sob o sol, especialmente antes da ordenha.
O produtor também pode acompanhar o Índice de Temperatura e Umidade (ITU), indicador que considera a combinação entre temperatura e umidade do ar para avaliar as condições de conforto térmico do rebanho.
Alimentação precisa acompanhar o período de calor
O manejo nutricional se torna mais desafiador quando as vacas diminuem o consumo. Mesmo ingerindo menor quantidade de alimento, os animais precisam receber os nutrientes necessários para manutenção e produção.
De acordo com Scariot, dietas com maior densidade nutricional, fibras de boa digestibilidade e atenção ao fornecimento de minerais, como sódio e potássio, podem integrar a estratégia nutricional durante os períodos de calor.
A MCassab também indica o suplemento Fresh Cow para situações de estresse térmico. Segundo a empresa, o produto contém bicarbonatos de sódio e potássio, leveduras com ação probiótica e alcaloides. A utilização de suplementos, assim como outros ajustes na dieta, deve considerar as características do rebanho e o planejamento nutricional da propriedade.
Para o especialista, o produtor não deve esperar uma queda acentuada na produção para começar a agir.
“Não é preciso esperar que o estresse seja intenso para agir. Ao perceber os primeiros sinais, o produtor já pode fazer os ajustes necessários”, afirma Scariot.
Prevenção começa pela observação do rebanho
O enfrentamento do calor passa por um conjunto de medidas, e não por uma ação isolada. Disponibilidade de água, áreas sombreadas, ventilação, horários de alimentação, qualidade da dieta e acompanhamento do comportamento dos animais precisam ser avaliados em conjunto.
A observação diária ganha importância porque permite identificar alterações antes que os efeitos do estresse térmico se tornem mais severos e comprometam o desempenho produtivo e reprodutivo.
O que você precisa saber
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Sinais de estresse térmico: respiração acelerada, boca aberta, salivação e procura frequente por água e sombra.
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Possíveis impactos: redução do consumo de alimento e da produção de leite, alterações nos teores de gordura e proteína e prejuízos à reprodução.
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Cuidados essenciais: água limpa e fresca, sombra, ventilação e menor exposição ao sol.
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Alimentação: priorizar horários mais frescos e ajustar a dieta às necessidades do rebanho.
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Monitoramento: observar diariamente os animais e agir desde os primeiros sinais de desconforto.

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