O Espírito Santo vive um cenário paradoxal no mercado cafeeiro: enquanto as exportações atingem volumes históricos, o valor pago por saca segue em queda acelerada. Dados divulgados pelo Centro do Comércio de Café de Vitória mostram que abril de 2026 registrou o segundo maior volume de embarques para o mês desde 2015 — mas com forte redução no preço médio do café exportado.
Ao todo, o Estado embarcou 519 mil sacas em abril, crescimento de 12% em relação a março. No acumulado do ano, as exportações já somam 1,4 milhão de sacas, avanço de 70% sobre o mesmo período de 2025.
Conilon impulsiona exportações capixabas
O principal motor desse crescimento é o café conilon, produto no qual o Espírito Santo lidera nacionalmente.
Somente em abril:
445 mil sacas de conilon foram exportadas;
alta de 35% em relação a março;
crescimento impressionante de 444% sobre abril de 2025.
Segundo o mercado, o avanço está diretamente ligado à supersafra estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento, que projeta produção de 14,2 milhões de sacas de conilon no Estado em 2026.
Mais café vendido, menos dinheiro por saca
Apesar do recorde no volume, a receita praticamente não acompanhou o crescimento.
O Espírito Santo exportou 12% mais café em abril, mas a receita total aumentou apenas 1%, fechando em US$ 121 milhões.
O motivo é a forte queda nos preços internacionais.
O valor médio da saca exportada pelo Estado caiu:
de US$ 305 em dezembro de 2025;
para US$ 234 em abril de 2026.
Na comparação com abril do ano passado, a queda chega a 47%.
Conilon sofre maior pressão de preços
O impacto mais forte ocorre justamente no conilon capixaba.
A espécie fechou abril cotada em média a US$ 221 por saca, contra US$ 342 no mesmo período de 2025 — retração de 35%.
Já o café arábica segue mais valorizado, sustentado pela bienalidade negativa da produção brasileira em 2026.
Reino Unido e Colômbia ampliam compras
Os dados também mostram mudanças importantes nos destinos das exportações capixabas.
Em abril, os principais compradores foram:
Reino Unido;
Bélgica;
México;
Colômbia;
Itália.
A Colômbia aparece como destaque estratégico, utilizando o conilon capixaba para blends e redistribuição regional.
Mercado entra em nova fase
Segundo a análise da economista Stefany Sampaio, o cenário mostra uma nova dinâmica do mercado: safra abundante, preços mais baixos e importadores antecipando compras enquanto o café ainda está competitivo.
Agora, o desafio para o produtor será equilibrar o aumento de volume com a queda no valor pago por saca — fator que deve definir o resultado financeiro da safra 2026.
📌 O que você precisa saber
Espírito Santo registrou exportação recorde de café em abril
Estado embarcou 519 mil sacas no mês
Volume cresceu 70% no acumulado de 2026
Preço médio da saca caiu 47% em relação a 2025
Conilon teve queda de 35% no valor unitário
Supersafra aumentou oferta e pressionou cotações
Reino Unido e Colômbia aparecem entre os principais compradores

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