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Terça-feira, 25 de Agosto 2026
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Dejetos da avicultura e da suinocultura ampliam potencial do Espírito Santo para produção de biometano

Debate no Vitória Energy 2026 aponta que resíduos da produção animal podem impulsionar a geração de energia renovável, fortalecer a economia circular e abrir novas oportunidades para o agronegócio capixaba

Conexão ES Redação
Por Conexão ES Redação
Dejetos da avicultura e da suinocultura ampliam potencial do Espírito Santo para produção de biometano
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VITÓRIA (ES) — Os resíduos gerados pela avicultura e pela suinocultura podem se tornar um dos principais ativos do Espírito Santo na expansão da produção de energia renovável. O tema foi debatido durante o Vitória Energy 2026, evento voltado à transição energética e ao desenvolvimento sustentável, que reuniu representantes do setor produtivo, especialistas e empresários para discutir alternativas de diversificação da matriz energética.

Representando a Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo (AVES) e a Associação dos Suinocultores do Espírito Santo (ASES), o diretor executivo Nélio Hand apresentou um panorama da produção estadual e destacou o potencial dos dejetos animais para a produção de biometano, combustível renovável obtido a partir da purificação do biogás.

Segundo os dados apresentados, o Espírito Santo produz, em média, 75 mil toneladas de esterco de aves e cerca de 30,5 mil metros cúbicos de dejetos suínos por mês. Embora esses resíduos já tenham destinação econômica consolidada, especialmente como fertilizantes orgânicos e na geração de biogás, ainda existe espaço para ampliar seu aproveitamento energético.

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Resíduos já movimentam a economia rural

Na avicultura, o esterco é amplamente utilizado como adubo orgânico em atividades como cafeicultura, fruticultura, horticultura, reflorestamento e outras culturas agrícolas, sendo comercializado inclusive para outros estados.

Já na suinocultura, o uso de biodigestores tornou-se uma realidade em grande parte das propriedades capixabas. De acordo com a AVES e a ASES, aproximadamente 90% da produção estadual já utiliza esse sistema para transformar resíduos em biogás.

Parte da energia produzida abastece as próprias granjas, enquanto alguns produtores comercializam o excedente junto às concessionárias de energia elétrica.

Escala comercial ainda enfrenta desafios

Apesar do potencial identificado, a produção de biometano em escala comercial ainda encontra obstáculos técnicos e econômicos.

Segundo Nélio Hand, o principal desafio é tornar os projetos financeiramente viáveis diante dos investimentos exigidos para implantação das plantas de processamento.

"Os resíduos produzidos pelas cadeias de aves e suínos já são muito bem aproveitados pelos produtores. O grande desafio é transformar esse potencial em projetos economicamente viáveis para produção de biometano", afirmou durante o evento.

Além do elevado custo de implantação, ele destaca que a remuneração obtida atualmente com a comercialização do esterco como fertilizante faz com que muitos produtores ainda priorizem esse mercado em vez da produção de bioenergia.

Questões estruturais, como espaço físico para instalação de biodigestores e a necessidade de maior participação de empresas do setor de gás, também figuram entre os fatores que limitam a expansão da atividade.

Experiências internacionais apontam caminhos

Durante o debate, foram citados exemplos internacionais que demonstram a viabilidade do aproveitamento energético dos resíduos agropecuários.

Na Espanha, por exemplo, dejetos da avicultura e da suinocultura são utilizados na produção de biometano, fertilizantes orgânicos e dióxido de carbono biogênico, agregando valor aos resíduos e fortalecendo a economia circular.

Para a AVES e a ASES, iniciativas desse tipo mostram que o Espírito Santo reúne condições para desenvolver projetos semelhantes, especialmente em razão da importância econômica da produção animal no Estado.

Segundo Nélio Hand, a expectativa é que a evolução tecnológica, a redução dos custos de implantação e novos investimentos ampliem a viabilidade do biometano como alternativa de renda para os produtores rurais.

"Hoje os resíduos já possuem aproveitamento consolidado, mas acreditamos que, com o amadurecimento do mercado, redução dos custos e investimentos compatíveis com a realidade local, o biometano poderá se tornar mais uma fonte de receita para os produtores e contribuir para o desenvolvimento sustentável do Espírito Santo", destacou.

Ao participar das discussões sobre transição energética, as entidades defendem que o setor agropecuário pode desempenhar papel relevante na construção de uma matriz energética mais diversificada, sustentável e integrada às práticas da economia circular.

O que você precisa saber

📍 Evento: Vitória Energy 2026

🎯 Tema: Potencial da avicultura e da suinocultura na produção de biometano e energia renovável.

👤 Representação: AVES e ASES.

🗣️ Palestrante: Nélio Hand, diretor executivo das entidades.

📊 Produção mensal no Espírito Santo:

  • 75 mil toneladas de esterco de aves;

  • 30,5 mil metros cúbicos de dejetos suínos.

♻️ Situação atual:

  • Esterco utilizado como fertilizante orgânico na agricultura;

  • Cerca de 90% da suinocultura utiliza biodigestores para geração de biogás.

🌱 Perspectiva: Ampliação da produção de biometano como alternativa para geração de energia limpa, fortalecimento da economia circular e diversificação da renda no meio rural.

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