VITÓRIA (ES) — Os resíduos gerados pela avicultura e pela suinocultura podem se tornar um dos principais ativos do Espírito Santo na expansão da produção de energia renovável. O tema foi debatido durante o Vitória Energy 2026, evento voltado à transição energética e ao desenvolvimento sustentável, que reuniu representantes do setor produtivo, especialistas e empresários para discutir alternativas de diversificação da matriz energética.
Representando a Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo (AVES) e a Associação dos Suinocultores do Espírito Santo (ASES), o diretor executivo Nélio Hand apresentou um panorama da produção estadual e destacou o potencial dos dejetos animais para a produção de biometano, combustível renovável obtido a partir da purificação do biogás.
Segundo os dados apresentados, o Espírito Santo produz, em média, 75 mil toneladas de esterco de aves e cerca de 30,5 mil metros cúbicos de dejetos suínos por mês. Embora esses resíduos já tenham destinação econômica consolidada, especialmente como fertilizantes orgânicos e na geração de biogás, ainda existe espaço para ampliar seu aproveitamento energético.
Resíduos já movimentam a economia rural
Na avicultura, o esterco é amplamente utilizado como adubo orgânico em atividades como cafeicultura, fruticultura, horticultura, reflorestamento e outras culturas agrícolas, sendo comercializado inclusive para outros estados.
Já na suinocultura, o uso de biodigestores tornou-se uma realidade em grande parte das propriedades capixabas. De acordo com a AVES e a ASES, aproximadamente 90% da produção estadual já utiliza esse sistema para transformar resíduos em biogás.
Parte da energia produzida abastece as próprias granjas, enquanto alguns produtores comercializam o excedente junto às concessionárias de energia elétrica.
Escala comercial ainda enfrenta desafios
Apesar do potencial identificado, a produção de biometano em escala comercial ainda encontra obstáculos técnicos e econômicos.
Segundo Nélio Hand, o principal desafio é tornar os projetos financeiramente viáveis diante dos investimentos exigidos para implantação das plantas de processamento.
"Os resíduos produzidos pelas cadeias de aves e suínos já são muito bem aproveitados pelos produtores. O grande desafio é transformar esse potencial em projetos economicamente viáveis para produção de biometano", afirmou durante o evento.
Além do elevado custo de implantação, ele destaca que a remuneração obtida atualmente com a comercialização do esterco como fertilizante faz com que muitos produtores ainda priorizem esse mercado em vez da produção de bioenergia.
Questões estruturais, como espaço físico para instalação de biodigestores e a necessidade de maior participação de empresas do setor de gás, também figuram entre os fatores que limitam a expansão da atividade.
Experiências internacionais apontam caminhos
Durante o debate, foram citados exemplos internacionais que demonstram a viabilidade do aproveitamento energético dos resíduos agropecuários.
Na Espanha, por exemplo, dejetos da avicultura e da suinocultura são utilizados na produção de biometano, fertilizantes orgânicos e dióxido de carbono biogênico, agregando valor aos resíduos e fortalecendo a economia circular.
Para a AVES e a ASES, iniciativas desse tipo mostram que o Espírito Santo reúne condições para desenvolver projetos semelhantes, especialmente em razão da importância econômica da produção animal no Estado.
Segundo Nélio Hand, a expectativa é que a evolução tecnológica, a redução dos custos de implantação e novos investimentos ampliem a viabilidade do biometano como alternativa de renda para os produtores rurais.
"Hoje os resíduos já possuem aproveitamento consolidado, mas acreditamos que, com o amadurecimento do mercado, redução dos custos e investimentos compatíveis com a realidade local, o biometano poderá se tornar mais uma fonte de receita para os produtores e contribuir para o desenvolvimento sustentável do Espírito Santo", destacou.
Ao participar das discussões sobre transição energética, as entidades defendem que o setor agropecuário pode desempenhar papel relevante na construção de uma matriz energética mais diversificada, sustentável e integrada às práticas da economia circular.
O que você precisa saber
📍 Evento: Vitória Energy 2026
🎯 Tema: Potencial da avicultura e da suinocultura na produção de biometano e energia renovável.
👤 Representação: AVES e ASES.
🗣️ Palestrante: Nélio Hand, diretor executivo das entidades.
📊 Produção mensal no Espírito Santo:
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75 mil toneladas de esterco de aves;
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30,5 mil metros cúbicos de dejetos suínos.
♻️ Situação atual:
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Esterco utilizado como fertilizante orgânico na agricultura;
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Cerca de 90% da suinocultura utiliza biodigestores para geração de biogás.
🌱 Perspectiva: Ampliação da produção de biometano como alternativa para geração de energia limpa, fortalecimento da economia circular e diversificação da renda no meio rural.

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