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Domingo, 01 de Fevereiro 2026

Polícia

Caso Bacabal: Um mês de espera, silêncio e angústia: o caso das crianças que ninguém encontra

Ausência de vestígios, terreno hostil e disseminação de fake news tornam uma das maiores operações de busca do Maranhão um dos casos mais complexos já registrados na região

Conexão ES Redação
Por Conexão ES Redação
Caso Bacabal: Um mês de espera, silêncio e angústia: o caso das crianças que ninguém encontra
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Quase um mês após o desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, no Quilombo São Sebastião dos Pretos, em Bacabal (MA), as investigações seguem sem respostas concretas. Apesar da mobilização de uma ampla força-tarefa que envolve Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Exército, Marinha, mergulhadores e cães farejadores, nenhum vestígio material das crianças foi localizado até o momento.

O caso reúne uma combinação de fatores que, segundo investigadores, dificulta de forma significativa a definição de linhas objetivas de apuração, tornando a ocorrência uma das mais desafiadoras já enfrentadas pelas forças de segurança na região.

Terreno hostil amplia complexidade das buscas

A área onde as crianças desapareceram apresenta características que dificultam qualquer operação de busca. O território reúne mata fechada, áreas de pastagem, açudes, lagos e trechos alagadiços, com poucas trilhas naturais e relevo irregular.

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Durante os trabalhos, equipes relataram a presença constante de animais silvestres, como serpentes, além de armadilhas improvisadas utilizadas por caçadores. Outro agravante é a ausência de energia elétrica na região, o que limita operações noturnas e reduz a eficácia de equipamentos tecnológicos.

O período chuvoso também contribui para o apagamento de rastros, marcas no solo e possíveis indícios que poderiam auxiliar na investigação.

Hipótese de afogamento foi descartada

Uma das primeiras hipóteses levantadas envolvia o Rio Mearim, após cães farejadores seguirem rastros até as margens do rio. A possibilidade levou à mobilização de equipes especializadas em buscas fluviais e subaquáticas.

Ao longo de cinco dias, cerca de 19 quilômetros do rio foram vistoriados, com pontos analisados de forma minuciosa por mergulhadores da Marinha e do Corpo de Bombeiros. Após a conclusão dessa etapa, as autoridades descartaram oficialmente a hipótese de que as crianças estivessem naquele trecho do rio.

Buscas terrestres percorrem centenas de quilômetros

Em terra, o Exército Brasileiro informou que aproximadamente 200 quilômetros de áreas de mata e regiões de difícil acesso já foram percorridos. Mesmo com varreduras repetidas e o uso de cães farejadores, não foram encontrados objetos pessoais, roupas ou sinais recentes da presença das crianças.

A ausência total de vestígios, diante da dimensão da operação, é apontada por investigadores como um dos aspectos mais intrigantes do caso.

Lacunas no relato dificultam delimitação da área

Um dos principais entraves à investigação é a falta de precisão sobre o momento e o local exatos em que as crianças teriam se separado de um primo que as acompanhava nos primeiros dias.

Relatos indicam que o grupo teria passado pelo menos duas noites em uma cabana abandonada, conhecida na região como “casa caída”. O que ocorreu a partir desse ponto segue indefinido. Não há confirmação sobre o trajeto tomado pelos irmãos nem se eles permaneceram dentro da área inicialmente delimitada pelas buscas.

Sem essa definição, as forças de segurança admitem não ser possível afirmar se toda a região de interesse já foi efetivamente coberta.

Inquérito segue aberto e sem hipóteses descartadas

A Polícia Civil do Maranhão mantém inquérito em andamento e reforça que nenhuma linha investigativa foi descartada. As autoridades evitam detalhar hipóteses em apuração para não comprometer o andamento das investigações.

Novas estratégias podem ser adotadas conforme o cruzamento de informações, análises técnicas e eventuais dados que venham a surgir.

Fake news atrapalham apuração e ampliam sofrimento

Outro fator que tem impactado diretamente o andamento do caso é a disseminação de informações falsas nas redes sociais. Boatos sobre suposta venda das crianças, avistamentos em outros estados e denúncias infundadas mobilizaram equipes policiais e precisaram ser oficialmente desmentidos.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, esse tipo de desinformação desvia recursos operacionais, atrasa investigações e amplia o sofrimento da família. As autoridades alertam que a propagação de fake news pode, inclusive, configurar crime.

Um caso ainda em aberto

Passadas quase quatro semanas, o desaparecimento de Ágatha Isabelly e Allan Michael permanece sem respostas. A combinação entre ausência de vestígios, dificuldades ambientais, lacunas nos relatos iniciais e o impacto da desinformação mantém o caso em aberto e sob intensa apuração.

As forças de segurança seguem mobilizadas, à espera de qualquer informação que possa indicar, com precisão, o que aconteceu com as crianças e onde elas podem estar.

🟥 O que você precisa saber

  • Desaparecidos: Ágatha Isabelly (6 anos) e Allan Michael (4 anos)

  • Local: Quilombo São Sebastião dos Pretos, Bacabal (MA)

  • Tempo: quase um mês sem localização

  • Buscas: terrestres, fluviais e subaquáticas

  • Hipótese fluvial: descartada

  • Investigação: inquérito em andamento, sem hipóteses excluídas

  • Alerta: fake news prejudicam as investigações

FONTE/CRÉDITOS: Metrópoles
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