Quase um mês após o desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, no Quilombo São Sebastião dos Pretos, em Bacabal (MA), as investigações seguem sem respostas concretas. Apesar da mobilização de uma ampla força-tarefa que envolve Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Exército, Marinha, mergulhadores e cães farejadores, nenhum vestígio material das crianças foi localizado até o momento.
O caso reúne uma combinação de fatores que, segundo investigadores, dificulta de forma significativa a definição de linhas objetivas de apuração, tornando a ocorrência uma das mais desafiadoras já enfrentadas pelas forças de segurança na região.
Terreno hostil amplia complexidade das buscas
A área onde as crianças desapareceram apresenta características que dificultam qualquer operação de busca. O território reúne mata fechada, áreas de pastagem, açudes, lagos e trechos alagadiços, com poucas trilhas naturais e relevo irregular.
Durante os trabalhos, equipes relataram a presença constante de animais silvestres, como serpentes, além de armadilhas improvisadas utilizadas por caçadores. Outro agravante é a ausência de energia elétrica na região, o que limita operações noturnas e reduz a eficácia de equipamentos tecnológicos.
O período chuvoso também contribui para o apagamento de rastros, marcas no solo e possíveis indícios que poderiam auxiliar na investigação.
Hipótese de afogamento foi descartada
Uma das primeiras hipóteses levantadas envolvia o Rio Mearim, após cães farejadores seguirem rastros até as margens do rio. A possibilidade levou à mobilização de equipes especializadas em buscas fluviais e subaquáticas.
Ao longo de cinco dias, cerca de 19 quilômetros do rio foram vistoriados, com pontos analisados de forma minuciosa por mergulhadores da Marinha e do Corpo de Bombeiros. Após a conclusão dessa etapa, as autoridades descartaram oficialmente a hipótese de que as crianças estivessem naquele trecho do rio.
Buscas terrestres percorrem centenas de quilômetros
Em terra, o Exército Brasileiro informou que aproximadamente 200 quilômetros de áreas de mata e regiões de difícil acesso já foram percorridos. Mesmo com varreduras repetidas e o uso de cães farejadores, não foram encontrados objetos pessoais, roupas ou sinais recentes da presença das crianças.
A ausência total de vestígios, diante da dimensão da operação, é apontada por investigadores como um dos aspectos mais intrigantes do caso.
Lacunas no relato dificultam delimitação da área
Um dos principais entraves à investigação é a falta de precisão sobre o momento e o local exatos em que as crianças teriam se separado de um primo que as acompanhava nos primeiros dias.
Relatos indicam que o grupo teria passado pelo menos duas noites em uma cabana abandonada, conhecida na região como “casa caída”. O que ocorreu a partir desse ponto segue indefinido. Não há confirmação sobre o trajeto tomado pelos irmãos nem se eles permaneceram dentro da área inicialmente delimitada pelas buscas.
Sem essa definição, as forças de segurança admitem não ser possível afirmar se toda a região de interesse já foi efetivamente coberta.
Inquérito segue aberto e sem hipóteses descartadas
A Polícia Civil do Maranhão mantém inquérito em andamento e reforça que nenhuma linha investigativa foi descartada. As autoridades evitam detalhar hipóteses em apuração para não comprometer o andamento das investigações.
Novas estratégias podem ser adotadas conforme o cruzamento de informações, análises técnicas e eventuais dados que venham a surgir.
Fake news atrapalham apuração e ampliam sofrimento
Outro fator que tem impactado diretamente o andamento do caso é a disseminação de informações falsas nas redes sociais. Boatos sobre suposta venda das crianças, avistamentos em outros estados e denúncias infundadas mobilizaram equipes policiais e precisaram ser oficialmente desmentidos.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, esse tipo de desinformação desvia recursos operacionais, atrasa investigações e amplia o sofrimento da família. As autoridades alertam que a propagação de fake news pode, inclusive, configurar crime.
Um caso ainda em aberto
Passadas quase quatro semanas, o desaparecimento de Ágatha Isabelly e Allan Michael permanece sem respostas. A combinação entre ausência de vestígios, dificuldades ambientais, lacunas nos relatos iniciais e o impacto da desinformação mantém o caso em aberto e sob intensa apuração.
As forças de segurança seguem mobilizadas, à espera de qualquer informação que possa indicar, com precisão, o que aconteceu com as crianças e onde elas podem estar.
🟥 O que você precisa saber
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Desaparecidos: Ágatha Isabelly (6 anos) e Allan Michael (4 anos)
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Local: Quilombo São Sebastião dos Pretos, Bacabal (MA)
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Tempo: quase um mês sem localização
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Buscas: terrestres, fluviais e subaquáticas
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Hipótese fluvial: descartada
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Investigação: inquérito em andamento, sem hipóteses excluídas
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Alerta: fake news prejudicam as investigações

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