VITÓRIA (ES) — O Espírito Santo mantém posição de liderança no cenário global das rochas naturais, respondendo por mais de 80% das exportações brasileiras e consolidando o Brasil como o quarto maior produtor e quinto maior exportador do mundo. Esse protagonismo tem ganhado novo fôlego com a influência crescente do design de interiores e do mercado de alto padrão, que ampliam a demanda por materiais nobres e sustentáveis.
O tema foi destaque do “Stone Business – Encontro do Setor de Rochas Naturais”, realizado no primeiro dia da Fenarq Design Summit 2025, na Cidade da Inovação, em Jardim da Penha, Vitória. O evento reuniu representantes da indústria, arquitetos, engenheiros e designers em torno de debates sobre o uso criativo e sustentável das rochas ornamentais no urbanismo e na construção civil.
A força simbólica das rochas no urbanismo
A designer Araciene Pessi, especialista em produção de rochas com design avançado, destacou o papel simbólico e funcional do material na composição dos espaços urbanos.
“As rochas naturais têm uma força estética e simbólica que atravessa o tempo. Quando inseridas no urbanismo, elas não apenas qualificam os espaços, mas também contam a história do território e das pessoas que o habitam”, afirmou.
Ela citou o calçadão de Camburi, em Vitória, como exemplo emblemático de uso público da pedra, ressaltando a durabilidade e o valor cultural do material.
Mercado de luxo e curadoria de materiais
As empresárias Moema Lessa e Narjara Lessa, à frente da Capital Exclusive Stones e da Capital Design Stones, abordaram a valorização dos quartzitos no mercado de luxo.
“Cada rocha que chega à Capital passa por um processo de curadoria rigoroso, desde a seleção nas pedreiras até o acabamento final”, destacou Moema.
Narjara complementou: “Quando uma rocha natural entra em cena, ela se torna a protagonista. As rochas são as joias brasileiras e respeitar as características únicas de cada uma é essencial no processo de design.”
O designer Ivan Lopes, diretor da Associação Brasileira de Design de Interiores (ABD) e responsável pela “Sala da Presidência no Mundo das Rochas” na mostra de arquitetura da Fenarq, também apontou o avanço do uso de pedras naturais em ambientes corporativos e residenciais.
Sustentabilidade e inovação industrial
Encerrando o encontro, o empresário Michel Rabbi, embaixador da Fenarq, e o engenheiro Alexandre Vianna Bahiense, doutor em Engenharia, apresentaram um painel sobre reaproveitamento de resíduos de rochas ornamentais, que representam cerca de 30% do volume total produzido.
“Hoje é possível viabilizar o reuso desse material, transformando o que antes seria descartado em um novo recurso para a construção civil”, explicou Bahiense.
Rabbi completou: “Não só ela deixa de ir para o meio ambiente, ela vira dinheiro.”
O debate reforçou a importância da economia circular no setor e o papel do Espírito Santo como referência em práticas sustentáveis e inovadoras.
Fenarq Design Summit 2025: inovação e conexões
Realizada entre 29 e 31 de outubro, a Fenarq Design Summit 2025 reuniu mais de 70 expositores e 18 palestrantes em Vitória. O evento nasceu em Cachoeiro de Itapemirim e chegou à capital capixaba com foco na integração entre arquitetura, engenharia, design, tecnologia e mercado imobiliário.
Entre as atrações estiveram a Mostra Rota Capixaba, com ambientes inspirados em pontos turísticos do estado e assinados por arquitetos como Henrique Gasparini, Fernando Zache e Vinícius Ribeiro, e a exposição “Mármore Capixaba – Legado & Progresso”, que celebrou a história do setor.
A Fenarq contou com apoio do Governo do Estado, ADERES, Crea-ES, Ifes e Cidade da Inovação, além de entidades como ABD, Sindirochas-ES e Centrorochas, consolidando-se como o maior encontro de design e rochas ornamentais do Espírito Santo.
📦 O que você precisa saber
Liderança nacional: Espírito Santo responde por mais de 80% das exportações brasileiras de rochas naturais.
Evento: Stone Business – Encontro do Setor de Rochas Naturais, parte da Fenarq Design Summit 2025.
Destaque: uso das rochas no design de interiores e urbanismo sustentável.
Tendência: quartzitos se consolidam como material de luxo mais procurado.
Sustentabilidade: 30% dos resíduos de rochas já podem ser reaproveitados na construção civil.
Local: Cidade da Inovação, Jardim da Penha (Vitória – ES).

Comentários: